22 fevereiro 2013

25 em 2013 - Livro 3: Cartas portuguesas



E, seguindo com o auto-desafio de leitura, vou falar hoje do terceiro livro lido - na verdade, relido!

Em meados do século XVII, uma freira portuguesa se apaixonou por um oficial francês de passagem por sua cidade - Beja - e tiveram um romance. 

Anos mais tarde, as supostas cartas de Mariana Alcoforado, a freira, endereçadas a  Noël de Chamilly, o oficial, foram publicadas por um editor francês e, desde então, não faltam especulações sobre a veracidade da origem das cartas e de quem realmente as escreveu. Romântica que sou, fico com a versão de que são reais! Ridiculamente reais, como Fernando Pessoa, através do seu heterônimo Álvaro de Campos, dizia que todas as cartas de amor, quando há amor, são.

Da mesma forma posta pelo poeta português, não falo aqui, desta forma, como uma crítica à freira sua conterrânea, mas como constatação pelo amor quase irracional posto nas ridículas cartas de Alcoforado.

Esta foi a terceira vez que li o livro, esta, uma edição bilíngue, mandada pelo Luís, querido amigo português, há alguns anos.

Na primeira vez que o li, vivendo um amor que parecia perfeito, achei as cartas lindas mesmo que terrivelmente doloridas. Tive pena de Mariana por ter vivido um amor com final infeliz.

Na segunda vez que o li, ao final do romance que parecia perfeito, eu conhecia o sofrimento descrito nas cartas porque era muito próximo ao que eu sentia naquele momento! Chorei sobre as palavras da freira portuguesa, identificando ali a minha dor descrita séculos antes.

Nesta terceira vez, "curada", foi a hora de ter mais pena dela ainda por ainda sofrer sem saber que aquilo não precisava ser permanente.

O amor que, acima, descrevi como quase irracional é escancarado, sofrido, desesperado, carente de amor próprio por parte da portuguesa! Ela coloca todo o seu sofrimento nas palavras escritas para o amante que, friamente, a responde - quando responde!

Não tem como não sentir pena dela. Do seu sofrimento. Da sua fraqueza diante do sentimento novo conhecido e, tido por ela, como impossível de se esquecer, de se livrar.

A vontade que dá, em vários momentos, é de poder dar um abraço em Mariana e lhe dizer que isso vai passar, que a gente não morre por um amor não correspondido. 

Quero crer que, no final, Mariana ficou bem. Quero crer que as feridas dela cicatrizaram, deixando marcas, mas não doendo como quando no começo do abandono.

É um livro do qual gosto muito. Provavelmente ainda relerei outras vezes e, em cada nova vez, com um olhar diferente mas, sempre, sentindo na pele o amor e a dor descritos por Mariana Alcoforado.

Título original: Lettres portugaises
Autora: Mariana Alcoforado
Editora: Assírio & Alvim
Edição: 1ª (desta editora)
Ano: 1998

A arrogância segundo os medíocres


Minha irmã me mandou este texto maravilhoso via Facebook - originalmente está aqui  e foi escrito por Carmen Guerreiro - e eu gostei tanto que quis dividir aqui.

Acho que não sou a única que vai se identificar com ele:



“Adorei o seu sapato”, disse uma amiga para mim certa vez.

“Legal, né? Eu comprei em uma feira de artesanato na Colômbia, achei super legal também”, eu respondi, de fato empolgada porque eu também adorava o sapato. Foi o suficiente para causar reticências  quase visíveis nela e no namorado e, se não fosse chato demais, eles teriam dado uma risadinha e rolariam os olhos um para o outro, como quem diz “que metida”. Mas para meia-entendedora que sou, o “ah…” que ela respondeu bastou.

Incrível é que posso afirmar com toda convicção que, se tivesse comprado aquele sapato em um camelô da 25 de março, eu responderia com a mesma empolgação “Legal, né? Achei lá na 25!”. Só que aí sim eu teria uma reação positiva, porque comprar na 25 “pode”.

Experiências como essa fazem com que eu mantenha minhas viagens em 13 países, minha fluência em francês e meus conhecimentos sobre temas do meu interesse (linguística, mitologia, gastronomia etc) praticamente para mim mesma e, em doses homeopáticas, comente entre meu restrito círculo familiar e de amigos (aquele que a gente conta nos dedos das mãos).

Essa censura intelectual me deixa irritada. Isso porque a mediocridade faz com que muitos torçam o nariz para tudo aquilo que não conhecem, mas que socialmente é considerado algo de um nível de cultura e poder aquisitivo superior. E assim você vira um arrogante. Te repudiam pelo simples fato de você mencionar algo que tem uma tarja invisível de “coisa de gente fresca”.

Não importa que ele pague R$ 30 mil em um carro zero, enquanto você dirige um carro de mais 15 anos e viaja durante um mês a cada dois anos para o exterior gastando R$ 5 mil (dinheiro que você, que não quer um carro zero, juntou com o seu trabalho enquanto ele pagava parcelas de mil reais ao mês). 

Não importa que você conheça uma palavra em outra língua que expressa muito melhor o que você quer falar. Você não pode mencioná-la de jeito nenhum! Mas ele escreve errado o português, troca “c” por “ç”, “s” por “z” e tudo bem.

Não pode falar que não gosta de novela ou de Big Brother, senão você é chato. Não pode fazer referência a livro nenhum, ou falar que foi em um concerto de música clássica, ou você é esnobe. Não ouso sequer mencionar meus amigos estrangeiros, correndo o risco de apedrejamento.

Pagar R$200 em uma aula de francês não pode. Mas pagar mais em uma academia, sem problemas. Se eu como aspargos e queijo brie, sou “chique”. Mas se gasto os mesmos R$ 20 (que compra os dois ingredientes citados) em um lanche do Mc Donald’s, aí tudo bem. Se desembolso R$100 em uma roupa ou acessório que gosto muito, sou uma riquinha consumista. Mas gastar R$100 no salão de cabeleireiro do bairro pra ter alguém refazendo sua chapinha é considerado normal. Gastar de R$30 a R$50 em vinho (seco, ainda por cima) é um absurdo. Mas R$80 em um abadá, ou em cerveja ruim na balada, ou em uma festa open bar… Tranquilo!

Meu ponto é que as pessoas que mais exercem essa censura intelectual têm acesso às mesmas coisas que eu, mas escolhem outro estilo de vida. Que pode ser até mais caro do que o meu, mas que não tem a pecha de coisa de gente arrogante.

O dicionário Aulete define a palavra “arrogância” da seguinte forma:

1. Ação ou resultado de atribui a si mesmo prerrogativa(s), direito(s), qualidade(s) etc.

2. Qualidade de arrogante, de quem se pretende superior ou melhor e o manifesta em atitudes de desprezo aos outros, de empáfia, de insolência etc.

3. Atitude, comportamento prepotente de quem se considera superior em relação aos outros; INSOLÊNCIA: “…e atirou-lhe com arrogância o troco sobre o balcão.” (José de Alencar, A viuvinha))

4. Ação desrespeitosa, que revela empáfia, insolência, desrespeito: Suas arrogâncias ultrapassam todo limite.

Pois bem. Ser arrogante é, então, atribuir-se qualidades que fazem com que você se ache superior aos outros. Mas a grande questão é que em nenhum momento coloco que meus interesses por línguas estrangeiras, viagens, design, gastronomia e cultura alternativa são mais relevantes do que outros. 

Ou pior: que me fazem alguém melhor que os outros. São os outros que se colocam abaixo de mim por não ter os mesmos interesses, taxar esses interesses de “coisa de grã-fino” (sim, ainda usam esse termo) e achar que vivem em um universo dos “pobres legais”, ainda que tenham o mesmo salário que eu. E o pior é que vivem, mesmo: no universo da pobreza de espírito.

12 fevereiro 2013

Burlesque

Em tempos de Carnaval...

Um blog que sigo, o Weesha's World, publicou estas ilustrações de Steffi Schuetze e eu me apaixonei por elas!







Não são lindas??