17 agosto 2013

Vi: O ano em que meus pais saíram de férias


Nasci em 1975, vivi alguns anos sob o regime militar mas as únicas lembranças que tenho da época são do extremo nacionalismo nos desfiles de 7 de setembro - militares desfilando e tudo - e do disco do Geraldo Vandré que a minha mãe tinha, comprado meio na surdina, porque logo ele seria proibido por conta da letra de Pra não dizer que não falei das flores.

O ano em que meus pais saíram de férias (2006), se passa em 1970 e mostra uma realidade que nós, da minha geração, pouco conhecemos e não sei se as gerações futuras poderão conhecer melhor. Mas deveríamos!

Mauro tem 12 anos, mora com os pais em Belo Horizonte e é apaixonado por futebol. Às vésperas da Copa do México, seus pais avisam que sairão de férias e o deixarão com o avô em São Paulo. Seu pai, no entanto, garante, volta para assistirem os jogos do Brasil juntos.

Acontece que, no mesmo dia que Mauro chega no Bom Retiro, seu avô, membro da comunidade judaica do bairro, morre e o menino acaba ficando sob os cuidados, principalmente de Shlomo, o velhinho do apartamento ao lado - e, depois que o rabino chama a atenção de todos, lembrando de como Moisés foi adotado pela princesa egípcia, toda a comunidade meio que adota Mauro, que logo faz amizades com outras crianças.

A vontade é contar um monte do filme mas não quero adiantar nada pra quem se animar a vê-lo. Só posso dizer que tudo funciona na história. O lado leve, infantil, dá espaço ao lado triste da ditadura e da saudade sem problemas, tornando o filme especialíssimo, emocionando até a última frase dita.

Se ainda não viu, veja!! Principalmente se você acha que nada do cinema nacional presta ;)

P.S. A direção é de Cao Hamburguer, do Castelo Rá Tim-Bum!

Vi: Antes que o mundo acabe


Tem gente que costuma ter preconceito com filmes nacionais, dando desculpas que não têm mais razão para existir. Tem um monte de filme legal nacional que normalmente nem chega em todos os cinemas do país mas que, graças à internet, conseguimos ver.

Recentemente pude ver dois filmes muito bonitos produzidos no Brasil, com atores brasileiros, com histórias brasileiras.

O primeiro deles foi Antes que o dia acabe (2009), filme gaúcho, com um elenco pouco conhecido, pelo menos por mim, que tem como protagonista Daniel, de 15 anos - interpretado por Pedro Tergolina, que agora está em Saramandaia, como o filho mais novo da Lilia Cabral - que, a mesmo tempo que leva um fora da namorada, que começa a se envolver com o seu melhor amigo, recebe notícias do pai biológico, com quem nunca teve contato.

A história se passa em uma cidadezinha do Rio Grande do Sul toda característica, bonitinha, organizada, simplesinha e tranquila que só ela. Os diálogos são muito bons, coerentes com a idade dos personagens e os problemas idem - porque quem já teve 15 anos lembra de como muitas coisas pareciam mostrar que o nosso mundo estava por acabar.

Pouco conhecido, o filme vale muito a pena ser assistido! Fofíssimo e bom mesmo!