10 outubro 2013

25 em 2013 - Livro 5: Sua resposta vale um bilhão




Eu sinto tanto só agora escrever sobre Sua resposta vale um bilhão que li em fevereiro! Principalmente porque vou deixar muita coisa bacana do livro de fora. Mas gostei tanto que, mesmo assim, vale a pena.

Minha história com o livro é longa. Sou apaixonada pelo filme Quem quer ser um milionário - sobre o qual comentei efusivamente aqui, há 4 anos. Naquela época eu já tinha me interessado pelo livro, primeiro do autor - um diplomata indiano - mesmo correndo o risco de me decepcionar com o filme depois de lê-lo.

Namorei o livro longamente até que encontrei na Estante Virtual - um site que reúne sebos do Brasil inteiro - no comecinho do ano. Paguei R$ 4- sim, quatro reais! - por uma edição praticamente nova.

Quanto à história, muita coisa é diferente do filme - e necessário, se pensarmos na impossibilidade de adaptar um livro inteiro pra 2h de película. Escrevendo isso, o que me vem à cabeça é que, na verdade, o filme é inspirado na idéia central, do menino pobre, criado no mundo e que ganha um prêmio em dinheiro enorme em um programa tipo "Show do Milhão". 

No livro, Ram Mohamad Thomas está preso por ter conseguido ganhar 1 bilhão de rúpias em um programa de tevê que não tem o dinheiro do prêmio. Sendo Ram um rapaz pobre, surge a dúvida da idoneidade dele e o menino, depois de ser espancado pela polícia, recebe a visita de uma advogada disposta a ajudá-lo e que pede para ele contar como sabia as respostas. Ram, então, conta a sua história, porque a resposta para todas as perguntas está no que ele viveu. Cada capítulo do livro explica uma resposta e vemos então um desfile de personagens interessantes e que, positivamente ou negativamente, marcam a vida do rapaz.

Em relação ao filme, nomes mudam, situações mudam, personagens mudam, perguntas no programa mudam... O livro é muito mais rico e, talvez, eu tivesse me decepcionado se o lesse antes de ver o filme. Me decepcionado com o filme!

Continuo amando o filme mas o livro é ainda melhor e vale MUITO a pena ser lido!!

(Querem prova maior do que eu tê-lo lido há 8 meses e continuar apaixonada?)


Título original: Q & A
Autor: Vikas Swarup
Editora: Companhia das Letras
Edição: 2ª
Ano: 2009

17 agosto 2013

Vi: O ano em que meus pais saíram de férias


Nasci em 1975, vivi alguns anos sob o regime militar mas as únicas lembranças que tenho da época são do extremo nacionalismo nos desfiles de 7 de setembro - militares desfilando e tudo - e do disco do Geraldo Vandré que a minha mãe tinha, comprado meio na surdina, porque logo ele seria proibido por conta da letra de Pra não dizer que não falei das flores.

O ano em que meus pais saíram de férias (2006), se passa em 1970 e mostra uma realidade que nós, da minha geração, pouco conhecemos e não sei se as gerações futuras poderão conhecer melhor. Mas deveríamos!

Mauro tem 12 anos, mora com os pais em Belo Horizonte e é apaixonado por futebol. Às vésperas da Copa do México, seus pais avisam que sairão de férias e o deixarão com o avô em São Paulo. Seu pai, no entanto, garante, volta para assistirem os jogos do Brasil juntos.

Acontece que, no mesmo dia que Mauro chega no Bom Retiro, seu avô, membro da comunidade judaica do bairro, morre e o menino acaba ficando sob os cuidados, principalmente de Shlomo, o velhinho do apartamento ao lado - e, depois que o rabino chama a atenção de todos, lembrando de como Moisés foi adotado pela princesa egípcia, toda a comunidade meio que adota Mauro, que logo faz amizades com outras crianças.

A vontade é contar um monte do filme mas não quero adiantar nada pra quem se animar a vê-lo. Só posso dizer que tudo funciona na história. O lado leve, infantil, dá espaço ao lado triste da ditadura e da saudade sem problemas, tornando o filme especialíssimo, emocionando até a última frase dita.

Se ainda não viu, veja!! Principalmente se você acha que nada do cinema nacional presta ;)

P.S. A direção é de Cao Hamburguer, do Castelo Rá Tim-Bum!

Vi: Antes que o mundo acabe


Tem gente que costuma ter preconceito com filmes nacionais, dando desculpas que não têm mais razão para existir. Tem um monte de filme legal nacional que normalmente nem chega em todos os cinemas do país mas que, graças à internet, conseguimos ver.

Recentemente pude ver dois filmes muito bonitos produzidos no Brasil, com atores brasileiros, com histórias brasileiras.

O primeiro deles foi Antes que o dia acabe (2009), filme gaúcho, com um elenco pouco conhecido, pelo menos por mim, que tem como protagonista Daniel, de 15 anos - interpretado por Pedro Tergolina, que agora está em Saramandaia, como o filho mais novo da Lilia Cabral - que, a mesmo tempo que leva um fora da namorada, que começa a se envolver com o seu melhor amigo, recebe notícias do pai biológico, com quem nunca teve contato.

A história se passa em uma cidadezinha do Rio Grande do Sul toda característica, bonitinha, organizada, simplesinha e tranquila que só ela. Os diálogos são muito bons, coerentes com a idade dos personagens e os problemas idem - porque quem já teve 15 anos lembra de como muitas coisas pareciam mostrar que o nosso mundo estava por acabar.

Pouco conhecido, o filme vale muito a pena ser assistido! Fofíssimo e bom mesmo!

14 julho 2013

Goodbye Finn



Assisto Glee desde o comecinho mas ultimamente minha relação com a série tem sido de amor e ódio.

No entanto, um dos personagens que, em momento algum, me fez perder a paciência ou querer parar de vez a série de vez - porque sempre estou atrasada com os episódios - foi o doce Finn, que começou tão ingênuo e que agora, já em sua quarta temporada, mostrou-se tão maduro e diferente do rapaz de anos atrás.

Senti muito pela notícia da morte do seu intérprete, Cory Monteith. Pelo possível motivo, pela sua juventude, por tanto que perde partindo tão cedo!

Que Deus o guarde e console os que o amam e que agora sofrem.

25 junho 2013

Enquanto isso, no PIT... (2)

Turista londrino, com um sotaque todo particular e muito simpático, chega aqui e diz que precisa pegar um vôo na Argentina pra Buenos Aires.

- Você tem que pegar um ônibus na próxima rua pra Puerto Iguazú...
- Puerto "Igazú"?!?!? (primeira vez que parece ouvir aquele nome)
- Sim. É a cidade na Argentina onde fica o aeroporto.
- Ah, sim.
- Você primeiro vai descer na rodoviária por lá - e blá, blá, blá...
- Certo. Como é o nome da cidade mesmo?
- Puerto Iguazú.
- "Puerta Igazú"?!
- O aeroporto é na Argentina, certo? - porque aí, vendo que ele parece nunca ter ouvido o nome da cidade, eu começo a achar que entendi tudo errado!
- Sim, na Argentina.
- Então é em Puerto Iguazú mesmo.
- Certo, certo. Eu não tinha certeza do nome. Na verdade, eu não lembrava mesmo. É que eu sou péssimo com nomes
- Percebi - comentei rindo. 

Felizmente ele riu mais ainda!

06 junho 2013

Enquanto isso, no PIT... (1)

PIT é Posto de Informações Turísticas, meu local de trabalho. 

Na verdade são quatro PIT's atualmente na cidade e trabalhamos por escala mensal, então cada mês estou em um lugar.

Atendendo turistas do mundo inteiro, pessoalmente ou por telefone, o que não faltam são histórias tragicômicas pra contar.

Como eu sempre conto no Facebook e o pessoal gosta, resolvi contar aqui no blog também, as atuais e, ao lembrar, outras antigas.

Vou contar sempre de forma curtinha, como faço no Facebook, reproduzindo os diálogos, com poucos comentários.

Começo por um que aconteceu ontem:

- Informações turísticas, boa tarde.
- Oi, eu tô indo pr'aí em julho. É muito frio?
- Faz frio, mas depende de quando a senhora vem. O melhor é dar uma olhada na previsão do tempo pouco antes de vir.
- Mas é muito frio?
- Depende. Em alguns dias, sim.
- Mas com frio dá pra visitar as Cataratas?
- ??? Sim, dá.
- Mas tem água lá, né?
- ????????????

(Sério, eu não entendo se a pessoa acha que congela, ou se tem época que as 275 quedas ficam completamente secas...)



28 maio 2013

Séries: Castle


Terminando a temporada da maioria das séries que assisto e percebi que algumas das mais queridas não ganharam post meu comentando-as. Decidi então tentar, esta semana, reverter esta falta e vou começar por Castle, uma das minhas séries preferidas.

Já comentei que algumas das séries que se tornaram mais queridas pra mim eu hesitei um pouco pra começar a ver? Então, pois é. E Castle é uma delas. 

Eu via toda semana postagem dos episódios nos sites, via que Nathan Fillion, o protagonista, ganhava prêmios e prêmios escolhido como melhor ator pela audiência, mas achava que a série era boba, bestinha demais. "E outra policial?!"

Um dia, sem nada pra ver, baixei um episódio e gostei. Aí baixei outro... e outro... e outro... Me apaixonei!

Richard Castle é um escritor de romances policiais que se vê envolvido com a polícia quando um assassino mata suas vítimas como personagens dos livros dele. Procurado pela detetive Cate Beckett, de cara ele - mulherengo! - se encanta e, usando de sua influência, consegue acompanhar a policial em suas investigações.

O que faz a série diferente, principalmente, é o enorme carisma de Fillion na pele de Castle, que é uma figura divertida, com loucas idéias sobre motivações para crimes - no que inclui acreditar que Papai Noel, ETs, monstros e fantasmas estão envolvidos em muitos deles -, um lado fofíssimo revelado principalmente com a filha adolescente e um homem que vai mudando, ao longo das temporadas, ao se ver apaixonado.

Além de tudo, ele é todo bonitão e divertido também na vida real! (Uma amostra aqui, com ele de kilt, dando uma entrevista)

Os outros personagens são ótimos também, desde Beckett - a linda Stana Katic - até Jon Huertas e Seamus Dever, que fazem a outra dupla policial, Esposito e Ryan.

Eu, que não sou fã de sangue, tiroteio e pancadaria, vejo Castle porque sei que vou me divertir. Vou rir, vou ficar chutando quem é o bandido, vou me emocionar em outros momentos...

A série já terminou sua quinta temporada, que teve algumas novidades esperadas desde o começo, e já foi renovada para a sexta!

Suuuper recomendo!

Faço download no Baixando Fácil.

26 maio 2013

11 fatos sobre mim - que talvez você não saiba


A queridíssima Patrícia, do Ah, Coimbra! me passou este meme e eu adorei! 

(Dêem uma olhada no blog da Paty! Vale muito a pena! Ela tá fazendo mestrado em Coimbra, Portugal e conta por lá suas experiências e impressões pela primeira vez fora de casa, em um país distante, além de passar dicas valiosíssimas para quem quer estudar na terrinha!

Bom, vamos aos fatos!

1- Tenho medo de morrer sozinha e demorarem pra encontrar meu corpo.
De verdade. Quando leio sobre aquelas pessoas que morreram e dias depois o corpo foi encontrado, tenho este medo. Acho que, na verdade, o medo é de morrer sem ninguém por perto, sofrendo. Meio irracional, pouco provável, talvez, mas tenho!

2- Sou mais debochada do que gostaria.
Algumas pessoas se ofendem com isso mas é algo que tento controlar :$

3- Já chorei assistindo Jim Carrey.
Foi aí que confirmei que, sim, eu choro com muita facilidade.

4- Sofri o que hoje chamam de bullying na infância e carrego trocentos traumas por conta disso.
Dia desses, em sala de aula, comentávamos sobre bullying e um dos alunos disse que agora tyudo é bullying, que antigamente ninguém dava esse nome e todo mundo era vítima de zoação. Minha pergunta foi: "e as pessoas não sofriam?". Eu sofri bastante e, com psicólogos, percebi que carrega vários complexos por conta disso até hoje. Hoje só tem nome. Doer, doía do mesmo jeito!

5- Adoro ir ao cinema sozinha!
Amo! Adoro acompanhada, mas, sozinha, me faz sentir tão dona de tudo! A invenção de Hugo Cabret, se não me engano, fui a única na sala de cinema e isso foi bom demais!!

6- Morro de medo de perder um dente.
Esse medo eu acho tragicômico. Nunca perdi um dente que não precisasse perder - tipos os de leite e os sisos - e sempre, sempre tive medo de perder um dente com uma pancada ou até mesmo quando estou fazendo manutenção do aparelho ortodôntico. Meu dentista acha graça e repete: "Sheila, seu dente é duro pra que eu consiga arrancá-lo assim." E eu sei! Mas quem disse que consigo racionalizar isso??

7- Sou canhota.
Pois é. Algumas poucas coisas eu faço facilmente com a mão direita mas, no geral, a segurança que minha mão esquerda oferece é única. Mais inteligentes os canhotos? Sei não... rsrs

8- Rio quando estou nervosa.
Incontrolável! Já fui de tremer também mas há tempos isso não acontece.
 
9- Adoro orelhas!
Adoro! Adoro pegar, ficar fazendo carinho... Acho orelha uma coisa muito gostosa!

10- Costumo me perder quando falo muito. 
Eu faço umas digressões e não sei voltar pro começo! Super-normal eu falar, falar, falar e, depois, perguntar: "o que eu tava falando?" ou "esqueci o que eu tava dizendo." Normal, os mais próximos convivem pacificamente com isso.



11- Era exímia imitadora do Geléia, d'Os Caça-fantasmas
Não sabe quem é? Clique aqui e escute a partir dos 3:35 min. Rever me fez rir sozinha aqui, pelo personagem e por me imaginar imitando! hahah


23 maio 2013

Agora sou English teacher



Se 10 anos atrás alguém me falasse que eu seria professora, eu riria. E, para não parecer sem educação, explicaria que não tinha didática pra isso, nem paciência nem a mínima vontade.

Mas o mundo dá voltas. Em 2006 voltei pra faculdade pra estudar Português e Espanhol e, depois de poucos meses de ceticismo, dar aulas já não me parecia algo tão absurdo, pelo contrário, via como algo que podia ser apaixonante, enriquecedor e interessante.

Agora, em 2013, enquanto esperava ser chamada para dar aulas de Espanhol pelo estado, acabei virando professora de Inglês! Já tinha dado aulas particulares de inglês e nem cheguei a pensar nisso como algo profissional, mas, pintando a oportunidade - em um momento em que eu buscava um segundo emprego pra melhorar a renda -, resolvi aceitar.

Fui contratada pelo Senac de Foz, primeiramente, para dar aulas para duas turmas, uma da Polícia Militar e uma da Guarda Municipal. Como os alunos se candidataram às vagas, ou seja,estão fazendo o curso porque querem, o interesse é enorme e não tenho sofrido com indisciplina ou má vontade. Tenho me sentido desafiada e gostado muito do trabalho!

Ter uma chefe super-querida tem me ajudado muito a equilibrar os vários horários e conseguir fazer tudo direitinho.

O lado menos bacana é que, desacostumada com o tamanho da correria, meu corpo tem sofrido mais do que a minha mente, mas nada assustador e hoje já está bem melhor do que no começo. De qualquer forma, virei mais dorminhoca e caseira do que já era!

Espero que tudo siga funcionando! E que venham mais aulas!

09 abril 2013

Quatro - Cuatro - Quatre - Four...

Por um vago acaso eu preciso confessar que pesco memes pela net pra responder? Não, né? :$




Quatro empregos que já tive:
- Recepcionista de hotel (em três hotéis aqui em Foz);
- Cleaner em um albergue da juventude na Bélgica;
- Professora particular de português (!);
- Secretária em uma escola e informática.


Quatro filmes que eu assisto sempre que passam:

Putz, têm trocentos que eu revejo sempre que possível! Mas, bora lá:
- Sociedade dos poetas mortos - perdi a conta de quantas vezes já vi, sério!
- Três mulheres, três amores - amo, amo, amo!!
- As patricinhas de Beverly Hills - acho muito fofinho!
- Dirty dancing - sem comentários; nem precisa de explicação!

Quatro lugares que eu já morei:
- São Paulo - SP;
- Itaparica - PE;
- Araçuaí - MG;
- Bruxelas - Bélgica.

Quatro programas de TV que eu gosto:
- Modern family;
- Encontro com Fátima Bernardes;
- The Big Bang theory;
- Globo Repórter.

Quatro pessoas que me mandam e-mail regularmente:
- Minha amiga Angelice;

- Lara, minha "chefa";
- Meu pai;
- Rose, minha amiga.


Quatro coisas que eu faço todo dia sem falta:

- Tomo banho e escovo os dentes;
Entro no Facebook;
- Fico escutando as maritacas papearem antes de me levantar da cama;
- Dou remédio pra Azeitona - minha cachorrinha idosa tem artrose.

Quatro comidas favoritas:
- Pizza;
- Costela assada;
- Pudim de leite condensado;

- Maionese que a minha irmã faz.


Quatro lugares que eu gostaria de estar agora:
- New York;
- Londres;
- Alta Floresta;
- Madri.

25 março 2013

Medindo sentimentos

A idéia pra este post veio ao ouvir, pela milionésima vez, minha mãe dizer que não tem filho preferido. "Não é mentira quando alguém diz isso", repetiu ela ela enésima vez, emendando que ela ama diferente os filhos, mas não em intensidades diferentes.

E, mesmo que a provoque com isso de vez em quando, eu acredito. Porque na vida, com tudo, é mais ou menos assim. Tem como a gente mensurar nossos sentimentos em maiores ou menores, por fulano ou beltrano?

Uma vez li uma matéria em uma revista feminina falando dos diferentes tipos de amiga; dizia ali que temos a amiga pra nos ouvir, a amiga pra ir festar, a amiga pra dar conselhos, a amiga pro abraço... Fui comparando os exemplos da revista com minhas amigas:a festeira, ótima companhia pra tudo, mas que, mesmo me ouvindo sempre que eu quisesse, era incapaz de me dar um conselho. A distante fisicamente mas com quem eu podia contar sempre. A próxima que me dava broncas mas era direta e excelente em me entender... 

Percebi que era assim mesmo e que eu não conseguiria dizer de qual amiga eu gosto mais. O que eu sei, hoje, é que amo muito todas, de formas diferentes, por motivos diferentes, mas que, dizer quem eu amo mais ou menos é impossível.

E aprendi que com outros amores também é assim: não amo um irmão mais do que o outro, um sobrinho mais do que o outro, não amo meu pai mais do que a minha mãe, não amei um namorado mais do que o outro. Eu amo a todos, por cada coisinha particular que os tornam especiais, não mais especiais do que o outro, mas, simplesmente, especiais e merecedores de um cantinho no meu coração.

Amor nós não mensuramos: apenas sentimos e tentamos demonstrar. 

E não deveríamos aceitar chantagenzinhas emocionais que nos forçam à escolhas! Nem dizer "eu te amo mais do que amo fulano" só pra agradar alguém porque, além de não podermos medir o amor, ele não pode ser imposto.

Já vivemos com tantas imposições no nosso dia-a-dia, seria justo - ou simplesmente correto - também amarmos por imposição?


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Imagem: Julio Gomes

24 março 2013

Séries: Reunion


Você se sentiria empolgado pra ver uma série previamente sabendo que ela foi cancelada e não teve um final?

Então, eu faço dessas. Ou melhor, fiz pela primeira vez, e com Reunion. E, no geral, valeu a pena.

A série foi transmitida originalmente nos EUA entre 2005 e 2006. Foram filmados 13 episódios mas só 9 passaram por lá, sendo que os outros 4 foram transmitidos nos países que, posteriormente, compraram a série.

A história começa em 1986, com a formatura do ensino médio de seis amigos inseparáveis. Ao mesmo tempo, é mostrado que, em 2005, um dos amigos foi assassinado - quem? Só saberemos no capítulo 5, de forma surpreendente - e os outros cinco amigos são suspeitos.

Cada episódio tem como título um ano - foram de 1986 a 1998 - e vamos vendo como anda a amizade dos seis, algumas vezes se tornando mais forte, em outras parecendo regredir.

Eu achei muito bacana não ser revelado de cara quem morreu. Vamos vendo, em cada episódio, um dos amigos vivos aparecer nos tempos atuais e sempre, claro, com panca de suspeito mas naquele clima que a gente sabe que é pra parecer sem ser o suspeito. Legal também ver como eles fazem algumas brincadeiras com coisas recém-lançadas nas épocas cobertas pela série - moda, internet, celular, wi fi... E muito, mas muito boa mesmo, a trilha sonora! Aliás, como não curtir se, já no primeiro episódio rola personagem assistindo o clipe de Take on me na MTV??

De negativo - além do óbvio: a série não ter tido um final - tem a caracterização dos personagens nos dias atuais - 2005. Em 7 anos eles envelhecem demais: aos 37, 38 anos, todos os rapazes são mostrados grisalhos e, junto com as moças, parecem ter mais de 40 facinho!

Falando de não ter tido um final, tem maior sacanagem do que uma série ser cancelada sem final? Sei que até hoje isso acontece, mas é uma falta de respeito com quem assiste que não tem como entender! Maaaas, em tempos de "tudo a gente encontra no Google", eu consegui descobrir que Dave Annable, que interpreta Aaron na série, contou em uma entrevista como tudo terminava e quem era o assassino. Algumas coisas ainda ficaram pendentes, mas pelo menos o principal não ficou sem resposta.

Gostei bastante da série mas fiquei feliz de não tê-la visto na época. Eu teria odiado assistir algo e, de repente, ela ser cancelada!


19 março 2013

Relicário - para o Taciano



Sexta-feira passada foi aniversário de 34 anos do Taciano, meu primeiro irmão menino, o primeiro irmão que eu lembro de ver chegando em casa - lembro até dos chinelinhos que minha mãe comprou pra ir pra maternidade!

Há anos ele mora fora de Foz mas nossa relação sempre foi próxima, mesmo que fisicamente distante. Admiro um monte de coisas nele e até hoje ele me ensina muito. Além disso, adoro os momentos de cantoria quando estamos juntos, aqui ou na casa dele, já que ele e a esposa são músicos talentosos - e se não forem de verdade, pra mim, que não toco nem tambor, são, ok?

Segue em comemoração atrasada do aniversário dele, uma das minhas músicas preferidas de cantar com eles. Uma das minhas músicas preferidas de tudo - e que, até acho, andou em outros momentos por aqui antes...

"Por que está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Por que está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for."

22 fevereiro 2013

25 em 2013 - Livro 3: Cartas portuguesas



E, seguindo com o auto-desafio de leitura, vou falar hoje do terceiro livro lido - na verdade, relido!

Em meados do século XVII, uma freira portuguesa se apaixonou por um oficial francês de passagem por sua cidade - Beja - e tiveram um romance. 

Anos mais tarde, as supostas cartas de Mariana Alcoforado, a freira, endereçadas a  Noël de Chamilly, o oficial, foram publicadas por um editor francês e, desde então, não faltam especulações sobre a veracidade da origem das cartas e de quem realmente as escreveu. Romântica que sou, fico com a versão de que são reais! Ridiculamente reais, como Fernando Pessoa, através do seu heterônimo Álvaro de Campos, dizia que todas as cartas de amor, quando há amor, são.

Da mesma forma posta pelo poeta português, não falo aqui, desta forma, como uma crítica à freira sua conterrânea, mas como constatação pelo amor quase irracional posto nas ridículas cartas de Alcoforado.

Esta foi a terceira vez que li o livro, esta, uma edição bilíngue, mandada pelo Luís, querido amigo português, há alguns anos.

Na primeira vez que o li, vivendo um amor que parecia perfeito, achei as cartas lindas mesmo que terrivelmente doloridas. Tive pena de Mariana por ter vivido um amor com final infeliz.

Na segunda vez que o li, ao final do romance que parecia perfeito, eu conhecia o sofrimento descrito nas cartas porque era muito próximo ao que eu sentia naquele momento! Chorei sobre as palavras da freira portuguesa, identificando ali a minha dor descrita séculos antes.

Nesta terceira vez, "curada", foi a hora de ter mais pena dela ainda por ainda sofrer sem saber que aquilo não precisava ser permanente.

O amor que, acima, descrevi como quase irracional é escancarado, sofrido, desesperado, carente de amor próprio por parte da portuguesa! Ela coloca todo o seu sofrimento nas palavras escritas para o amante que, friamente, a responde - quando responde!

Não tem como não sentir pena dela. Do seu sofrimento. Da sua fraqueza diante do sentimento novo conhecido e, tido por ela, como impossível de se esquecer, de se livrar.

A vontade que dá, em vários momentos, é de poder dar um abraço em Mariana e lhe dizer que isso vai passar, que a gente não morre por um amor não correspondido. 

Quero crer que, no final, Mariana ficou bem. Quero crer que as feridas dela cicatrizaram, deixando marcas, mas não doendo como quando no começo do abandono.

É um livro do qual gosto muito. Provavelmente ainda relerei outras vezes e, em cada nova vez, com um olhar diferente mas, sempre, sentindo na pele o amor e a dor descritos por Mariana Alcoforado.

Título original: Lettres portugaises
Autora: Mariana Alcoforado
Editora: Assírio & Alvim
Edição: 1ª (desta editora)
Ano: 1998

A arrogância segundo os medíocres


Minha irmã me mandou este texto maravilhoso via Facebook - originalmente está aqui  e foi escrito por Carmen Guerreiro - e eu gostei tanto que quis dividir aqui.

Acho que não sou a única que vai se identificar com ele:



“Adorei o seu sapato”, disse uma amiga para mim certa vez.

“Legal, né? Eu comprei em uma feira de artesanato na Colômbia, achei super legal também”, eu respondi, de fato empolgada porque eu também adorava o sapato. Foi o suficiente para causar reticências  quase visíveis nela e no namorado e, se não fosse chato demais, eles teriam dado uma risadinha e rolariam os olhos um para o outro, como quem diz “que metida”. Mas para meia-entendedora que sou, o “ah…” que ela respondeu bastou.

Incrível é que posso afirmar com toda convicção que, se tivesse comprado aquele sapato em um camelô da 25 de março, eu responderia com a mesma empolgação “Legal, né? Achei lá na 25!”. Só que aí sim eu teria uma reação positiva, porque comprar na 25 “pode”.

Experiências como essa fazem com que eu mantenha minhas viagens em 13 países, minha fluência em francês e meus conhecimentos sobre temas do meu interesse (linguística, mitologia, gastronomia etc) praticamente para mim mesma e, em doses homeopáticas, comente entre meu restrito círculo familiar e de amigos (aquele que a gente conta nos dedos das mãos).

Essa censura intelectual me deixa irritada. Isso porque a mediocridade faz com que muitos torçam o nariz para tudo aquilo que não conhecem, mas que socialmente é considerado algo de um nível de cultura e poder aquisitivo superior. E assim você vira um arrogante. Te repudiam pelo simples fato de você mencionar algo que tem uma tarja invisível de “coisa de gente fresca”.

Não importa que ele pague R$ 30 mil em um carro zero, enquanto você dirige um carro de mais 15 anos e viaja durante um mês a cada dois anos para o exterior gastando R$ 5 mil (dinheiro que você, que não quer um carro zero, juntou com o seu trabalho enquanto ele pagava parcelas de mil reais ao mês). 

Não importa que você conheça uma palavra em outra língua que expressa muito melhor o que você quer falar. Você não pode mencioná-la de jeito nenhum! Mas ele escreve errado o português, troca “c” por “ç”, “s” por “z” e tudo bem.

Não pode falar que não gosta de novela ou de Big Brother, senão você é chato. Não pode fazer referência a livro nenhum, ou falar que foi em um concerto de música clássica, ou você é esnobe. Não ouso sequer mencionar meus amigos estrangeiros, correndo o risco de apedrejamento.

Pagar R$200 em uma aula de francês não pode. Mas pagar mais em uma academia, sem problemas. Se eu como aspargos e queijo brie, sou “chique”. Mas se gasto os mesmos R$ 20 (que compra os dois ingredientes citados) em um lanche do Mc Donald’s, aí tudo bem. Se desembolso R$100 em uma roupa ou acessório que gosto muito, sou uma riquinha consumista. Mas gastar R$100 no salão de cabeleireiro do bairro pra ter alguém refazendo sua chapinha é considerado normal. Gastar de R$30 a R$50 em vinho (seco, ainda por cima) é um absurdo. Mas R$80 em um abadá, ou em cerveja ruim na balada, ou em uma festa open bar… Tranquilo!

Meu ponto é que as pessoas que mais exercem essa censura intelectual têm acesso às mesmas coisas que eu, mas escolhem outro estilo de vida. Que pode ser até mais caro do que o meu, mas que não tem a pecha de coisa de gente arrogante.

O dicionário Aulete define a palavra “arrogância” da seguinte forma:

1. Ação ou resultado de atribui a si mesmo prerrogativa(s), direito(s), qualidade(s) etc.

2. Qualidade de arrogante, de quem se pretende superior ou melhor e o manifesta em atitudes de desprezo aos outros, de empáfia, de insolência etc.

3. Atitude, comportamento prepotente de quem se considera superior em relação aos outros; INSOLÊNCIA: “…e atirou-lhe com arrogância o troco sobre o balcão.” (José de Alencar, A viuvinha))

4. Ação desrespeitosa, que revela empáfia, insolência, desrespeito: Suas arrogâncias ultrapassam todo limite.

Pois bem. Ser arrogante é, então, atribuir-se qualidades que fazem com que você se ache superior aos outros. Mas a grande questão é que em nenhum momento coloco que meus interesses por línguas estrangeiras, viagens, design, gastronomia e cultura alternativa são mais relevantes do que outros. 

Ou pior: que me fazem alguém melhor que os outros. São os outros que se colocam abaixo de mim por não ter os mesmos interesses, taxar esses interesses de “coisa de grã-fino” (sim, ainda usam esse termo) e achar que vivem em um universo dos “pobres legais”, ainda que tenham o mesmo salário que eu. E o pior é que vivem, mesmo: no universo da pobreza de espírito.

12 fevereiro 2013

Burlesque

Em tempos de Carnaval...

Um blog que sigo, o Weesha's World, publicou estas ilustrações de Steffi Schuetze e eu me apaixonei por elas!







Não são lindas??

24 janeiro 2013

Vi: As vantagens de ser invisível



Aos 14 anos, em 1990, eu entrei no 1º ano do Científico - atual Ensino Médio - em uma escola no interior da Bahia. Aos 17, terminava o 3º ano aqui em Foz, tendo passado, nestes período, por 3 Estados e 5 escolas. Ou seja, eu passei o Científico sendo, em boa parte destes três anos, a aluna recém chegada, que não conhecia ninguém além da minha irmã.

Isso posto eu quero dizer que As vantagens de ser invisívelThe perks of being a wallflower, EUA, 2012 - me emocionou de diversas maneiras, inclusive por me identificar, neste ponto, com Charlie, o protagonista do filme.

Felizmente no Brasil, pelo menos nas escolas que estudei, ser calouro "só" te faz ser olhado com curiosidade ou ser ignorado; o que é fichinha perto de ser atormentado por veteranos, como sempre mostram os filmes estadunidenses. E Charlie - Logan Lerman - vivencia isso.

A história se passa entre 1991 e 1992, Charlie está começando o Ensino Médio depois de passar, no ano anterior, pelo suicídio do melhor amigo e por uma depressão profunda que resultou em sua internação em um hospital psiquiátrico. Os antigos colegas do Fundamental fingem não o conhecer, a irmã avisa que não anda com calouros e a solidão de Charlie é quebrada, em parte, ao conhecer o professor de Inglês Avançado - Paul Rudd, seu lindo! - e, definitivamente, ao conhecer os "meio-irmãos" Sam - Emma Watson - e Patrick - Ezra Miller -, que também não são populares na escola e já passaram por uns mal bocados: Sam por ter ganhado "má fama" ao entrar na escola e ter ficado com um monte de carinhas, Patrick por ser debochado e gay. Junto a outros amigos pouco convencionais, eles acolhem Charlie que, até então, se achava invisível.

É tão duro ser adolescente! Quando olho pra trás, é a única época da minha vida que, se eu pudesse, eu não gostaria de reviver! É tempo de inseguranças mil, de cobranças, de incertezas... 

No entanto, o filme traz um monte de pontinhos de beleza e esperança para essa época. Talvez sejam apenas formas de se tentar escapar da mesmice, dos problemas... mas não é isso que nós adultos muitas vezes fazemos também?

E, por mostrar a adolescência de desta forma, o filme é, ao mesmo tempo fofíssimo e doloroso. 

O elenco é ótimo e é tão bom ver uma molecadinha afiada, convincente em seus papéis, capazes de alternar momentos de alegria esfuziante com tristezas gigantes! Lerman confere uma delicadeza acima do normal para o seu Charlie e me emocionou também ao me fazer lembrar do curtíssimo período que uma pessoa muito próxima a mim, ao 16 anos, passou internada com depressão profunda.  Emma Watson e Ezra Miller - que eu não conhecia - estão maravilhosos também!

A trilha sonora igualmente é um show! Muita música dos anos 80 e algumas do começo dos anos 90 - tá, isso era muito bom na minha adolescência - tendo Heroes, de David Bowie como destaque.

O filme não tem a melhor fotografia, já vi no IMDb que tem uns errinhos de tempo/datas, mas acho que é muito mais um filme para se sentir do que pra se anotar detalhes técnicos.

Especialíssimo!

P.S.1 E esse título não é a coisa mais linda de poético?? 

P.S. 2 Curiosidade: Heroes também foi gravada pela banda Wallflowers. Wallflower, em inglês - e do título original - é alguém tímido ou impopular que não se socializa. Um "wallflower" normalmente tem um talento que ele não mostra na frente de pessoas estranhas. Provavelmente como os componentes da banda se viam. Aqui Heroes na versão do Wallflowers, a primeira que eu conheci, antes mesmo de ouvir a original do Bowie.

23 janeiro 2013

25 em 2013 - Livro 2: As aventuras de Pi




Pra começar, como já disse quando comentei o filme baseado no livro aqui, não gosto deste título As aventuras de Pi. Na verdade, quando lançado em  2001, o livro no Brasil tinha recebido o mesmo título do original: A vida de Pi, que eu acho muito melhor do que esse título com cara de aventura infantil. De qualquer forma, nem isso conseguiu tirar o meu encantamento com o livro de Yann Martel - mesmo que eu tenha riscado todos os As aventuras de Pi do livro e substituído por A vida de Pi.

A primeira vez que ouvi falar dele, foi quando começou a discussão sobre o livro de Yann Martel ser ou não um plágio do livro Max e os felinos, de Moacyr Scliar. Sobre o assunto, o próprio escritor gaúcho falou de forma muito elegante - veja aqui. Essa história toda me criou certa resistência inicial diante do livro mas, depois do filme, quis muito ver como era  história de Pi no papel. E me apaixonei pelo livro tão intensamente como me apaixonei pelo filme!

Bom, Pi - Piscine Molitor - Patel é um rapazinho indiano que cresce em um zoológico e que, desde muito pequeno, se interessa por religiões tão diversas quanto o hinduísmo, o cristianismo - catolicismo, basicamente - e o islamismo. Quando está com 16 anos, depois de um acidente com o cargueiro no qual viaja com a família e vários animais do zoológico de mudança para o Canadá, Pi se vê sozinho em um bote salva-vidas com uma hiena, uma zebra e um orangotango - que logo morrem - e um tigre, Richard Parker, que será seu único companheiro ao longo dos quase 300 dias perdido no Oceano Pacífico.

Ler livros e ver filmes, nesta ordem, sempre costuma me trazer um gostinho de decepção. Hoje em dia até controlo melhor, principalmente depois de aprender que uma adaptação não precisa exatamente ser a transposição pras telas do livro, e que, para funcionar, algumas coisas serão modificadas, omitidas ou acrescidas.

No entanto, com Pi, em momento algum eu senti falta no filme de Ang Lee do que foi escrito por Martel e omitido, ou achei que o que ali estava - e que não está no livro - ficou "sobrando".

Referente à história, pouca coisa é diferente em um e em outro. A maior diferença, pra mim foi a crueza como Yann Martel descreve várias coisas que, no filme, até para uma "digestão" mais fácil pelo público, foram aliviadas. Como, por exemplo, a morte de um dos animais já no bote salva-vidas ou o que Pi teve que fazer para sobreviver.

O meu único porém seria para um tempo que Pi fica em uma ilha flutuante que encontra no meio do Pacífico: no filme ele fica apenas um dia e, uma das poucas críticas que ouvi de quem viu o filme foi que as cenas na ilha pareceram deslocadas e rápidas demais. No livro, Pi fica vários dias por lá e, por isso, nada parece fora de propósito ou rápido demais, além de que, o que ali acontece, é melhor explicado.

E Yann Martel escreve de um jeito delicioso! Como o livro é todo narrado na primeira pessoa - em parte pelo escritor que conhece Pi e, na maior parte, pelo próprio Pi - não tem como não nos sentirmos próximos dele, chorar com suas desventuras, se emocionar com seus sucessos, querer bem a Richard Parker como ele passa a querer!

A crueza que citei alguns parágrafos atrás me fez pular alguns parágrafos - porque eu sou aquele tipo de gente que fecha os olhos e tapa os ouvidos quando vê, na vida real ou no cinema, alguma cena mais violenta.

Muito comentada também é o papel forte da religião em toda a história, já que é o que guia e sustenta Pi em seus dias de náufrago. Martel defende a fé na história? Não sei. Mas Pi a defende. Para mim, que tenho uma religião, muito da beleza da história está na relação de Pi com Deus e com as religiões que professa. 

É complicado para um cético ou ateu ler o livro?

Não deveria ser, porque há muito mais aqui do que a questão religiosa.

Enfim, vale a pena ler o livro?

Muito! Depois da decepção com A casa das orquídeas, foi ótimo ler algo tão inspirador, bem escrito e apaixonante!!

Título original: Life of Pi
Autor: Yann Martel
Editora: Nova Fronteira
Edição: 1ª (com este título)
Ano: 2012

22 janeiro 2013

25 em 2013 - Livro 1: A casa das orquídeas




A minha história com este livro começou curiosa: uma colega de trabalho comentou dele comigo e, alguns dias depois, em uma escala de horas em São Paulo, resolvi fuçar na Livraria La Selva e gostei da capa do livro, gostei da sinopse - que me lembrou Rosamunde Pilcher, de quem já li trocentos livros - mas me interessei por um outro da mesma autora e resolvi comprá-lo depois de ver que custava R$ 29,90 e não os R$ 50 que eu imaginei. Na hora de passar no caixa, a moça me perguntou se eu sabia da promoção: se eu comprasse um outro livro com o mesmo preço, eu ganhava um desconto final na compra e, ao invés de R$ 59,80, pagaria R$ 39,90 pelo dois livros. Óbvio que me convenceu e aí peguei A casa das orquídeas, que comecei a ler ali mesmo.

A história se passa em dois tempos diferentes. O começo é com Julia Forrester, famosa pianista, sofrendo no interior da Inglaterra após a morte do seu marido e do seu filho pequeno. Ela abandonou tudo, se afastou da família e só quer saber de sofrer. Por uma dessas coisas do destino - necessárias, aqui no caso, para que haja uma história a ser contada - ela volta a Wharton Park, propriedade onde seus avós trabalharam e conhece o herdeiro de tudo aquilo que, sem dinheiro para manter Wharton Park, está colocando-a à venda.

Julia acaba se envolvendo com isso e com os antigos donos da mansão, e assim a história retrocede até o final dos anos 30 quando conhecemos Henry e Olivia, recém-casados e prestes a terem suas vidas mudadas com a ida de Henry para a guerra e o seu envolvimento com outra mulher na Tailândia, ao final da II Guerra Mundial.

Não gostei do livro. E me dói escrever isso porque eu queria muito ter gostado! Só que achei muitas coisas fraquinhas, "mal costuradas", capengas. Por exemplo: o que pode ser visto como "reviravoltas" na, maioria do tempo, parece que a autora mudou de idéia ao passo que escrevia. O que mais me incomoda é como Olivia, de personagem adorável, passa a quase megera no final e Henry, que parece um príncipe, no final se mostra extremamente fraco e volúvel.

Além do mais, acho irritante aquele negócio de colocar personagens "estrangeiros", falando coisas em seu idioma natal. No caso, a mãe de Henry, é francesa e sempre solta uma frase ou expressão em sua língua-mãe, mesmo sendo fluente em inglês. As pessoas não fazem isso! Elas usam uma palavra da sua língua quando não sabem usar o equivalente no outro idioma, não apenas porque é bonito chamar as pessoas de "mon cher" ou dizer "bonsoir", "bonjour" ou qualquer outra coisa no meio de frases em inglês - ou português!

Outras coisas me irritaram muito mas tenho medo de entregar mais ainda da história contando-as - ah, sim, tem muito mais na história.

Ao terminar de lê-la eu percebi que não engulo mais romancinhos bobos. Não é metidez, juro! Acho que, o normal, é nos tornarmos mais exigentes com tudo mesmo e se sou mais exigente com o que leio agora não vejo como algo negativo, de forma alguma!

Mas tem gente que leu o livro e o adorou e eu acho que muita gente vai gostar, seja porque adora esse tipo de história, ou porque não quer saber de muita coisa real, ou porque personagens que me pareceram irritantes são, para elas, apaixonantes, ou, por fim, porque são menos enjoadas do que eu.

No entanto, eu não o releria! Ou indicaria pras amigas mais exigentes. E, de novo, sinto que tenha sido assim porque o livro, pela sinopse em si, traz vários elementos que eu amo em romances.

Título original: Hothouse flower
Autora: Lucinda Riley
Editora: Novo Conceito
Impressão:
Ano: 2012