24 janeiro 2013

Vi: As vantagens de ser invisível



Aos 14 anos, em 1990, eu entrei no 1º ano do Científico - atual Ensino Médio - em uma escola no interior da Bahia. Aos 17, terminava o 3º ano aqui em Foz, tendo passado, nestes período, por 3 Estados e 5 escolas. Ou seja, eu passei o Científico sendo, em boa parte destes três anos, a aluna recém chegada, que não conhecia ninguém além da minha irmã.

Isso posto eu quero dizer que As vantagens de ser invisívelThe perks of being a wallflower, EUA, 2012 - me emocionou de diversas maneiras, inclusive por me identificar, neste ponto, com Charlie, o protagonista do filme.

Felizmente no Brasil, pelo menos nas escolas que estudei, ser calouro "só" te faz ser olhado com curiosidade ou ser ignorado; o que é fichinha perto de ser atormentado por veteranos, como sempre mostram os filmes estadunidenses. E Charlie - Logan Lerman - vivencia isso.

A história se passa entre 1991 e 1992, Charlie está começando o Ensino Médio depois de passar, no ano anterior, pelo suicídio do melhor amigo e por uma depressão profunda que resultou em sua internação em um hospital psiquiátrico. Os antigos colegas do Fundamental fingem não o conhecer, a irmã avisa que não anda com calouros e a solidão de Charlie é quebrada, em parte, ao conhecer o professor de Inglês Avançado - Paul Rudd, seu lindo! - e, definitivamente, ao conhecer os "meio-irmãos" Sam - Emma Watson - e Patrick - Ezra Miller -, que também não são populares na escola e já passaram por uns mal bocados: Sam por ter ganhado "má fama" ao entrar na escola e ter ficado com um monte de carinhas, Patrick por ser debochado e gay. Junto a outros amigos pouco convencionais, eles acolhem Charlie que, até então, se achava invisível.

É tão duro ser adolescente! Quando olho pra trás, é a única época da minha vida que, se eu pudesse, eu não gostaria de reviver! É tempo de inseguranças mil, de cobranças, de incertezas... 

No entanto, o filme traz um monte de pontinhos de beleza e esperança para essa época. Talvez sejam apenas formas de se tentar escapar da mesmice, dos problemas... mas não é isso que nós adultos muitas vezes fazemos também?

E, por mostrar a adolescência de desta forma, o filme é, ao mesmo tempo fofíssimo e doloroso. 

O elenco é ótimo e é tão bom ver uma molecadinha afiada, convincente em seus papéis, capazes de alternar momentos de alegria esfuziante com tristezas gigantes! Lerman confere uma delicadeza acima do normal para o seu Charlie e me emocionou também ao me fazer lembrar do curtíssimo período que uma pessoa muito próxima a mim, ao 16 anos, passou internada com depressão profunda.  Emma Watson e Ezra Miller - que eu não conhecia - estão maravilhosos também!

A trilha sonora igualmente é um show! Muita música dos anos 80 e algumas do começo dos anos 90 - tá, isso era muito bom na minha adolescência - tendo Heroes, de David Bowie como destaque.

O filme não tem a melhor fotografia, já vi no IMDb que tem uns errinhos de tempo/datas, mas acho que é muito mais um filme para se sentir do que pra se anotar detalhes técnicos.

Especialíssimo!

P.S.1 E esse título não é a coisa mais linda de poético?? 

P.S. 2 Curiosidade: Heroes também foi gravada pela banda Wallflowers. Wallflower, em inglês - e do título original - é alguém tímido ou impopular que não se socializa. Um "wallflower" normalmente tem um talento que ele não mostra na frente de pessoas estranhas. Provavelmente como os componentes da banda se viam. Aqui Heroes na versão do Wallflowers, a primeira que eu conheci, antes mesmo de ouvir a original do Bowie.

5 comentários:

  1. Adorei o blog, muito lindo, amei tudo. Parabéns mesmo, vou sempre estar aqui (:

    ontendency.blogspot.com

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    1. Poxa Bruna, obrigada :)

      Será sempre benvinda.

      Beijão.

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  2. Se eu te contar que li esse teu post antes de embarcar... e, por coincidência - ou não! - esse filme estava disponível na televisãozinha do avião. Como eu não conseguia dormir, resolvi assistir, lembrando dos seus elogios. Chorei horrores, me emocionei demais. O cara do meu lado ficou até assustado que eu não parava de soluçar. O filme é lindo demais. E a adolescência é igualmente uma fase que eu não gostaria de reviver...

    Valeu muito a pena tua indicação, hahaha, ainda que implícita. Beijos!

    P.S.: fiquei curiosa pra ver suas fotos na Serra da Estrela... hoje fui lá, pela primeira vez, e mal deu pra ver neve, choveu o tempo todo. Se quiser me mandar no e-mail vou adorar ver! :)

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    1. Oi Paty,

      Que bom que gostou do filme e foi, de alguma forma, sob influência minha que o viu! hahaha Eu amei demais!!

      Menina, fotos por email?! Fia, as fotos são de 1996, tudo de papel, lembra como era? hahaha

      Beijão.

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  3. Sheila!!! Nunca te disse isso - até porquê faz pouco tempo que fiz uma imersão pessoal ao passado e me vi com outros olhos. Tive que voltar lá porquê muito do que aprendi lendo sobre autismo e Síndrome de Asperger acendeu várias luzinhas vermelhas sobre eu mesma, sobre meu comportamento na infância e adolescência. Se eu te dissesse hoje que provavelmente tenho síndrome de asperger você acreditaria? Mas e aquela menina que você conheceu no segundo grau - lembra dela? Aí você pensaria diferente? Saiba então que você foi personagem chave para me tirar da minha concha - você me viu. Falou comigo. Foi minha melhor - e única - amiga. Nem eu tinha consciência disso até alguns meses atrás... E desde então estou ensaiando na cabeça como te contar isso. E ler esse seu post fez as palavras jorrarem. Então Sheila, fica aqui publicamente meu muito obrigada atrasado - você me ajudou muito a ser hoje quem eu sou. E ainda vou te contar muito do que descobri sobre mim, mas isso vai ser pessoalmente ;)
    Te amo!

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