24 dezembro 2012

Feliz Natal!



Organiza o Natal
Carlos Drummond de Andrade

Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.

A música permanecerá a mesma, tal qual Palestina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.

***

Um Natal muito especial para todos nós! Obrigada por passarem por aqui, mesmo quando eu mesma estou longe :)

14 dezembro 2012

Vi: Pecados íntimos



Toc, toc, alguém aí? 

Ou melhor, alguém aqui? rsrs

Eu sei, eu sei, sou muito nó-cega! Desta vez nem vou falar nada! Mas vou comentar um filme que vi há algum tempo e do qual gostei muito.

Isabela Boscov é a crítica de cinema da VEJA. Tem gente que a adora, tem gente que detesta. Eu, normalmente, gosto das críticas dela e me lembrei que, quando o filme saiu nos cinemas - em 2006 - eu tinha lido uma crítica bacana dela. Resolvi procurar no site da revista e a encontrei e, curiosamente, a Boscov citava Betty Friedan, psicóloga estadunidense que eu citei na minha monografia da pós. 

Em seu livro "Mística feminina", de 1963, Friedan fala da insatisfação que começou a tomar conta das mulheres, principalmente nos EUA onde ela faz a sua pesquisa, quando estas mulheres parecem ter tudo no pós-guerra. Friedan chega a chamar isso de "o problema sem nome". 

Em "Pecados íntimos", Sarah - Kate Winslet - conhece Brad - Patrick Wilson - em um parquinho onde ela leva sua filha de 3 anos todos os dias. No meio das outras mães, Sarah é uma negação, esquecendo de coisas simples, como o lanche da filha. Sarah e as outras mães aparentemente têm tudo que faz uma mulher feliz: filhos fofos, casas confortáveis, maridos bem empregados... Mas existe aquele comichão de "há algo a mais" que, principalmente Sarah sente quando Brad leva seu filhinho ao parque. Supostamente estudando para sua terceira prova da "OAB" - na verdade ele passa o tempo que deveria estar na biblioteca, vendo uma molecadinha andando de skate -, Brad é dono de casa, casado com a linda Jennifer Connelly, dependente da mulher até pra assinar as revistas que gosta! 

Brad e Sarah logo começam um caso, mais ou menos no mesmo tempo que ele reencontra um conhecido, agora ex-policial, que passa o tempo todo perseguindo um pedófilo recém saído da prisão. As histórias vão todas se entrelaçando - adoro filmes assim! - e não tem como a gente não se envolver com cada uma, com simpatia ou não, até porque cada personagem apresenta mais do que uma faceta. Sarah alterna momentos de completa lucidez com outros de quase demência que vão além do fato de estar apaixonada. Brad... dá vontade de abraçar, de ajudar a estudar mas também de dar uns tapas, pra crescer logo! Ronnie, o pedófilo, é asqueroso, mas emociona com o amor que sente pela mãe. Larry, o ex-policial, é outro atormentado. 

Falando de outro livro, Em "Divã", da Martha Medeiros, há um momento em que Mercedes conta ao seu analista que, quando visitava um doente com sua melhor amiga, o doente morreu e ela disse à amiga: "Precisamos chamar algum adulto!", imediatamente se dando conta de que as duas já passavam dos 40 anos, ou seja, não eram mais crianças! Assim são os personagens de "Pecados íntimos": as "criancinhas" do título original, são muito mais esses adultos vulneráveis, cada um de uma forma, cada um com sua fraqueza e inaptidão pra lidar com o mundo do jeitinho que ele é, do que as crianças ameaçadas por Ronnie, o pedófilo. 

Muito bom o filme!

26 outubro 2012

E se eu te perguntasse...



Um meme simpático pescado no Funny Makeup, da fofa da Anninha. É mais voltado pras gurias que têm blog de beleza, mas achei engraçadinho e quis responder.

1-     Você tem alguma mania? Qual?
Algumas. Por exemplo, eu acrescento "éia" no nome de algumas amigas; Lucemeire virou Lucenéia, Rosângela, Rosinéia, Mara, Maricréia...
Tenho mania de virar os olhos quando ouço algo absurdo, ridículo, bobo demais - e preciso ter cuidado com isso.
Chamo os conhecidos de "mô bem", "florzinha", "xuxu"...

2-     Você cumprimenta estranhos na rua?
Sim. Uma vez uma amiga da minha mãe disse que formiguinha que não pensava, sempre "cumprimentava" outra formiguinha quando cruzava com elas, que a gente deveria também ter essa gentileza - claro, é uma analogia. Dou "bom dia", pra quem encontro em ponto de ônibus, em elevador, pra motorista de ônibus, pro cobrador, pros vizinhos de quem nem sei o nome.

3- Quem faz os serviços domésticos na sua casa?
Normalmente eu. Mas tenho uma diarista que vai uma vez por semana e faz o serviço mais pesado – até porque a casa é grande :S

4- Você acha que às vezes acaba comprando produtos sem necessidade?
Hoje eu consigo me controlar muito mais.

5- Você fuma?
Não, e não gosto de cigarro e similares.

6- Quantas pessoas moram na mesma casa que você?
Varia. É sério.

7- Você tem medo de envelhecer?
Não. Meu medo com isso é de morrer sozinha e demorarem pra encontrar meu corpo. Sério, penso muito nisso! hahaha

8- Você usa maquiagem vencida?
Se estiver em bom estado uso sem problemas.

9- Qual a sua prioridade na vida?
Comprar um carro, provavelmente.

10- Você joga lixo na rua?
Não, e acho muito feio, uó, gente fazer isso!

11- Você está lendo algum livro? Qual?
Comprei e to apaixonada por um livro que comprei e traz três livros da Jane Austen juntos: Razão e sensibilidade, Orgulho e preconceito – que to lendo agora – e Persuasão.

12- Com que freqüência você faz as unhas?
Em salão depende muito. Por exemplo, este mês fui duas vezes e cuido em casa. Mas já fiquei semanas sem ir e já fui toda semana.

13- Você usa hidratante para o rosto? Qual?
O da Clinique pra peles oleosas. Trazido do exterior pela minha tia que viaja muito – porque no Brasil me RECUSO a pagar o que cobram!

14- Quais os itens de maquiagem que você usa no dia a dia?
Hidratante/protetor solar, base, pó, máscara, lápis pros olhos, bush e batom.

15- Qual câmera você usa para gravar seus vídeos?
No celular! Hahaha – a pergunta é pro povo que publica vídeo de beleza, na verdade... passo!

16- Qual seu cheiro agora?
A colônia de jabuticaba da coleção Águas, da Natura.

17- Você acha que os produtos caros são sempre os melhores?
Depende do produto. E, aos 37 anos, aprendi a não ter dó de gastar mais se for o melhor pra minha idade.

18- Ao sair de um supermercado você percebe que o caixa lhe deu R$ 50 a mais no troco. Você volta e devolve o dinheiro?
Já voltei no banco pra devolver R$ 100. E olha que, quando cheguei na caixa e disse “você me deu o dinheiro errado”, ela já respondeu, agressiva: “não dei, não!”, e eu: “bom, foram R$ 100 a mais...”

19- No ônibus ou em fila de banco, você dá lugar para os idosos?
E pras gestantes...

20- Você é uma pessoa sociável?
Eu sou muito tímida – não parece, eu sei – e acho que isso me torne um tanto quando anti-social...

21- Seu celular está sempre com créditos?
Normalmente sim.

22- Caso fosse fazer uma cirurgia plástica, o que você mudaria?
Barriga, provavelmente. Uma abdominoplastia...

23- Sua melhor amiga está sendo traída pelo marido ou namorado. Você contaria caso você soubesse?
Contaria, porque gostaria que me contasse, caso soubesse se acontecesse comigo.

24- Você comete algum dos pecados capitais? Qual?
Não acredito em pecado mas, dos listados como pecados capitais, sim. Gula, ira – em alguns momentos -, preguiça em outros...

25- Você é feliz?
Na medida do possível, sou sim. Imensa parte da minha felicidade é saber que os que amo estão bem. Se estão, já é meio caminho andado pr’eu estar bem. Ah, e não estar usando o limite do banco também me deixa feliz! hahaha

26- Você é uma pessoa vingativa?
Não. Graças a Deus, não.

27- Já se sentiu evitado por uma ou mais pessoas em algum momento da vida?
Que feio isso, né? Já sim.

28- Você acredita que as pessoas mudam?
Claro. Mudar é sinal de inteligência.

29- Você gosta de ser visitada com freqüência?
Não sou uma boa anfitriã. Se são meus amigos íntimos, acho muito mais tranqüilo! Mas pessoas que só conheço mais ou menos e que vão ficar por mais tempo – tipo dois dias – eu não sei atender. E vejo isso como um defeito!

30- Tem gente que diz que o YouTube é coisa de gente que não tem o que fazer. O que você acha disso?
Adoro o Youtube! E não sou desocupada :P

18 outubro 2012

Seja um doador de medula



Acabei de ver esse vídeo muito lindinho que me emocionou. 

Nele vemos pacientes e profissionais que atuam no setor de Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Nossa Senhora das Graças, de Curitiba. Foi inspirado neste vídeo aqui, muito fofo também, do Seattle Children's Hospital.

Espero que ele os faça pensar no assunto e, quem sabe, tornar-se um doador de médula - e de sangue e de órgãos! - caso você ainda não seja ;)

22 setembro 2012

Ô, lá em casa (12)


Pensem em uma foto difícil de escolher! O bonitão de hoje é camaleão demais e eu estava decidida a encontrar um foto dele com a cor "original" do cabelo - porque tem hora que ele aparece de cabelo escuro, em outros loiro... - e que, também, mostrasse os olhos dele!

Benedict Cumberbatch é o nome do moço. Moreno, é o protagonista de Sherlock, série britânica muito, mas muito boa mesmo e que comento logo mais. No Reino Unido o moço ficou famoso e virou galã com o papel e o que eu mais gosto nele é que ele não é um homem lindo, perfeito. Aliás, os homens mais lindos, na minha opinião, são aqueles que não são perfeitos. Ben, pros íntimos, tem umas coisinhas fora do padrão de beleza mas, quando a gente olha pra esses olhos - acho lindíssimo o olhar dele, daí pegando tudo: olhos, sobrancelhas... - ou vê ele abrindo um sorriso, ou escuta a voz de barítono, não tem como não se derreter (pausa pra um suspiro).

Além de tudo é bom ator e domingo concorre, com fortes chances de ganhar, ao Emmy de melhor ator em minissérie por Sherlock!

E, se não fosse o suficiente, é moço culto, chegado em uma boa leitura e louco pra ser pai!

Meu bonitão da semana tem conteúdo ;)


08 setembro 2012

Vi: A pequena vendedora de fósforos



O filme de hoje, uma animação, dá até pra dividir aqui com vocês!

A história da pequena vendedora de fósforos é uma das mais tristes que lia na minha infância. Este curta me fez achá-la, mesmo ainda triste, muito bonita.


07 setembro 2012

Vi: Quem tem medo de Virginia Woolf?




O filme de hoje é Quem tem medo de Virginia Woolf?, filme estadunidense de 1966, estrelado por por Richard Burton e Elizabeth Taylor que formam o casal de meia idade - Martha e George.

George é professor em uma universidade dirigida pelo pai de Martha. Uma noite, depois de uma festa, os dois recebem em sua casa um outro casal, jovem e recém chegado à universidade, Nick e Honey - George Segal e Sandy Dennis -, onde Nick começou também a dar aulas. Todos já estão bêbados, principalmente Martha e George, e então começa a lavagem de roupa suja, onde ficamos sem saber o que é verdade ou não no dito, principalmente por George, enquanto Martha humilha o marido e seduz o visitante, que se deixa levar, enquanto a esposa simplória vomita até as tripas a cada hora. 

Liz Taylor consegue tornar a sua Martha ao mesmo tempo desprezível e digna de piedade. Com 33 anos, ela engordou e deixou-se - na medida do possível pra ela, lindíssima - enfeiar-se pra viver a personagem uns 10 anos mais velha do que ela. Martha é mordaz, cruel, lasciva... e frágil. Burton impressiona com seu George humilhado e resignado e, ao mesmo tempo, ferino. Todo o elenco - de quatro atores - concorreu ao Oscar, sendo que as mulheres levaram os prêmios. Foi o segundo Oscar de Taylor - ela dizia que tinha sido sua interpretação preferida - e o filme concorreu em todas as categorias que podia, sendo o último filme preto-e-branco a ser premiado por Direção de Arte, quando a categoria era dividida em filmes em cor e preto e branco. 

No IMDb tem um monte de curiosidades bacanas sobre o filme, como ter sido o primeiro filme a proibir a entrada de menores de 18 anos sem companhia dos pais ou ter sido, até então, o filme P&B mais caro da história - US$ 7,5 milhões. ADOREI o filme! Um dos melhores já vistos e sinto não ter visto antes! Valeu muitíssimo a pena!!

06 setembro 2012

Vi: Homens e deuses


Nunca entendi o propósito de religiosos que escolhem uma vida enclausurada, de orações e parcas ações. Ao mesmo tempo, sempre admirei demais missionários, que saem de suas casas, seus países, para ajudar outros povos, principalmente quando essa ajuda não implica na imposição de uma conversão religiosa.

Por isso Homens e deuses - Des hommes et des dieux, no original - filme de 2010, já começou ganhando meu carinho, ao narrar a história real de oito monges trapistas franceses que vivem em um mosteiro do século XIX no sopé da Cordilheira do Atlas, na Argélia. 

Sem qualquer intenção de converter a população local muçulmana, eles convivem pacificamente com os moradores do pequeno vilarejo, contando com o único médico da região, produzindo mel que vendem na feira, sendo respeitados e considerados pelos líderes argelinos locais. A convivência é tão tranquila que, mesmo para rituais muçulmanos, os monges são convidados.

A história se passa em 1995, quando começa o clima de guerra civil na Argélia. Grupos radicais começam a atacar estrangeiros - e matá-los - e aos monges é sugerido aceitarem presença militar do governo dentro do mosteiro. Não aceitando a presença de armas em sua casa e acreditando que isso possa assustar os moradores locais - além de não confiaram em um governo reconhecidamente corrupto - os franceses negam essa ajuda e, após várias deliberações sobre ir embora ou não do país, decidem ficar. 

Após tratarem de um membro de um dos grupos anti-governo e do líder dos monges - interpretado pelo Lambert Wilson, único que conheço por nome do elenco - os monges acabam sendo vistos pelo governo com certa desconfiança também. Além do mais, uma autoridade oficial local não esconde que culpa a França e o colonialismo pelo que agora acontece ao seu país.

O tempo todo a gente sabe que as coisas não terminarão bem para os monges mas a determinação deles, diante de suas convicções - que são extremamente humanas e, por isso, muitas vezes atormentadas - faz com que seja impossível não torcer por aqueles senhores que escolheram viver e serem úteis fora de casa.

O filme é lento, meio contemplativo, permeado de passeios bucólicos e cantos religiosos. A sensação, na maior parte do tempo, é que estamos ali, ao lado deles.

No entanto, a história é muito interessante e prende a atenção. Algumas cenas e diálogos são belíssimos, seja a de alguns monges demonstrando a angústia da dúvida de ficar e morrerem como mártires, ou a certeza de não ter mais um lugar para onde voltar, depois de décadas vivendo fora da França e, principalmente, o jantar, com um monge que chega para os visitar, ao som de "O lago dos cisnes" de Tchaikovsky.

Gostei muitíssimo do filme! Uma pena ter baixado dublado, mas nem isso tirou o brilho de toda a história e da bela narrativa.

Vi: O despertar


Ops, ontem não deu pra postar mas aqui estamos pro terceiro filme da semana.

O despertar se passa em 1921, na Inglaterra. Florence Cathcart, interpretada por Rebecca Hall é uma mulher cética, que perdeu o noivo na 1ª Guerra Mundial e que agora trabalha desmascarando médiuns charlatões e provando que fantasmas não existem. 

Ao voltar de um caso de charlatanismo, ela recebe a visita de Robert Mallory - ai, ai, Dominic West, que já apareceu aqui no blog e, mesmo manco, continua super-charmoso -, professor em um internato para garotos que a procura para desvendar um mistério na escola, onde um menino morreu depois de ver o fantasma de uma outra criança que, supostamente, morreu no mesmo local, quando o internato era uma residência. Lá vai Cathcart, toda cética, disposta a provar que não tem fantasma nenhum mas as coisas não saem como esperadas por ela, o que começa a deixar a personagem não tão certa de suas convicções.

Ambientada naqueles casarões rodeados por jardins e matas lindíssimas que a gente só vê na Inglaterra, a história segue a linha elegante de Os outros e A mulher de preto - do qual comentei anteontem. Gostei bastantinho! 


05 setembro 2012

Vi: A mulher de preto


Não sou a maior fã de filmes de suspense: sou medrosa, fico me sentindo incomodada depois que os vejo. No entanto, alguns me deixam curiosa - os que parecem interessantes.

Assim foi com A mulher de preto, filme britânico do ano passado. O filme me lembrou Os outros, mas não é um Os outros, ou seja, é bom, muito bom até... mas não é excelente!

Este é o segundo filme baseado no livro The woman in black, de Susan Hill, lançado no começo dos anos 80. Nesta versão - as duas versões filmadas têm algumas diferenças entre si e com o livro. 

Daniel Radcliffe é Arthur Kipps, jovem pai viúvo, em risco iminente de perder o emprego desde que sua esposa morreu. Kipps é mandado para uma pequena cidade para cuidar dos papéis de um cliente recém falecido.

Tudo é envolvido em muito mistério quando ele chega na cidade, a começar pelo dono da estalagem que não quer hospedá-lo. Depois tem a dificuldade de ser levado até a antiga casa do cliente e a pressa com que todos querem que ele saia da cidade. No entanto, quando as primeiras coisas estranhas começam a acontecer - desde a morte de crianças na vila até a visão da tal "mulher de preto" do título - Kipps decide ficar e terminar seu trabalho, aliás, ele mais precisa, para manter o emprego, do que realmente deseja isso!

A mulher de preto, mesmo revelando bem antes do final o seu mistério, não deixa de prender a atenção até o finzinho que, aliás, é muito, muito bom!

A história é ambientada no começo do século XX e o ar geral do filme é sombrio, o que, muitas vezes, causa mais o medo, a ansiedade, do que o que chegamos a ver. E isso, na minha opinião, é o mais bacana em filmes assim! 

Super-recomendo!

Curiosidades:

- Os brinquedos que aparecem em cena são originais da época;

- Misha Handley, o garotinho que interpreta o filho do personagem de Daniel Radcliffe é, na verdade, afilhado do ator, que sugeriu o garotinho para o papel pra facilitar a interpretação da ligação entre pai e filho;

- Adrian Rawlins, que interpreta na série Harry Potter o pai do bruxinho, interpretou na primeira versão do filme, em 1989, Arthur Kipps.


03 setembro 2012

Vi: O pianista



Levei um susto ao ver que há quase 1 ano não posto sobre filmes vistos e decidi resolver isso postando essa semana sobre os bons filmes que vi recentemente, nas últimas semanas.

Vou começar com O pianista, belíssimo drama de guerra que vi no começo de agosto.

O filme é de 2002, uma co-produção da França, do Reino Unido, da Alemanha e da Polônia. Mesmo sendo um filme super-festejado, eu ainda, vergonhosamente, não o tinha visto.

Com quase 3h de duração, O pianista conta a história real de Wladyslaw Szpilman, pianista judeu polonês que consegue sobreviver entre o gueto de Varsóvia e esconderijos pela cidade, até que ela seja libertada em 1945, no começo, ainda com sua família, sempre com a ajuda de amigos fiéis. 

Não acredito que exista uma forma suave ou indolor de se falar de guerra. Se a gente for ver, até A vida é bela, que é engraçadinho, é muito triste! Mas, mesmo machucando, a história de Wlad é lindamente contada por Roman Polanski, ele próprio um sobrevivente da II Guerra Mundial.

Adrien Brody, o protagonista, está incrível e mereceu o Oscar no ano em que concorreu e a fotografia, mostrando Varsóvia cada vez mais destruída, é dolorosamente linda

Mesmo longo, não achei o filme longo. O tema é espinhoso e gostei da forma como o filme mostra que nem todos os mocinhos são tão mocinhos e muito menos todos os bandidos, bandidos. 

O sentimento final é o mesmo de sempre que leio sobre a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto: como fomos capazes daquilo e quantos holocaustos ainda acontecem ao nosso redor sem fazermos nada? 

24 agosto 2012

Azeitona vai à padaria



Essa é a minha cachorrinha Azeitona, velhinha, que tem uma história de vida bem rica - era de um morador de rua que foi assassinado e, deixada prenhe na rua, acabei levando ela pra casa da minha mãe.

Toda vez que alguém chama ela pra ir na padaria, ela fica desse jeitinho que vocês podem ver aí.

Quis dividir com vocês porque eu acho uma fofura e me divirto SEMPRE!

13 agosto 2012

Esta, passadas e a próxima Olimpíada


Fim das Olimpíadas de Londres. 15 minutos antes de começar a transmissão eu já tava sintonizada na ESPN Brasil, ansiosa, esperando!

Posso não conseguir acompanhar os esportes, nem mesmo as parcas medalhas brasileiras, mas eu adoro o clima dos jogos, a abertura e o encerramento! Eu lembro do Misha, ursinho mascote em Moscou, chorando em 1980 (!), mas foi a partir de Seul, em 1988, que eu comecei a acompanhar tudo que podia dos jogos olímpicos. E como a diferença de fuso horário era grande, acordei muitas madrugadas cedinho pra ver jogo de vôlei, ginástica artística, futebol, basquete e natação. Depois vieram Barcelona, Atlanta, Sydney, Atenas e Pequim. Com o tempo mais corrido, mais ocupado, perdi muitos jogos, vendo aqueles que eram meus preferidos apenas - ginástica artística, natação e vôlei - mas não perdi nenhuma abertura ou encerramento. Na abertura de Atenas eu até troquei horário de trabalho pra poder ver!

Eu achei as Olimpíadas de Londres uma das mais lindas, mais bem organizadas! Mas o que a gente poderia esperar dos britânicos organizando algo, né? No mínimo, preocupação com a pontualidade! Só que eles foram muito além disso e tudo pareceu funcionar perfeitinho.

E por isso vem o medo com as Olimpíadas no Rio em 2016. Não sou das que fica só pichando o país, nem me acusem disso! Mas também não sou ufanista, acho tudo lindo, perfeito, maravilhoso e mágico no Brasil. A gente tem que comer muita farinha pra organizar o evento, mas como a Copa do Mundo vem antes, acho que até o Rio as coisas estarão mais ajeitadas.

No entanto, mais do que pensarmos em organizar Jogos perfeitos, pelamordeDeus, o Brasil tem que tomar vergonha na cara, parar de esparramar por aí que é a 5ª economia do mundo se não consegue formar atletas. E se tantos atletas têm que ralar tanto, com praticamente apoio nenhum, pra conseguirem algo. Eu vi uma entrevista maravilhosa com o Diogo Silva, lutador de taekwondo, falando que surpresa, do jeito que o nosso país trata a educação e seus atletas, será o Brasil não ficar novamente pra baixo da 20ª colocação no quadro de medalhas! O COB - Comitê Olímpico Brasileiro - quer o país entre os 10 mais premiados no Rio mas pra isso muita, mas muita coisa tem que ser feita e mudada! Se nem quadra pra esporte algum a maioria das escolas públicas têm, o que a gente tá preparando?!

Bom, deu pra perceber é em boa parte um desabafo mas eu chorei tanto, com pena de tantos atletas, que queria colocar pra fora parte do que penso sobre o assunto! Eu torço sempre pelo Brasil! Sempre mesmo! Mas não consigo ser cega aos defeitos e diante de tanto a ser melhorado! 

Atualmente são tantas vozes gritando a mesma coisa... Quem sabe finalmente as coisas comecem a mudar?

06 agosto 2012

Aristogatos - Martha Medeiros



Nunca imaginei ter um bicho de estimação por uma questão de ordem prática: moro em apartamento, sempre morei. E se morasse em casa, escolheria um cachorro. Logo, nunca considerei a hipótese de ter um gato, fosse no térreo ou no décimo andar. Quando me falavam em gato, eu recorria a todos os clichês pra encerrar o assunto: gato é um animal frio, não interage, a troco de quê ter um enfeite de quatro patas circulando pela casa?
Hoje, dona apaixonada de um gato de cinco meses (e morando no décimo andar), já consigo responder essa pergunta pegando emprestada uma frase de um tal Wesley Bates: “Não há necessidade de esculturas numa casa onde vive um gato”. Boa, Wesley, seja você quem for. Gato é a manifestação bíblica da elegância, é uma obra de arte em movimento. E se levarmos em consideração que a elegância anda perdendo de 10 x 0 para a vulgaridade, está aí um bom motivo para ter um bichano aninhado entre as almofadas.
Só que encasquetei de buscar argumentos ainda mais conclusivos. Por que, afinal, eu me encantei de tal modo pelo bichano? Comecei a ler outras frases irônicas e aparentemente pouco elogiosas. Mark Twain disse que gatos são inteligentes: aprendem qualquer crime com facilidade. Francis Galton disse que o gato é anti-social. Rob Kopack disse que se eles pudessem falar, mentiriam para nós. Saki disse que o gato é doméstico só até onde convém aos seus interesses. Estava explicado por que gamei: qual a mulher que não tem uma quedinha por cafajestes?
Ser dona de um cachorro deve ser sensacional. Lealdade, companheirismo, reciprocidade, eu sei, eu sei, vi o filme do Marley. Cão é boa gente. Só que o meu cachorro preferido no cinema nunca foi da estirpe de um Marley. Era o Vagabundo, sabe aquele do desenho animado? O que reparte com a Dama um fio de macarrão, ambos mastigam, um de cada lado, e mastigam, mastigam até que (suspiro… a emoção impede que eu continue). Eu trocaria todos os príncipes loiros e bem comportados da Branca de Neve e da Cinderela pelo livre e irreverente Vagabundo, que foi o personagem fetiche da minha infância. E lembrando dele agora, consigo entender a razão: aquele malandro tinha alma de gato.
Imagino que, com essa crônica, eu esteja revelando o lado menos nobre do meu ser. Pareço tão sensata, tão bem resolvida, tão madura – quá! – tenho outra por dentro. Que vergonha. Levei mais de 40 anos para me dar conta de que não faço questão de uma criatura que me siga, que me agrade, que me idolatre, que me atenda imediatamente ao ser chamado, que me convide pra passear com ele todo dia. Sendo charmoso, na dele e possuindo ao menos alguma condescendência comigo, já tem jogo.
Cristo, um simples gato me fez descobrir que sou mulher de bandido.
(Encontrado na Sala da La)

25 julho 2012

Yo te amo - Chayanne




Lindíssima!


En palabras simples y comunes yo te extraño
En lenguaje terrenal mi vida eres tú
En total simplicidad sería yo te amo
Y en un trozo de poesía tu serás mi luz, mi bien,
el espacio donde me alimento de tu piel que es bondad
La fuerza que me mueve dentro para recomenzar
y en tu cuerpo encontrar la paz
Si la vida me permite al lado tuyo
crecerán mis ilusiones no lo dudo,
Y si la vida la perdiera en un instante
que me llene de tí
Para amar despues de amarte, vida
No tengas miedos ni dudas, (que este amor es demasiado bueno)
que tú seras mi mujer (yo te pertenezco todo, entero)
Mira mi pecho, lo dejo abierto
Para que vivas en él
Para tu tranquilidad me tienes en tus manos
Para mi debilidad, la única eres tú
Al final tan solo sé que siempre te he esperado
Y que llegas a mi vida y tú me das la luz, el bien
ese mundo donde tus palabras hacen su voluntad
La magia de este sentimiento que es tan fuerte y total
Y tus ojos que son mi paz
Si la vida me permite al lado tuyo
crecerán mis ilusiones no lo dudo,
Y si la vida la perdiera en un instante
que me llene de tí
Para amar despues de amarte, vida

08 julho 2012

Lose you - Pete Yorn




"I'm taking a ride off to one side
It is a personal thing.
Where?
When I can't stand
Up in this cage I'm not regretting..."


Música que embalou uma das cenas mais emocionantes de House, até a quinta temporada.

05 julho 2012

Um voo inesquecível



Lindo demais!!

Especialmente dedicado aos que não acreditam em amor/relacionamento à distância ;)

Especial Séries: Bunheads


Acho que ninguém que lê o blog sabe, mas eu fui bailarina por uma boa parte da minha infância e pré-adolescência. AMAVA balé clássico! Fiz por uns 2 anos em São Paulo, entre os 6 e 8 anos, e depois, quando nos mudamos para o sertão de Pernambuco, fiz um tempo balé clássico e o chamado jazz na época e, quando o professor de balé foi embora, segui no jazz por algum tempo, acho que até uns 11 anos. Minha coordenação motora para dança é ridícula! Eu não danço nada! Mas pra balé, no jazz, eu me saia bem. Não era a Ana Botafogo, mas, em um tempinho, quando não sabia ainda que existia um biotipo específico pra bailarina, cheguei a pensar, na minha inocência infantil, em ser bailarina.

(Pausa para uma curiosidade: quando o Viva a Noite, do Gugu, era bom e bombava nas noites de sábado, eram bailarinas na escola de dança onde estudei que dançavam por lá!)

Mas falemos de Bunheads e porque eu contei essas coisas. É que Bunheads gira em torno de balé, de uma ex-dançarina de Las Vegas, da sua sogra bailarina e agora professora de dança e de meninas que querem, em graus diferentes, serem bailarinas profissionais.

Bom, a história toda começa com Michelle, uma bailarina clássica que terminou em show de Las Vegas, casando por impulso com Hubbell, um insistente admirador que todo mês visita a cidade e a procura. Michelle se vê em um ponto onde nada parece dar certo, não gosta da vida que vem levando e Hubbell parece uma boa saída.

Ao chegarem na cidadezinha onde ele vive - Paradise - ela descobre de cara que a mãe dele vive na mesma casa que morarão e, o que é normal, fica chocada com o casamento surpresa do filho e não aceita nova nora. No primeiro do primeiro episódio acontece algo que mudará pra sempre a vida de todos.

A série é da mesma criadora de Gilmore Girls, que nunca vi mas sempre ouvi falar da fofura que era. Bunheads parece seguir a mesma linha sendo uma série terna, engraçada e muito gostosa de ver. Acho que é mega-mulherzinha com as histórias envolvendo Michelle, Fanny, sua sogra e as adolescentes alunas dela, em especial Boo, a que mais vontade tem de ser bailarina mas que não tem o corpo considerado ideal para isso.

Tô apaixonada pela série! São 45 minutos que passo sorrindo ou me emocionando e, sempre, gostando do que vejo, das tiradas de Michelle, que tem um senso de humor debochado - que eu adoro! - e os azedumes de Fanny.

Pra quem gosta de séries "fofas", vale a pena uma olhada!

Como não estreou ainda no Brasil, e pra não perder o costume, baixo da net, pelo seriesfree.biz.



04 julho 2012

Especial Séries: House



Pensei e repensei muito pra falar de House porque todo mundo já ouviu falar da série que, recentemente, terminou, na sua oitava temporada.

Mas aí eu pensei nas pessoas que, como eu, já tinha ouvido falar trocentas vezes da série e nunca tinham se animado pra vê-la - meu caso. Me desanimava também começar a ver uma série que já tinha anos de episódios e, me conhecendo, eu sabia que ia ficar desesperada pra ver todos até alcançar os episódios atuais. Quando anunciaram que a série seria cancelada, resolvi começar a vê-la porque, agora sim, eu sabia quando terminaria e não precisava correr.

O que eu sempre ouvia falar é que a série era sobre um médico grosseiro, que espinafrava todo mundo ao seu redor mas era ótimo no que fazia: diagnosticar doenças que outros médicos não eram capazes de diagnosticar.

Bom, aí comecei a ver a série sobre o médico - Hugh Laurie - que trabalhava em um hospital universitário fictício em New Jersey, com uma equipe jovem, tendo um único verdadeiro amigo, o oncologista Dr. Wilson - Robert Sean Leonard, pra mim, o eterno Neil de Sociedade dos Poetas Mortos! - e uma chefe compreensiva até demais - Lisa Edelstein.

Tô na metade da quinta temporada e não é a mais empolgante de todas mas já sei de bombas que virão nos próximos episódios e que até já me fizeram chorar antecipadamente. Já vi também o episódio final da série e sei de várias coisas que acontecerão nas próximas temporadas. Mas gosto, adoro, ver a evolução dos personagens, o amadurecimento da maioria, suas histórias reveladas, suas lágrimas e sorrisos. Os casos médicos também são legais, principalmente quando os pacientes causam empatia especial nos médicos - aliás, meus mais queridos até agora são a Dra. Cameron - Jennifer Morrison, de Once upon a time, da qual falei ontem - e o querido Dr. Kutner - Kal Penn, de Nome de família, um dos meus filmes preferidos!

House é tipo Lost e Friends, daquelas séries que terminam e o povo segue adorando. Demorei pra conhecer mas tenho consciência que não é à toa que seus personagens, principalmente o protagonista, atormentado por suas dores e viciado em hidrocodona, são tão cativantes e deixaram saudades nos milhões de fãs ao redor do mundo.

P.S. 1: Quando ouvi falar a primeira vez da série tendo Hugh Laurie como protagonista eu levei um susto porque conhecia Laurie como comediante do seu tempo na Inglaterra, principalmente ao lado de Stephen Fry!


P.S. 2: Os autores da série inspiraram-se livremente em Sherlock Holmes e a gente nota isso desde os nomes de Holmes - home = house - e Wilson - Watson, ao nome de alguns personagens que aparecem ao longo da série, como o marido de uma ex-paciente chamado Moriarty - o maior inimigo de Holmes! - e em outro momento quando Wilson cita Irene Adler, nome da única mulher que conseguiu mexer com o coração de Holmes. Ou no modo como House deduz situações corriqueiras e resolve seus "casos".


P.S. 3: Hoje eu acho que House tem até um grande coração. É íngua, não demonstra seus - bons - sentimentos com frequência, mas não é má pessoa.

03 julho 2012

Especial Séries: Once apon a time


Eu sinto muitíssimo por ser uma pessoa completamente sem foco - na maior parte do tempo! Comecei um Especial Séries e me dei conta que só falei de The killing e pronto - aliás, que final o da série! Clap, clap clap!!

Mas vamos pegar firme no Especial essa semana, falando de uma série por dia e aí ver se consigo falar finalmente da viagem - os posts de Madrid e de Toledo já estão prontinhos! Meu problema tem sido "ilustrativo" já que rolou uma bagunça com as fotos tiradas. 

Once upon a time é uma série da qual eu ouvi falar muito, mas muito mesmo até que tomasse coragem para assistí-la. Como o mote era contos de fadas e tals, não coloquei muita fé na coisa mas, era tanto elogio - e aí vi um trailer bem bacana - que resolvi dar uma chance pra série. E aí meu coração foi roubado pelo fofíssimo Henry - Jared Gilmore - e sua certeza de que a cidadezinha em que vivia era populada - existe essa palavra mesmo?? - por personagens dos contos de fadas que tinham sido banido de seu reino encantado.

A história começa com Henry procurando Emma - a queridíssima Jennifer Morrison, de House! - contando ser o filho que, há 10 anos ela entregara para adoção e que ele vinha buscá-la para que ela salvasse os personagens que agora viviam em sua cidade, sem se lembrarem do seu passado. Detalhe: Henry tem certeza que Emma é filha da Branca de Neve e do Príncipe Encantado e que sua madrasta - a de Henry - é a madrasta má de Branca de Neve e responsável pela maldição que caiu sobre todos ali.

A cada episódio a gente vai conhecendo a história de um dos personagens na cidadezinha de Storybrooke e sua história no reino encantado. Umas poucas são chatinhas, muitas são fofas e a maioria é emocionante! A do Pinóquio me fez chorar um monte, por ser tão delicada, tão lírica, tão dramática!

Lá por outubro deve começar a segunda temporada e, pela forma que as coisas acabaram na primeira, o circo - ou o castelo, no caso - vai pegar fogo em Storybrooke e eu tô louca pra ver como será!

No Brasil, se não me engano, a série passa na Warner. Mas, como com as outras séries que acompanho, eu baixo do www.baixartv.com ou do www.seriesfree.biz - que costuma ser mais rapidinha.


20 junho 2012

Pretushka e meu inferno felino astral - ou inferno astral felino



Menos de duas semanas depois da morte da Flor - da qual falei aqui - a Preta, minha última gatinha a chegar em casa, que à princípio estava aqui só de passagem, sumiu. 

Durante quase 10 dias eu tentei ficar com esperança de uma volta, que ela tinha sumido porque entrou no cio antes que eu conseguisse levar ela no vet pra castrar... Mas hoje, 16 dias depois, não acho que ela volte e imagino que o pior lhe aconteceu.

E, pra completar meu inferno felino astral - ou astral felino - a Kitty, minha única gatinha que restou, tá com suspeita de infecção no útero que eu nem sabia que ela tinha porque, como é castrada, imaginei que tinha perdido tudo do aparelho reprodutor - aparentemente na castração felina só os ovários são retirados. Hoje ela deveria ter feito uma ecografia mas eu tinha médico e, na correria que estive, infelizmente tive que protelar o exame dela. Como ela está bem e só uma vez eu vi o que causou a suspeita da piometra - como se chama essa inflamação do útero - ela tá medicada e só semana que vem fará a ecografia. Deus abençoe, Francisco de Assis ilumine que seja uma coisa menos grave. Como ela não demonstra dor ou incômodo algum, tenho esperança no menos ruim e que não será necessária uma cirurgia.

A gente se apaixona por estes trocinhos e esquece que, como todos os amores, estes também terão sua dose de dor.

17 junho 2012

Meu Bandeira preferido: Pneumotórax


Rua com nome do poeta pernambucano no Porto, Portugal (acervo pessoal)


Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.

- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

***

Manuel Bandeira não tinha 20 anos quando descobriu ter tuberculose. 

Esperando a sina dos tuberculosos da época - comecinho do século XX - achou que morreria cedo. Morreu com mais de 80 anos!

"A vida inteira que podia ter sido e que não foi" é um verso que sempre me leva a pensar na vida dele que foi, praticamente inteira, esperando a morte, que tardou bastante a chegar. Quantas coisas Bandeira não deve ter deixado de viver com medo de não ter tempo para aproveitar? Quantas coisas não deixou de começar temendo não ter tempo de concluir?

"A vida inteira que podia ter sido e que não foi" é um verso recorrente na minha vida. Um dos meus maiores temores é me arrepender, tarde demais, do que deixei passar.