31 dezembro 2008

Tchauzinho 2008!


E o ano acabou!

Não tem como não dizer que ele voou! Dia desses era janeiro... e agora, já estamos no último dia de 2008.

Meu ano foi bem punk. Perdas sentidas dolorosamente, indecisões quanto ao que fazer academicamente e profissionalmente...

Por isso, eu desejo para mim um ano novo com menos perdas e mais ganhos, com menos dúvidas e mais certezas, com menos letargia e mais motivação, com muito menos lágrimas e mais gargalhadas!

E é o que desejo pra todo mundo e que, como disse Carlos Drummond de Andrade no post anterior, que façamos por merecer um ano melhor.

P.S. Há pouco morreu uma das cachorrinhas da minha mãe; descobrimos hoje que era cinomose. Mais um motivo para querer que 2008 termine logo e, mesmo achando horrível, direi que já vai tarde!

30 dezembro 2008

Receita de ano novo - Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

________________________
Foto: Fire Works, by BoomHotChocolate

29 dezembro 2008

Momento Espírita: Iniciando um novo ano

Toda vez que o ano vai chegando ao fim, parece que todos vamos manifestando cansaço maior.

Seja porque as festas se multipliquem (são formaturas, casamentos, jantares de empresas), seja porque já nos vamos preparando para as viagens de férias de logo mais.

De uma forma ou de outra, é comum se escutar as pessoas desabafarem dizendo que desejam mesmo que se acabe logo o ano.

Quem muito sofreu, deseja que ele se acabe e aguarda dias novos, de menos dores.

Quem perdeu amores, deseja que ele se acabe de vez, na ânsia de que os dias que virão consigam trazer esperanças ao coração esfacelado pelas ausências.

Quem está concluindo algum curso e deu o máximo de si, deseja que os meses que se anunciam cheguem logo, para descansar de tanto esforço.

E assim vai. Cada um vai pensando no ano que se finda no sentido de deixar algo para trás. Algo que não foi muito bom.

Naturalmente, muitos são os que vêem findar os dias do ano com contentamento, pois eles lhes foram propícios. Esses, almejam que os dias futuros reprisem esses valores de alegria, de afeto, de coisas positivas.

Ano velho, Ano Novo. São convenções marcadas pelo calendário humano, em função dos movimentos do planeta em torno do astro rei.

Contudo, psicologicamente, também nos remetem, sim, a um estado diferente.

Como Deus nada faz, em Sua sabedoria, sem um fim útil, também assim é com a questão do tempo como o convencionamos.

Cada dia é um novo dia. A noite nos fala de repouso. A madrugada nos anuncia oportunidade renovada.

Cada ano que finda nos convida a deixarmos para trás tudo de ruim, desagradável que já vivenciamos, permitindo-nos projetar planos para o futuro próximo.

Por tudo isso, por esta ensancha que a Divindade nos permite a cada 365 dias, nesta Terra, pense que você pode melhorar a sua vida no ano que se anuncia.

Comece por retirar de sua casa tudo que a atravanca. Libere-se daquelas coisas que você guarda nos armários, na garagem, no fundo do quintal.

Coisas que estão ali há muito tempo, que você guarda para usar um dia. Um dia que talvez nunca chegue. Pense há quanto tempo elas estão ali: meses, anos... esperando.

São roupas, calçados, livros, discos antigos, utensílios que você não usa há anos. Libere armários, espaços.

Coisas antigas, superadas são muito úteis em museus, para preservação da memória, da evolução da nossa História.

Doe o que possa e a quem seja mais útil.

Sinta o espaço vazio, sinta-se mais leve.

Depois, pense em quanta coisa inútil você guarda em seu coração, em sua mente.

Mágoas vividas, calúnias recebidas, mentiras que lhe roubaram a paz, traições que lhe deixaram doente, punhais amigos que lhe rasgaram as carnes da alma...

Alije tudo de si. Mentalmente, coloque tudo em um grande invólucro e imagine-se jogando nas águas correntes de um rio caudaloso que as levará para além, para o mar do esquecimento.

Deseje para si mesmo um Ano Novo diferente. E comece leve, sem essa carga pesada, que lhe destrói as possibilidades de felicidade.

Comece o novo ano olhando para frente, para o Alto. Estabeleça metas de felicidade e conquistas.

Você é filho de Deus e herdeiro do Seu amor, credor de felicidade.

Conquiste-a. Abandone as dores desnecessárias, pense no bem.

Mentalize as pessoas que são amigas, que o amam, lhe querem bem.

Programe-se para estar mais com elas, a fim de, fortalecido, alcançar objetivos nobres.

Comece o ano pensando em como você pode influenciar pessoas, ambientes, com sua ação positiva.

Programe-se para vencer. Programe-se para fazer ouvidos moucos aos que o desejam infelicitar e avance.

Programe-se para ser feliz. O dia surge. É Ano Novo. Siga para a luz, certo que com vontade firme, desejo de acertar, Jesus abençoará as suas disposições.

É Ano Novo. Pense novo. Pense grande. Seja feliz.

(Redação do Momento Espírita)

__________________
Foto: Butterfly, by Unfaithed

26 dezembro 2008

Assumo!!

Ando ouvindo Victor e Leo... e gostando! :O

Não é o tipo de música que costumo gostar, mas confesso que o Leo canta direitinho e que o Victor escreve bonitinho (tirando aquela execrável "Fada", com suas rimas bobas!). Baixei algumas e fico escutando com certa freqüência. Ao ouvi-las vejo algumas historinhas na minha cabeça, ilustrando passagens recentes da minha vida...

Ouvi repetidas vezes "Borboletas" (Borboletas sempre voltam/E o seu jardim sou eu), "Meu eu em você" (Eu sou tua saudade reprimida/Sou o teu sangrar ao ver minha partida/Sou o teu peito a apelar, gritar de dor/Ao se ver ainda mais distante do meu amor), "Tem que ser você" (Me leva onde você for/Estarei muito só sem o seu amor) e "Lembranças de amor" (Preciso te dizer o que acontece com meu sentimento/Chego em casa, não te vejo/O meu desejo é te ligar correndo)...

Claro que, depois de versos tão doloridos, bate aquela deprê. Mas vejo isso como um mérito da dupla: um mocinho compõe com sensibilidade (e é lindinho) e o outro canta com emoção, interpretando as letras (porque tem diferença entre cantor e intérprete!).

Estou gostando de ouvi-los. De verdade!

Reforma ortográfica... argh!

Sei que tenho umas idéias que me fazem parecer uma velha, apesar dos meus 33 anos. Provavelmente ser contra, ou apenas não ver como algo positivo a reforma ortográfica seja uma delas.

Pôxa, a gente leva um bom tempo aprendendo regrinhas na escola, depois lê um monte de livros, aprende a escrever direitinho... e, de repente, muda um monte de coisas! Eu sei que minha mãe já passou por pelo menos uma reforma ortográfica (minha avó deve ter passado por duas!)... mas agora parece tão... "esvaziador" retirar acentos, tremas e hífens da nossa língua!

Provável que seja mais fácil escrever em português sem "acentinhos" aqui e acolá... Mas isso não é um nivelamento por baixo? Quer dizer que nem todo mundo tem capacidade para aprender as acentuações corretas?

Unificar a língua portuguesa, torná-la mais acessível, facilitar seu aprendizado... Discordo de tudo isso e me sentirei aprendendo um novo português na marra!

Ano que vem faço estágio de regência de Português (e Espanhol) e, principalmente por isso, sei que precisarei me adaptar às novas regras. Claro que não será difícil, afinal, a intenção é exatamente tornar tudo mais simples, não é?

Mas, tolamente, sei que meu coração doerá ao economizar tudo que até o dia 31 eu poderei escrever... e no dia seguinte deverei suprimir.

Vi: Nome de Família

Acho que, provavelmente, esse foi o filme que mais desinteressadamente comecei a ver: estava sem sono, não era ainda meia-noite (ando dormindo lá pelas 2h por esses dias) e, entre "Sex and the City" e este aqui, do qual nunca havia ouvido falar, mas que, por ser da diretora indiana Mira Nair já ganhava uns pontinhos comigo, resolvi arriscar. O mais engraçado foi que, primeiro quase não vi porque não queria chorar vendo filme... E não lembro de ter chorado tanto vendo um filme há tempos!

Ashoke é um estudante indiano que, depois de um acidente de trem logo no começo do filme, decide ir estudar nos EUA e de lá volta, dois anos depois, procurando uma noiva. Conhece, através dos pais, a linda Ashima, que volta com ele para Nova York e lá começam a vida de casados. Logo nasce Gogol, o filho que leva o nome do escritor preferido do pai, o russo Nikolai Gogol (não direi o motivo para não lançar nenhum possível spoiler). Enquanto cresce, Gogol e a irmã se vêem... não divididos entre duas culturas, mas tentando permanecer indianos, respeitando os usos e costumes dos seus pais em meio a um mundo tão moderno quando o estadunidense.

A fotografia é lindíssima e é bacana ver a Índia pelos olhos de indianos, e não de diretores deslumbrados com o "exotismo" do país.

Mas, por que eu chorei tanto? Acho que porque, mesmo contando a história de imigrantes, o filme toca em temas muito mais universais, como família, como a relação que temos com nossos pais e como a aproveitamos ou não. Somou-se a isso o fato de que vivo em uma cidade cosmopolita, com dezenas de imigrantes que devem passar pela dificuldade de manter suas tradições presentes no meio de uma cultura tão distinta da sua. Como convencer o filho árabe a se casar com uma moça muçulmana ao invés da filha de gaúchos? Como respeitar o Ramadã saindo com amigos que comem e bebem durante o dia? Imagino que seja muito complicado...

Muito bom também o elenco do filme com atores que eu não conhecia: os que interpretam Ashoke e Ashima são atores de Bollywood. Kal Penn, que faz Gogol, é estadunidense e atuou naquele tipo de comédia que nem por amizade eu vejo. Mas são extremamente convincentes, envolvidos com a história.

O filme é baseado no livro "O Xará", de Jhumpa Lahiri e foi uma grata surpresa para minha madrugada de sexta-feira :)

25 dezembro 2008

Vi: Sociedade dos Poetas Mortos

Pode parecer exagero, mas vi esse filme, pelo menos, umas 10 vezes! Eu o tinha gravado em VHS! Acho que no começo, lá por 1990, o que mais me agradava era o elenco composto por jovens e lindinhos atores, nos seus 18, 19 anos. Esse ano um professor passou na aula de Literatura Brasileira e o vi com olhos de futura educadora.

Bom, em 1959, um professor de Literatura Inglesa chega para dar aula na melhor escola preparatória dos EUA. Como sua "didática" é completamente diferente das dos outros professores (nada ortodoxa), logo ele conquista os alunos. Quando uma turminha de 7 deles descobre que o professor, quando estudante de Welton (que os meninos chamam de Hellton, um trocadilho com Hell, inferno em inglês), fazia parte de uma tal sociedade dos poetas mortos, decidem recriar as reuniões da sociedade, que acontecem em uma caverna, de madrugada, fora da escola. Lá eles lêem poesias de grandes poetas da língua inglesa, além de composições próprias. Ao dizer aos alunos que não sejam, no futuro, simples "adubo para narcisos", o Prof. Keating (o maravilhoso Robin Williams!), acaba estimulando cada um deles a se arriscar pelo que mais querem (ser ator? conquistar a garota dos seus sonhos? sair de sua casca?).

Definitivamente hoje eu gosto mais ainda do filme do que há 18 anos. Provavelmente porque agora, com a leitura de mundo que tenho, posso entendê-lo muito mais.

Vi: Ligações Perigosas

Você acha a Flora, da novela das 8 (que passa às 9) má? Então espere até conhecer a Marquesa de Merteuil!

Eu assisti Ligações Perigosas há muuuuuito tempo e, há algumas semanas, comprei o dvd. Baseado em um livro francês, conta a história da sedutora Marquesa de Merteuil (Glenn Close), que pede para seu ex-amante, o Visconde de Valmont (John Malkovich), seduzir uma moça recém-saída de um convento, Cecile (Uma Thurman) que vai se casar com outro ex-amante dela, que a deixou por conta de outra mulher. O visconde não se mostra muito interessado porque seu objetivo é seduzir a recatada Madame de Tourvel (Michelle Pfeiffer).

No desenrolar da história, sempre manipulados pela maldosa Marquesa, as personagens tomam decisões que, no final, se mostram trágicas.

O elenco é bárbaro!! Glenn Close está mais do que convincente como a Marquesa de Merteuil. Ela me fez pensar no que é mais maldade: você matar com suas próprias mãos, ou você conseguir convencer pessoas a fazerem isso, apenas usando o seu poder de persuasão? John Malkovich está PERFEITO como o sedutor-cafajeste; difícil não cair nas suas garras. Michelle Pfeiffer está no auge da sua beleza e comove com sua personagem tão frágil e atormentada pelas investidas do "don juan"...

Um filme maravilhoso, com elenco nota 10, com fotografia, direção de arte e figurinos incríveis!!

Sobre cães e gatos

Desde o final da semana passada, quando minha mãe viajou, estou na casa dela, de babá de cachorro. Esse tempo aqui, cuidando de duas cadelas, uma delas meio doentinha, tomando remédio, e dos dois bebês dela, que precisam ser alimentados o tempo inteiro porque a mãe não lhes dá mais bola me fez ter certeza de uma coisa: amo cães... mas minha maior paixão são os gatos!!

Enquanto cachorro é carente, precisa de atenção o tempo todo, gato é completamente na dele, blasé até o último pêlo, independente!

Quando casada tive apenas uma cachorrinha, e vários gatos (quatro, na verdade, mas não todos juntos na mesma época). Acho que o ritmo que levo, de faculdade, trabalho, atividades no Centro, me fizeram me acostumar, e querer, animaizinhos que não fossem tão dependentes, que não precisassem de mim o tempo inteiro com eles.

Não que isso signifique que eu corrobore com aquela lenda que gato se apega à casa, que gato não gosta das pessoas... os gatinhos que tive, e o Milo agora, me mostram exatamente o contrário: eles adoram que eu lhes dê atenção, cafunés e abraços... claro que no seu tempo, quando eles estão com vontade de receber atenção, cafunés e abraços, mas não é o ser-humano assim também?

Cães tem aquele jeito delicioso de nos receber quando voltamos da padaria (e ficamos 10 minutos fora de casa); os gatos, no geral, não estão nem aí se você passa o mês fora... Em compensação cachorrinhos exigem (não que todos façam, mas eu não resisto ao pedido) carinho o tempo inteiro; e os bichanos não lhe pedem essa atenção toda (engraçado... parece meio relação homem-mulher... rsrs).

Repito, amo cães! Mas prefiro animaizinhos que aceitem o meu tempo, e não tentem impor o seu... por isso os gatos são minha paixão!!

___________
Foto: cat, dog and rose, by akinna

24 dezembro 2008

Feliz Natal!

Sei que já comentei o que sinto no Natal, mas me deu muita vontade de desejar que o Natal seja do jeitinho que cada um de vocês deseja! Sei que nem sempre isso será possível, nem todos poderemos estar com quem mais gostaríamos de ter ao nosso lado essa noite, mas é a vida, é o que escolhemos, muitas vezes, e o que merecemos, definitivamente! rsrs

Que o aniversariante possa ser lembrado pelo menos por um milésimo de segundo nas próximas horas, e que cada um de nós tenha, ao nosso tempo, vontade de nos tornarmos uma pessoa melhor, para nós mesmos e para os que nos cercam.

Para "você" em especial, que anda por aqui e não deixa pegadas, saiba que pensei muito em você hoje, lembrando do quanto me fez feliz nesse dia, ano passado! Que seu Natal seja especialmente iluminado!!

____________
Arte: Merry Christmas, by dimant.

22 dezembro 2008

Momento Espírita: Evocações do Natal

É comum os hospitais, na semana que antecede o Natal, tentar mandar para casa o maior número possível de pacientes. No entanto, alguns sempre necessitam permanecer.

Esses são atendidos pelos médicos que se oferecem como voluntários para trabalhar na véspera e dia de Natal ou que obedecem à escala pré-fixada pela instituição hospitalar.

Naquele Natal, Rachel estava um tanto chateada. Por ser solteira, fora escalada para trabalhar naqueles dias, permitindo assim que seus colegas ficassem com seus cônjuges, filhos ou pais.

No dia de Natal, vários grupos de pessoas apareceram nas enfermarias e distribuíram lembranças aos pacientes. Contudo, ao cair da noite, eles se encontravam em suas casas.

O imenso hospital ficou em silêncio. Muitos leitos vazios. As poucas lâmpadas acesas nas mesas de cabeceira pareciam ilhas de luz na escuridão.

Rachel ia de um paciente a outro verificando o soro, indagando sobre sintomas, oferecendo medicamentos para a dor ou para dormir.

O Natal é uma época de muitas lembranças e vários dos pacientes desejavam falar sobre elas. Ela ouviu, naquela noite, muitas histórias.

Tristes umas, emocionantes outras. Até que chegou ao leito de Petey. Era um homem velho, a respeito do qual ninguém tinha bem certeza da idade.

Um andarilho, um desamparado. Nada mais trazia, quando chegara ao hospital, que a muda de roupa que o vestia.

Portador de enfisema crônico, os médicos o mantinham hospitalizado, evitando que ele retornasse ao frio intenso das ruas.

Era tímido e gentil. Alegrava-se por qualquer coisa e se mostrava agradecido pelos cuidados que recebia. Ele sorriu, ao vê-la.

Estendeu a mão, abrindo a gaveta da velha mesa de cabeceira, onde estavam guardados seus tesouros: um canivete, uma escova de dentes, uma lâmina de barbear, um pente, algumas moedas e duas belas laranjas, que ganhara naquela tarde.

Ele tomou de uma delas, estendeu para Rachel:

Dona doutora, feliz Natal.

Seus olhos demonstravam o enorme prazer que ele estava sentindo em ofertar-lhe a fruta. E, de repente, muitas lembranças acudiram à memória da médica.

Recordou de sua infância, dos Natais em que sentia essa mesma alegria em dar presentes. Algo seu. Especialmente preparado para a data, para alguém.

Tudo parecia tão distante. E tão perto. Lembrava-se de que tinha aprendido muitas coisas desde então, mas que também esquecera outras tantas.

Há muitos anos, seu avô lhe ensinara aquela mesma maneira de viver que Petey mostrava agora. Entretanto, ao longo dos seus anos de formação acadêmica, a voz de seu avô acabara sendo sufocada pelas vozes de seus familiares, de seus colegas, de seus professores.

Ela estendeu os braços e recolheu o presente, extremamente agradecida.

Feliz Natal, Petey. - disse comovida, os olhos cheios de lágrimas.

* * *

É preciso muito tempo até que nos conscientizemos de que os bens preciosos que temos para dar não foram aprendidos nos livros.

Também que a sabedoria de viver bem não é conferida aos alunos mais destacados nos estudos avançados.

Os verdadeiros professores andam por toda parte.

Basta saber colher as lições que sua sabedoria nos transmite, nos gestos desprendidos, simples, despojados.

Um gesto simples como estender a mão, sorrir, desejar feliz Natal.

Repartir o presente recebido, num gesto espontâneo de profunda gratidão.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. O sábio, do livro As bênçãos do meu avô, de Rachel Naomi Remen, ed. Sextante.
Em 15.12.2008

_________________
Foto: Butterfly, by ThisFallingLovex

Coisas boas

O que esperar de um domingo que começa com o sono sendo interrompido por choro de cachorro menos de 5h depois que você foi dormir?

Mas, desafiando os prognósticos mais pessimistas, hoje foi um dia muito gostoso e destacarei três coisas que o tornaram tão bom.

Meu amigo Wissam conheceu o blog hoje e não parou de tecer elogios. Claro que todos os amigos que conheceram o blog disseram ter adorado, mas o Wissam ficou tão empolgado, me elogiou tanto, que me contagiou, fazendo eu até pensar que tô fazendo uma coisa bacaninha mesmo :D

(Ok, para evitar ciúmes, esclareço que TODOS que dizem gostar do blog me deixam feliz, me deixam com um sorrisão bobo, mas ele foi o mais empolgado até agora. rsrs)

Bom, daí ele e a Vanessa, outra amiga querida, levaram uma pizza pra comer lá no meu trabalho (à noite). Tudo bem que esqueceram o refri e tivemos que comer à seco, mas foram companhias agradabilíssimas, me livrando de uma noite tediosa, atendendo ligações bobas e vendo o Fantástico.

E, por último, conversei muuuuuuito com o Murilo, meu sobrinho de 7 anos. Ele leu pra mim algumas coisas, pra mostrar que já é um mocinho alfabetizado, me contou da casa nova, do amigo imaginário, do presente que ganhou do pai, da Ana que não é namorada dele porque ele não tem idade pra isso (mas a Ana ganhou a homenagem de ter seu nome em um dos carrinhos novos dele!), contou das cachorrinhas, do gatinho que morreu, do cineminha que teve na sua casa dia desses, dos jogos no Playstation... Tudo recheado com tanta inocência e tanta vontade de falar comigo! Depois ainda teve o Gustavo, de 5 anos, que só pediu pra falar comigo pra me contar que está aprendendo inglês (e me disse uma frase em um idioma que mais me pareceu sueco - rsrs), disse que quer aprender espanhol... e disse que me ama, e me chamou de tia, coisa rara!

Enfim, tanta gente buscando felicidade em coisas tão distantes... e pequenos gestos ou atos temperados com amor nos fazem sentir o coração tão colorido!

________________
Foto: In love, by Emoboy

Blogs muito bacanas!

Há algumas semanas saiu uma matéria na Época sobre os 80 melhores blogs nacionais. Como leio a revista pela net e a matéria estava bloqueada, só hoje voltei a procurá-la e encontrei umas coisas meio óbvias, como Jacaré Banguela e Kibeloco, mas outras que adorei conhecer e comento aqui pra vocês. Na net, "só" ficamos conhecendo 49 dos tais 80 blogs. Aqui eu coloco os cinco que mais gostei.

Bicho amigo (www.bichoamigo.blig.ig.com.br)- Escrito por um zootecnista, o blog traz um monte de dicas legais sobre cuidados com nossos bichinhos de casa, além de matérias bacanas tiradas de outros sites. Uma delícia!

Manual do cafajeste (www.manualdocafajeste.com)- Como sou a favor do "feminino" e não do "feminismo" (mas isso é assunto pra outro post), tenho coragem de dizer que conheci esse site agora à noite e não pude deixar de rir do tom sincero do Cafajeste blogueiro... e de me envergonhar por me identificar com algumas mulheres das quais ele fala nos posts. Vale a pena dar uma olhada. Você irá adorar ou odiar. Indiferente sei que não ficará!

Papel pop (www.papelpop.com)- Eu tenho um vício do qual me envergonho muito... Leio trocentas vezes ao dia as fofocas que saem no ego.com. Me envergonho porque as matérias são toscamente escritas, cheias de erros ortográficos e de informações. E agora conheci esse blog que também tem a ver com notícias de celebridades mas é agradável, divertido, leve! Adorei!

Sexpedia (blogsexpedia.com.br/colunasexpedia) - esse eu já conhecia de algumas olhadas. Se você for lá esperando sacanagem, baixaria, te adianto que não é o lugar pra isso. A blogueira, uma jornalista da revista Galileu, fala mais de coisas curiosas e engraçadas relacionadas a sexo. Muito divertido e... instrutivo, eu diria!

Querido leitor (www.queridoleitor.zip.net)- Esse é o blog da Rosana Hermann, que talvez você conheça. Gosto muito dela desde que a vi apresentando um programa do qual nem lembro o nome e muito menos o canal (um desses menores, tipo Rede TV!). Acho-a engraçada, sensata. E seu blog é a sua cara. Com posts curtos e fotos bacanas. Gostoso de ler!


Para quem se interessar pela matéria, eis o link: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI17126-15224-1,00-OS+BLOGS+NACIONAIS+QUE+VOCE+NAO+PODE+PERDER.html

21 dezembro 2008

So this is Christmas...



Quem me conhece sabe que não sou uma fã ardorosa do Natal. Não desse Natal de consumismo, de bebedeira, de comilança.

Quando criança, e quando eu ainda acreditava no Papai Noel (sorry Sérgio, não acredito mais, mesmo!), era uma festa, até porque eu nunca achei qualquer pista que me fizesse achar que os presentes eram dados pelos meus pais. Mesmo quando o Papai Noel mandava recado dizendo que não poderia me dar exatamente o pedido! Ah, que bom ser inocente! rsrs

Anyways, um dia, cantando canções de Natal, no refrão "seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem", minha mãe comentou que era mentira, que o Papai Noel não ia nas casas pobres... e aí as coisas começaram a ter menos graça.

Mais tarde, na 2ª série, quando uma professora disse na sala que era mentira a história do Papai Noel, acabou pra mim aquela ilusão e o Natal começou a me entristecer mais ainda...

Pode parecer bobeira isso, frescura, mas, ao longo dos anos, venho descobrindo que tem mais gente que também acha o Natal meio deprê! Mas sei que também há aqueles que amam o Natal, e o seu clima. E quase gostaria de ser como eles...

Mesmo assim, tenho meu sonho de Natal perfeito: passado em um país com neve, um "white christmas" como da canção! Os costumes, os símbolos, a "cara" do Natal me pareceria mais real assim.

De qualquer forma, Natal mesmo é a data imposta pela Igreja Católica para comemorar (ah, uma longa história essa da invenção do aniversário de Jesus, quem quiser saber mais, pesquise ou me pergunte) e a gente cada vez mais esquece disso, do aniversariante do dia. O nascimento que temos que comemorar e esperar de Jesus é o surgimento dele em nossos corações, na necessidade que deve nascer, se ainda não existe, de nos tornarmos pessoas melhores, mais humanas!

Esse ano não passarei a data com as pessoas que mais amo. Decidi então que o passarei sozinha. Tudo bem, até porque trabalho até às 21h no dia 24 (pois é...). Mas sei que o aproveitarei bem. Com muito sorvete, minha maior exigência a mim mesma com esse calor de 40º de Foz do Iguaçu!

Assim eu escolhi o meu. Que o seu seja exatamente como você quer que seja, mesmo não sendo o primeiramente sonhado, mesmo sendo, como o meu, o adaptado. Mas que haja paz, que haja felicidade. E, se possível, que também haja espaço pro aniversariante do dia no seu coração :)

19 dezembro 2008

Vi: Antes de partir

Há alguns meses um amigo me falou desse filme. Na verdade, falávamos de céu e inferno dentro das religiões e ele comentou uma cena de "Antes de partir".

O enredo é o seguinte: Carter (Morgan Freeman) é um gentil mecânico com uma cultura (boa parte daquele tipo meio inútil) enorme que se descobre com câncer e que, durante uma estada no hospital para fazer quimioterapia, conhece o rabugento Edward (Jack Nicholson), o dono do hospital, também doente que, pelo que eu chamaria ironia do destino, caso acreditasse nisso, vai parar internado no mesmo quarto que ele.

Claro que, para ter um filme, dois tipos tão diferentes começam uma amizade baseada no diagnóstico comum de, no máximo, um ano de vida. A partir de uma idéia de Carter de fazer uma lista de coisas a se fazer antes de "bater as botas", os dois saem pelo mundo realizando seus últimos desejos. Safári na Tanzânia, jantar na Côte D'Azur, escalar o Himalaia, praticar skydiving, visitar as pirâmides do Egito... E é lá que os dois têm o diálogo comentado pelo meu amigo: Carter conta para Edward que os egípcios acreditavam que, para entrar no "céu", precisavam responder duas perguntas: Você foi feliz? E a segunda: Você fez as pessoas felizes? O filme aproveita essas questões do que é felicidade e de vida e morte (Carter é super-religioso e Edward é um grande cínico!) de forma leve, gostosa.

Além dos dois protagonistas afiadíssimos (alguém já viu um deles ruim em um filme?), o destaque é para o assistente de Edward (Sean Hayes, de Will & Grace) que tem tiradas hilárias o tempo todo!

Uma delícia de filme. Fui dormir às 2h mas sem estar com o sono pesando, feliz, de coração leve. Recomendo!

As possibilidades perdidas

Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, chamado Emilio Moura, teria completado 100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta, Drummond. Chegaram a mim alguns versos dele, e um em especial me chamou a atenção: "Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive".

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais.

(Martha Medeiros)

_________________
Foto: In your hands, by Romeo-Tango

17 dezembro 2008

E para você, o que é o amor?

Quando buscava a imagem para ilustrar o post anterior, me deparei com essa figura que escolhi e com o seguinte comentário e indagação da autora: "Amor incondicional é amor verdadeiro. E pra você, o que é o amor?"

Coloquei a figura do coração e fiquei pensando na pergunta...

Bom, amor incondicional pra mim é o verdadeiro (e daí vemos como, no duro, no duro, amamos poucas pessoas), mas não é assim que se define amor.

Aliás, amor não se define, amor se sente! Paulo Freire teria dito que "quem começa a entender o amor, a explicá-lo, a qualificá-lo e quantificá-lo, já não está amando". Pode até ser... Mas não concordo muito com ele. Talvez porque eu seja curiosa, porque eu queira entender porque amo e sou amada. Sei lá, pode ser insegurança, fraqueza pura... mas quero saber!

Amor pra mim é um monte de coisa junta: é respeito, é confiança, é carinho, é sexo gostoso, é beijo sempre apaixonado, é olhar encantado, é necessidade de sempre tocar o corpo do amado. Amor também é cumplicidade, é total sintonia de pensamentos, é chorar de saudade e rir de alegria junto a quem se ama. Amar ainda é acreditar, é arriscar, é saber que queda de qualquer altura pode ser fatal e, assim, escolher pular lá bem do alto! Amor é não ter medo de usar e atender por apelidos ridículos, é achar meigo ser chamada de qualquer "codinome" dado por quem nos ama. Amor é se achar linda ao se olhar no espelho depois de ser amada, mesmo com os quilinhos a mais, mesmo com os defeitinhos que você encontra e que o amado adora!

E muito mais do que isso também é amor!!

E muito menos do que isso, também pode ser descrito como amor por outros...

A única certeza, o ponto em que qualquer ser-humano concorda, é que todos buscamos amar e sermos amados de verdade e para sempre.

Ou será que você discorda?

___________________
Arte: Is this love?, by Forbidden

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.

João foi para o Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

(Carlos Drummond de Andrade)

________________
Foto: What is love? by Paranoia--7

In a very bad mood

Não estou de bom-humor hoje.

Acordei já sentindo o desconforto causado pelo sono, aparentemente, em má posição. A garganta foi começando a doer, a cabeça idem... Agora é aquele desconforto geral. Acho que é gripe chegando.

Vindo pro trabalho, no ônibus que é o mesmo que vai pras Cataratas, me irritei quando uma espanhola entrou já falando espanhol no ônibus, sem antes perguntar se o motorista e a cobradora falavam aquele idioma (sim! moro em fronteira, mas que obrigação qualquer um aqui tem de falar outra língua se não é exigência do seu trabalho?). Mas, afinal, o que eu tinha a ver com a espanhola (que era a cara da Fernanda Torres) falando com o povo da Transbalan na língua que fosse?!

Agora há pouco fui pegar alguma coisa pra comer e um moço decidiu tomar conta da escada-rolante inteira. Por que as pessoas não aprendem a não trancar o caminho? Em Londres, há tempos, aprendi com um amigo que a gente pára de um lado e deixa o outro vago pra quem tem pressa. Seria tão bom se isso fosse aprendido aqui no Brasil.

Aprender a dar espaço em escada-rolante?! Peraí, tem gente roubando donativos pra quem perdeu tudo que tinha de material e humano e eu querendo que aprendam a usar escada-rolante?!?!? Contei piada! Tem muita coisa que antes precisa ser aprendido nesse país!

(Tô aqui cruzando os dedos, ansiosa para que algo muito bacana aconteça e me traga um sorriso sincero aos lábios)

____________________
Arte: Bad mood, big glasses by paulorocker.

Li: As boas mulheres da China

Quanto valia, exatamente, a vida de uma mulher na China? Essa pergunta começou a me perseguir. A maioria das pessoas que me escreviam na rádio eram mulheres. Geralmente eram cartas anônimas ou assinadas com um nome fictício. Muito do que diziam me causava um choque profundo. Eu achava que compreendia as chinesas. Lendo as cartas, percebi como estava enganada. Elas viviam uma vida e enfrentavam problemas com que eu nem sequer sonhava."

Esse é um dos trechos do primeiro capítulo do livro "As boas mulheres da China", escrito pela jornalista Xinran. A partir da vontade de conhecer de verdade as chinesas, ela passa a entrevistar mulheres de rincões antes desconhecidos e recebe cartas de outras, contando de suas vidas, normalmente cheias de sofrimentos e sacrifícios.

Confesso que sempre achei a China um país estranho, com pessoas estranhas, com hábitos estranhos. Ao ler o livro, percebi que não fiz uma das coisas mais básicas para qualquer um que se diga interessado por culturas e povos diferentes: eu não respeitei a diversidade que existe no mundo, eu esperava que as coisas fossem como são no Brasil. E não é assim, cada lugar tem seus costumes. O que muitas vezes nos parece incompreensível, é apenas ainda não conhecido.

Muito do que passaram, e ainda passam as mulheres que contam suas histórias no livro, é relacionado com a Revolução Cultural que viveu o país do final da década de 1960 até o final da década seguinte. Triste ver como as chinesas foram menosprezadas, usadas, violentadas e desprezadas com a desculpa de ser por um bem comum que não era tão comum assim!

Que bom que nasci mulher, dessa vez, no Brasil. Sinceramente não sinto maiores dificuldades pelo meu sexo. Não arrisco dizer que elas não existam, mas, felizmente, não me alcançaram.

16 dezembro 2008

Tattoo!!

Decidi, finalmente, fazer uma tatuagem! Digo finalmente porque há tempos tenho essa vontade e fico escolhendo desenhos, pensando em qual ficará melhor no local escolhido!

Me decidi por um gatinho. Ainda não estou bem certa de qual desenho... Ok, quaaaase certa, mas definitivamente não é esse postado aqui!

Onde será? Também rolam dúvidas quanto a isso. Estou quase certa de que será nas costas. Basta resolver exatamente em qual altura!

Lógico que vou carregar alguém comigo pra ficar segurando a minha mão (se fiz pra forar as orelhas, imagina com tatuagem!).

Tô ansiosa, tô excitada, tô louca pra ver como ficará! Se gostar do resultado, a segunda já sei qual e onde será, direitinho!

JOGO RÁPIDO

Signo: Áries.

Estilo: O meu.

Time: Não tenho.

Cor: Azul.

Personalidade: Extrovertida, mas tímida.

Mania: Algumas.

Defeito: O maior é a intolerância.

Qualidade: Saber amar incondicionalmente.

Livro: O último lido, "As boas mulheres da China".

A melhor viagem: Para Portugal.

Serra, praia ou cidade: Praia.

O que você faz no seu momento romântico: Amo.

Relacionamento: Solteira.

Música: A de hoje: "Empty garden", do Elton John.

Lugar que gostaria de conhecer: Escandinávia.

Seu recanto: Meu quarto.

Plano de carreira: Ter uma carreira!

Cor que não entra na sua casa: Não sou supersticiosa.

Peça que nunca usaria: Sutiã com enchimento.

O que não falta na geladeira: Água.

O maior prazer: Meus sobrinhos.

O maior pecado: Inveja.

O que mais te incomoda: O medo.

Traição: Quem ama de verdade, não trai.

15 dezembro 2008

Gato "ladrão" cometia furtos misteriosos em cidade inglesa

Um gatuno irrecuperável, responsável por cerca de 35 furtos na cidade britânica de Swindon, foi desmascarado. O ladrãozinho tem apenas dois anos, chama-se Frankie e caminha sobre quatro patas.

O gato, segundo sua dona, é incapaz de se controlar.

"Ele sai e volta com brinquedinhos", afirma Julie Bishop, 52 anos, dona do bichano criminoso, em entrevista ao diário britânico "Daily Mail".

De acordo com ela, nos últimos 12 meses, Frankie trouxe para casa mais de 30 brinquedos, entre ursinhos de pelúcia e bichos em miniatura.

O curioso, segundo a dona, é que Frankie tem uma relação "canina" com os brinquedos. Após furtá-los, ele raramente brinca com o produto do "crime", preferindo armazená-los em um canto da sala de estar da casa de Julie.

Agora, a dona quer encontrar o dono dos brinquedos furtados pelo gato. Ela espalhou fotos do animal cercado pelos objetos pelos postes de Swindon.
_______________________
planetabizarro.com

14 dezembro 2008

Momento Espírita: A canção da sobrevivência

Existem pessoas que reclamam condições para a realização de tarefas. Há as que se desculpam por não mais terem progredido, galgado altos degraus porque lhes faltaram melhores oportunidades.

Entretanto, a engenhosidade humana não tem limites e quando o Espírito deseja, concretiza seus anseios, embora os embates de fora, as agressões, as adversidades.

Durante a Segunda Guerra Mundial, num imundo campo de concentração em Sumatra, um bando de mulheres magras e desnutridas foram se sentindo sempre mais fracas.

Até que idealizaram algo que as pudesse aliviar da tortura do aprisionamento e das péssimas condições de alimentação e higiene.

Foi em dezembro de 1943 que as prisioneiras principiaram a serem avisadas que suas colegas promoveriam um concerto.

Ao ar livre, em um espaço cercado, a multidão de crianças e mulheres se apinhou.

Alguém escreveu no chão sujo: orquestra.

As participantes foram entrando, uma após a outra, cada qual portando um banquinho e algumas folhas de papel.

Nenhum instrumento à vista. Estranha orquestra. Seria uma brincadeira engendrada pelos guardas brutais, com o fim único de abater o ânimo, já tão escasso daqueles seres sofridos?

Então, uma missionária presbiteriana, magra, de grossas lentes destacou-se do grupo miserável de vestidos remendados e gastos, de pés descalços, cabeças raspadas e ataduras nas pernas e nos pés, para cobrir as feridas.

Sua voz soou clara, como um arauto de boas novas: Esta noite vocês ouvirão um coro de vozes femininas produzindo música, geralmente executada por orquestras.

Fechem os olhos, imaginem-se num teatro imponente e ouçam a música imortal.

As prisioneiras passaram a imitar o som da orquestra. Num crescendo, as sinfonias invadiram o pavilhão.

Pelas mentes cansadas das mulheres que ouviam, as imagens se sucediam como por encanto. A Pastoral do Messias do compositor Handel evocou o Natal, um prelúdio do polonês Chopin reavivou lembranças de um amor que um dia existira na fase do namoro e do casamento de muitas delas.

O som de violinos podia ser ouvido. Em certo momento, o guarda de baioneta no rifle, furioso, investiu contra o grupo.

No exato momento, o coro atingiu o auge de sua apresentação e ele permaneceu imóvel, como que hipnotizado pelos acordes vocais.

Por mais três ou quatro vezes, o coro fez concertos. A música lhes renovava as esperanças e o sentido de dignidade humana.

Quando cantavam, esqueciam que se encontravam num campo de concentração, entre ratos e mau cheiro.

Suas almas alçavam o vôo da liberdade e em suas asas conduziam as companheiras.

Além das cercas, dos maus tratos elas andavam nos campos, aspiravam o perfume das flores, adentravam salões de festa, teatros e participavam do grandioso concerto.

Seu canto as levava para muito além dos muros, da miséria e do desamor.

* * *

Você tem na garganta uma flauta mágica, disposta por Deus, para a modulação da canção da paz.

Use-a, todos os dias, para executar a sinfonia da esperança aos ouvidos dos aflitos e ciciar doces melodias para os corações em desesperança.

Una-se a outras vozes e à orquestra divina que se chama amor.
_____________________________
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Canção da sobrevivência, da Revista Seleções do Reader´s Digest, de fevereiro de 1998.
Em 11.12.2008.

Foto: Rosy Butterfly by Secondclaw

13 dezembro 2008

Pneumotórax


Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
— Respire.

.....................................................................................

— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

(Manoel Bandeira)

"A vida inteira que podia ter sido e que não foi"... Um dos meus versos preferidos!

12 dezembro 2008

Compras no Paraguai

Hoje fui até Ciudad del Este, a cidade paraguaia que faz fronteira com Foz, acompanhar minha mãe na compra de algumas lembrancinhas de Natal.

Na volta, quando conversava com um amigo que não conhece o Paraguai e me fez uma pergunta sobre o comércio de lá, me peguei pensando em um monte de "cositas" que, provavelmente, são curiosidades comuns de quem ainda não esteve lá e outras futilidades, e resolvi falar delas aqui. Não é um guia rápido de compras! Mas acho que são levemente interessantes...

1º) Ciudad del Este é logo ali. É cruzar a Ponte da Amizade e se está no centro comercial da cidade. É curioso porque, normalmente, centro da cidade fica... no centro da cidade! O que não acontece na vizinha.

2º) A moeda oficial do país é o guarani e o câmbio é mais ou menos assim: R$1 = G$ 2500. Não, não digitei zeros a mais, é isso mesmo. Anyways, em praticamente parte alguma do centro comercial destinado aos turistas você encontrará os preços em guarani, mas caso encontre, calma! Infelizmente a moeda dos vizinhos é super-desvalorizada.

3º) Se vai gastar muuuito dinheiro, compensa levar dólar. Se são coisinhas mais simples, vá com real mesmo pra não perder dinheiro na compra e, posteriormente, na venda da moeda estrangeira que sobrar.

4º) Importantíssimo! Quando for encomendar alguma "coisinha" do Paraguai para aquele amigo/parente/conhecido que mora em Foz, tenha certeza de ser amado pela pessoa: 1 em cada 5 moradores de Foz gosta de ir ao Paraguai! Os motivos são vários, desde o tumulto que é por lá, até a sujeira das ruas, passando pelo perigo de ser roubado... Então, quando pedir que o iguaçuense "dê uma olhadinha" em uma câmera digital no Paraguai (para depois ele voltar outro dia para comprar!) saiba se mora realmente no coração do dito-cujo.

5º) Caso esteja em Foz e seu anfitrião se ofereça para acompanhá-lo por lá (ou você o convidar), por favor, é gentileza oferecer uma lembrancinha, né? Descubra o que agradaria seu cicerone e presentei-o ali mesmo! Não tem quem não goste de presente!

6º) Pesquise, pesquise, pesquise! Desconfie de preços muito baixos ou díspares de outras lojas. Não pense que passará a perna em alguém ali comprando um produto super-barato... preciso dizer quem será o trouxa da história?

7º) Coma chipa! Procure um vendedor que as traga embrulhadinhas, bonitinhas e se delicie com uma especialidade paraguaia!!

8º) Com dinheiro é uma maravilha ir ao Paraguai! TUDO que você imaginar você encontra lá! Hoje o que mais me encantou foi um presépio (meu sonho de consumo natalino!) feito como se fossem pequenas matrioshkas!!

No mais, é ir com espírito aventureiro, não pensando que encontrará coisas boas absurdamente baratas e nem que só existe porcaria no comércio de Ciudad del Este. Tem muita loja bacana, muita coisa bacana que está ali pra ser descoberta por mais um comprador curioso.

Com você vou até o fim do mundo!

ThamareNha: li uma frase ki me lembrou o caçador de pipas
ThamareNha: com voce vou até o fim do mundo!
Sheila: isso é lindo, né?
ThamareNha: sim
(...)
Sheila: fiquei pensando aqui... pra qtas pessoas vc diria, firmemente, "com vc vou até o fim do mundo"?
ThamareNha: axo ki poucas...
Sheila: sim, por isso é tão lindo e tão forte!

A Thamara é estagiária lá na Secretaria de Turismo. Quarta-feira pela manhã descobrimos que as duas estávamos lendo o mesmo livro, "A cidade do sol". Foi nele que ela leu "com você vou até o fim do mundo!". Essa conversa aconteceu ontem no comecinho da noite, no MSN.

Eu também diria para poucas pessoas "com você vou até o fim do mundo", porque vejo a entrega dessa "promessa/compromisso", como algo muito ligado a dizer "eu te amo".

A gente tenta aprender a amar a todos, mas são poucos os que ocupam incondicionalmente nosso coração. Quando se declara um amor, a responsabilidade nisso é tão grande! Como nos entregamos depois de ouvir um "eu te amo" que soa sincero!

E, da mesma forma, dizer que se vai até o fim do mundo só pode ser dito, só deveria, pelo menos, ser dito, quando é verdadeiro, quando se está de malas prontas para seguir quem amamos.

A esposa que aceita deixar seu emprego para seguir o marido que conseguiu um emprego melhor em uma cidade distante. A mãe que, preocupada com os filhos estudando fora, vai visitá-los sempre que pode, levando sua presença amorosa para um apartamento aonde a pia raramente está sem louça suja. O filho dedicado que cuida dos pais doentes na velhice...

E o fim do mundo não precisa ser na Terra do Fogo! O fim do mundo é qualquer lugar distante da nossa realidade segura! Para a mulher apaixonada que vive tranquila em Matelândia, ir morar em São Paulo, para seguir o homem amado, é ir até o fim do mundo!

Claro que não tem nada de fácil ou de simples nisso. As mudanças costumam apavorar a maioria de nós, mas não deveriam nos petrificar se estamos fazendo isso com quem amamos.

Sei que quando disse que iria até o fim do mundo com quem amo eu fui completamente sincera. Quero crer que direi outras vezes isso (e que irei definitivamente!). Não sem medo e muito menos tranquila, mas certa que meus amados merecem o que lhes faço!!

Para quantas pessoas você diria, firmemente, "com você vou até o fim do mundo!"?
_________________________
Foto: Holding hands by orangevolvogrl86

10 dezembro 2008

Li: Hablar por hablar

Esse é espanhol. O primeiro livro que comecei a ler dentre os três comentados, e o último a ser terminado, provavelmente porque não segue uma história linear (na verdade são várias histórias), o que me permitiu poder lê-lo de pouquinho.

Hablar por hablar é um programa de rádio madrilenho que é transmitido da 1h30 às 4h. Sua premissa é ouvir o que as pessoas que ligam têm a contar. O livro foi escrito pela apresentadora do programa, a jornalista Mara Torres e traz os casos mais interessantes do programa, algumas histórias mais engraçadas, e depoimentos marcantes.

A parte dos depoimentos foi a que mais gostei. A mulher que liga para contar que abandonou o homem com quem tinha um caso há 15 anos. A senhora que liga para contar sua história de amor e o seu primeiro retorno à casa aonde vivia com o marido que morreu há seis meses. O rapaz soropositivo que, no jantar de Natal, tem seu lugar demarcado pela própria mãe por copo, talheres e prato de plástico para não contaminar a família. O moço que liga para contar como é cuidar da mãe que tem Alzheimer. O outro rapaz que, com 24 anos, descobriu que tem um tumor no cérebro e, no máximo 3 anos de vida, mas não tem coragem de contar para os pais e a namorada para que eles não sofram (e, no entanto, ele sofre!)... Histórias muito emocionantes.

Enquanto lia o livro e, principalmente ao terminá-lo, que deu vontade de poder ouvir o programa, de ouvir mais! Afinal, descobri em mim um lado "voyeur auditivo" que não conhecia!

Li: A cidade do sol

Sou uma das milhares de pessoas que leu "O caçador de pipas", escrito pelo médico afegão naturalizado estadunidense Khaled Hosseini.

Como a imensa maioria, gostei muitíssimo do livro, tanto que ele foi o primeiro que consegui ler direto do pc, sentadinha na frente do monitor (justo eu, que gosto de ler deitada no chão, esparramada na cama, esticada no sofá...).

Há uns meses minha mãe comprou "A cidade do sol", o segundo livro de Hosseini e, depois de começar a lê-lo também no pc, acabei deixando de lado a leitura. Ontem recomecei a ler o livro (dessa vez, o de papel) e só o larguei do começo da tarde, quando terminei, em lágrimas, a última página.

Como no primeiro livro, os protagonistas são afegãos. A história começa em 1959, com o nascimento de Mariam, a filha bastarda de um rico empresário. Muitas coisas dolorosas acontecem a ela, até que, aos 33 anos, ela conhece Laila, menina de 14 anos com quem travará uma amizade muito especial.

Quando eu leio Khaled Hosseini eu me pego pensando na sensibilidade dele para falar dos sentimentos humanos: do amor, do medo, da raiva... O autor tem uma delicadeza, uma forma tão suave de descrever a todos que é o que mais me emociona em seus livros! E existe a redenção que chega a alguns personagens. Como em "O caçador de pipas", são essas as partes que mais me emocionaram.

Hosseini também fala de como foi durante tantos anos de guerras internas a vida no Afeganistão. Violência, miséria, desespero, insanidade... Uma brutalidade de atos e situações que são muito tristes de imaginar vindo de seres humanos para com outros seres humanos! A verdade é que a gente sabe muito pouco das dores pelas quais passam irmãos nossos em outras partes do planeta (mas a gente sabe das dores aqui do nosso lado?).

O título original do livro, "A thousand splendid suns" (mil sóis esplêndidos) faz parte de um poema que fala de Cabul e, assim como o livro, é uma declaração de amor para aquela cidade, apesar e principalmente por tudo que ela é e já passou:

"não se podem contar as luas que brilham em seus telhados,
Nem os mil sóis esplêndidos que se escondem por trás de seus muros."

Recomendo Khaled Hosseini. Definitivamente lerei os outros livros que ele escrever!

Li: Dez (quase) amores

Me interessei por esse livro de cara e o li de um dia pro outro! Foi ler a apresentação dele, feita pela Martha Medeiros que decidi comprá-lo (custar R$ 12,00, confesso, foi um plus!).

Martha começa assim a falar do livro: "O homem dos seus sonhos não cometeria a deselegância de se chamar Dejair ou usar alpargatas. Você morreria antes de pensar em ser infiel. Não passa pela sua cabeça namorar alguém que você não goste. E homem casado, nem pintado de ouro. Mais baixeza que isso, só participar de suruba. Bem-vinda ao clube das mulheres que só estão esperando uma boa oportunidade para mandar suas teorias às favas e passar a viver da vida como ela se oferece."

Pois é, Claudia Tajes nos apresenta Maria Ana, personagem que conta seus dez (quase) amores desde a 5ª série até os 30 e poucos anos. Nesse tempo, seus conceitos e "crenças amorosas" vão mudando e se adaptando à realidade da sua vida. Impossível não se identificar em uma (duas ou três, vá lá!) histórias ali lidas.

Sempre com muito humor (a passagem que a mãe dela conta como a viu na tevê durante um sequestro é impagável!), a gente ri, mas também se emociona, pensando na nossa vida amorosa, percebendo que a vida sentimental da Maria Ana, não é muito diferente da nossa, que os desejos dela, são bem parecidinhos com os nossos, modernas balzacas.

O que você está lendo?

Ler está entre as minhas coisas preferidas! Sabe aquele negócio de, no começo de uma conversa, quando te perguntam "e o que você gosta de fazer?"? Eu sempre respondo que gosto de ler (e de cinema!).

Nesses primeiros 10 dias sem aula, eu fui meio desesperada e só hoje terminei dois livros. E terminei um outro segunda-feira.

Apesar de falar em "desespero", eu os li no meu tempo: com um deles estou há três semanas, mas o que terminei segunda, comecei a ler no domingo! Mas os li saboreando-os, e aí é que encontramos prazer na leitura! Parando para respirar depois de passagens mais emocionantes, relendo a parte que especialmente nos toca, fechando o livro e se permitindo uma lágrima quando se sente a necessidade dela.

Claro que muita coisa a gente lê porque TEM que ler, e é assim diariamente: os jornais, as revistas, as placas, no orkut, os emails... mas também é preciso que haja a leitura pela leitura; não buscando o sentido da vida, mas buscando sentir mais a vida!

Nos posts a seguir falarei de cada um dos livros que li recentemente.

Mas, e você? O que está lendo?

08 dezembro 2008

Caio Fernando Abreu (1)

Caio Fernando Abreu foi um escritor e jornalista gaúcho que morreu em 1996, com apenas 47 anos. Eu o conheci em um momento de muita dor, através da Martha Medeiros (\o/) e fui vendo que muitas coisas do que ele escrevera iam ao encontro do que eu pensava e sentia.

Segue abaixo um pouquinho do Caio. Com algumas coisas concordo, com outras discordo e há ainda as que me fazem rir por conta da ironia que contém. Que vocês também gostem dele :)

"O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS de se ter quem morreu. E dói mais fundo - porque se poderia ter, já que está vivo(a), mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER."

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'."

"Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo porque digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora."

"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar."

"Tenho dias lindos, mesmo quietinhos."

"Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva".

"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."

"Ah, então foi pra ele que eu dei meu coração e tanto sofri? Amor é falta de QI, tenho cada vez mais certeza."

"Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis."

"Meu coração tá ferido de amar errado."

"Não, meu bem, não adianta bancar o distante
lá vem o amor nos dilacerar de novo..."

07 dezembro 2008

Vote Cataratas!

Em 2003 ou 2004 acompanhei uma simpaticíssima equipe do canal de tevê italiano RAI que gravava um programa de turismo aqui em Foz. Lá pelas tantas, visitando as Cataratas do lado argentino, um dos produtores, quando chegamos na Garganta do Diabo, o mais impressionante dos saltos, me disse: "É nessas horas que nós temos certeza que Deus existe!".

O que ele sentiu todos sentem quando vêem pela primeira vez as Cataratas do Iguaçu. É maravilhoso! Mesmo morando aqui há 18 anos, ainda me emociono em passeios que faço ao parque nacional.

As Cataratas estão concorrendo a uma vaga entre as 7 novas maravilhas da natureza. O páreo é duro. Há lugares lindíssimos concorrendo mas as Cataratas merecem estar entre as 7!

Esse "post-jabá" é para pedir que você vote pelo site www.votecataratas.com com todos os emails que possua!

Não tem sorteio de prêmio no final nem nada, mas pros amigos, ofereço hospedagem gratuita quando tiverem coragem de chegar aqui aonde Judas já chegou descalço (sim, porque as botas ele deve ter perdido lá por Cascavel!) e se encantou com a beleza natural da região!

Sob o céu estrelado

"We go waiting for the stars
To come showering down
From Moscow to Mars
Universe falling down"
(Erasure)

Logo que comecei o blog dormi um dia na minha mãe, no quarto do meu irmão. Sabe aqueles adesivos de estrelas fluorescentes? Ele tem o teto do seu quarto forrado com elas. E não só estrelas! Estrelas, cometas, Saturnos, luas crescentes, foguetes, cupidos (sim, sim, encontrei pelo menos dois cupidos passeando pela espaço sideral do teto do meu irmão!).

Eu amo esses tetos estrelados! E amo mais ainda céu estrelado!! Quando viajo à noite, aproveito os raros momentos em que não estou dormindo, para abrir de leve a cortina e ficar olhando pro céu, tentando identificar alguma estrela (meu conhecimento é suuuper-reduzido, mas sou dedicada!) e vou longe nos pensamentos.

Deitei muito em calçada na minha infância pra olhar o céu estrelado quando a luz acabava e acho que hoje em dia poucas pessoas fazem isso. Tudo bem que nas cidades é praticamente ver as estrelas, mas elas sempre estão lá e é tudo tão grandioso! É fácil perder a noção do tempo nisso, ou contando estrelas (uma atividade infinita que minha mãe transformava em jogo para nos entreter... e manter calados e quietinhos na infância!), mas é algo tão mágico, tão romântico, tão especial!

Hoje por aqui o céu está nublado (ojalá llueva!) e as estrelas escondidinhas...

E você? Já olhou o céu de sua cidade hoje?

_____________
Arte: Stars by Phantom-Seraph

06 dezembro 2008

Sem limites pra sonhar

Há uns três anos uma amiga me deu nove ou dez cd's que ganhara do, agora, ex-namorado.

Nunca ouvi todos eles, peguei um ou outro e não gostei das músicas (que eram canções da época da primeira vez que namoraram, há uns 25 anos). Hoje procurava um cd que não tivesse músicas que me marcaram e decidi por um cd com músicas que marcaram outros! Começou com Maná, rolou um Djavan... e aí começou "Sem limites pra sonhar", que o Fábio Jr cantou com a Bonnie Tyler em meados dos anos 80!

Eu AMAVA essa música na época e me peguei cantando com os intérpretes e vendo que a letra é bem linda. Eu queria colocar o clipe aqui, mas como um problema técnico me impede (na verdade não sei se sou eu ou meu pc já velhinho que não consegue passar clipes do Youtube pro formato possível aqui).

Segue a letra e a capa do single na época. Alguns podem se arrepiar e achar brega, mas eu admito que adoro!!

E dedico pra queridíssima Kátia que é fã de carteirinha do Fábio (ela só o chama assim, é íntima demais pra precisar falar o nome completo! rsrs)!!

Sem Limites Pra Sonhar
Fábio Jr e Bonnie Tyler
Composição: M.Perez, C.Gomez, R.Giron, C.Rabello

Há uma chance
Da gente se encontrar
Oh! Há!
Há uma ponte prá nós dois
Em algum lugar
Ah! Ah!
Quando homem e mulher
Se tocam num olhar
Não há força que os separe...

Há uma porta que
Um de nós vai ter que abrir
Oh! Há!
Há um beijo que ninguém
Vai impedir
Não vai!
Quando homem e mulher
Se deixam levar
E fácil viver mais...

Há uma estação
Onde o trem tem que parar
Tô na contramão
Te esperando prá voltar
Prá poder seguir
Sem limites prá sonhar
Pois é só assim
Que se pode inventar o amor...

There's a story which is
Waiting for the heart to write
I'm going crazy here
Just wanting you to close
Up the night
When the love in a woman
Finds the love in a man
There's nothing too
Precious to hold it...

The door is open for the first
Time when your heart returns
In the silence of
A kiss we will burn
When the heat in a woman
Finds the heat in a man
The flame burns forever...

There'll come a time, my love
When the searching has to end
I'm on the wrong-way street
I need more than just a friend
And I'm standing here
Just trying to touch the stars
Nothing else to lose when you're
Reaching for the infinite heart...

Olhando para o próximo

Hoje passei por uma experiência muito tocante!

Tinha comentado com a minha mãe que queria neste final de ano dar uma cesta básica para alguma família realmente necessitada e aí ela contou que tinha dois alunos bem pobrezinhos: um que há poucos dias fora atropelado quando andava de bicicleta com dois irmãos e que tinha um terceiro irmão adolescente com problema cardíaco, e outra aluninha que tinha vários irmãos e não tinha pai.

Saímos cedo pro supermercado e resolvemos montar nossas cestas básicas. Incrementamo-as com um frango, bolacha recheada, chocolate Bizz (como se escreve? rsrs), achocolatado e leite. Daí rumamos atrás da casa das crianças (pois é, não sabíamos exatamente onde era.. só que era perto da escola!).

Custou mas encontramos as casas. A do menininho encontramos só com os irmãos maiores. O doentinho estava lá e foi de cortar o coração ver um piá adolescendo e tão frágil, tão visivelmente debilitado...

Mas na segunda casa, a da menininha, foi mais triste ainda. A mãe é doente e tem sete filhos, sendo que com ela moram cinco (o mais velho mora em outra cidade, outro está no centro de correção de menores). Que pobreza! Era hora de almoço e as crianças tomavam café preto comendo pão seco! Uma casinha bem miserável, onde ela mora de favor. Um filho de 3 anos foi atropelado ano passado por uma moto e tem a cabeça e o lado esquerdo do corpinho ainda com as marcas do acidente. Na hora de vir embora, quis beijá-los e recebi abraços tão amorosos, beijos tão calorosos!

Saí de lá com muita vontade de chorar. Pensei em crianças que pedem brinquedos tão caros que deixarão de lado antes do Ano Novo, pensei nas listas infinitas que fazemos de presentes... e aquelas crianças ali agradeceram por receber comida!

Pra mim Natal é o aniversário de Jesus. Participo das festas mas, confesso que não é o que eu gostaria de fazer. Esse ano tenho menos vontade ainda de comemorar! Daí eu queria sugerir que cada um que lesse aqui, fizesse alguma coisinha por alguém mais necessitado agora no final do ano. Porque criança não entende que Papai Noel não visita os lares pobres! Uma caixa de bombom enrolada em papel de presente já causará sorrisos, tenho certeza (dia desses vi uma vendedora dizendo isso: que criança adora qualquer coisa que venha embrulhado pra presente... e me toquei de que é realmente verdade!)!

Então, faça um pouquinho por pessoinhas que têm menos do que você! Definitivamente é o tipo de presente que Jesus agradece!
________________________
Foto: Railroad Kids by protogeny

Sou mulher

Encontrei no orkut de uma amiga minha e achei uma definição linda, na qual me encaixo. Infelizmente ela desconhece a autora.

"Não sou bela nem feia
Sou mulher
Vivo entre sonhos
e emoções
sei o que busco
amor e poesia
vida e magia
Não sou triste
apenas sinto saudades
Sou atrevida com a vida
a quero inteira
Sou mulher
não frágil
apenas delicada
Tenho fé
Não aceito
Porta entreaberta
Nem sorrisos pela metade"

_________________
Foto: Woman by niko07

05 dezembro 2008

Amo pessoas

Amo pessoas que acordam no meio da noite, só para escutar o barulhinho da chuva no telhado, elas sabem ouvir o canto de Deus...

Amo pessoas que fazem do presente um caminho para o futuro, com algumas trilhas secundárias e até alguns atalhos, elas entendem de liberdade...

Amo pessoas que escrevem sua história sem ignorar os borrões, mas fazendo deles um lição de vida, elas jamais serão esquecidas...

Amo pessoas que posso chamar de amigo. Elas enfeitam dia a dia o caminho que trilho, vêem minhas qualidades, mas defeitos também e ajudam-me a superá-los…

Amo pessoas que sabem conviver, tolerando o que for intolerável, encontrando uma justificativa para resgatar a harmonia, elas entendem de perdão...

Amo pessoas de todas as idades, essas que não sabem a idade que têm, que são, velhos, adolescentes, crianças, elas sabem se encaixar no tempo....

Amo pessoas que quando perdem a fé, engravidam o coração e conseguem parir um novo, para ensinar e aprender!

Amo pessoas que cantam no chuveiro, que olham o espelho, se acham lindas e sorriem para a imagem devolver o sorriso, elas com certeza receberão sorrisos, sem espelho...

Amo pessoas que valorizam riquezas do espírito e ignoram a miséria das almas, elas entendem que pobre á aquele coitado, que só possui bens materiais.

Amo pessoas que cuidam da natureza, que espalham sementes, plantam árvores e florescem o mundo, elas colherão frutos doces, independente das estações...

Amo pessoas de mãos generosas no doar, no afeto e no oferecer, elas entendem que o presente fica em parte com quem recebe, mas mais com quem doa...

Amo pessoas que não têm medo de se arriscar, de mudanças, de finais sem recomeço. Elas jamais dirão: Como seria, se eu tivesse tido coragem...

Amo pessoas que ficam olhando o horizonte de bobeira, que deitam na grama para olhar nuvens passar ou contar estrelas, elas conhecem e muito, de paz....

Amo pessoas que não gostam de julgar, gente preguiçosa que lega a Deus essa tarefa, elas sabem que Ele resolve tudo, no tempo Dele e não no delas....

Amo pessoas que misturam pais, filhos, netos, primos, tios, avós, que brigam, se desculpam e que não se separam, elas sabem a importância da família...

Amo pessoas que escutam passarinho quando canta, que olham o sol quando levanta e que brincam de faz de conta como criança, elas sabem que ser feliz é simples...

Amo pessoas que estimam os animais, sem olhar a raça, que afagam suas cabeças como um amigo, elas sempre serão recebidas com uma lambidela de carinho....

Amo pessoas que soltam bolinhas de sabão, pipas coloridas e param para escutar a música do realejo, elas brincam com a criança interior da alma e a impede de crescer...

Amo pessoas que iluminam o olhar diante da pessoa amada, que beijam na boca e não estão nem aí para a platéia, para julgamentos, ou ridículo, elas amam amar o amor...

Amo pessoas que não sabem odiar, que falam com anjos em qualquer lugar e sabem que eles ouvem, tanto que me pediram para escrever: QUE ELES TAMBÉM AS AMAM!

(Lady Foppa)
______________________
Foto: Bubbles by syd-aney

Um basta à ditadura da escova progressiva!

Eu tenho birra de prancha e tudo quanto é tratamento radical pra alisar cabelo!

Por quê? Se alguma cabeleireira me fez mal? Se alguma prancha me feriu? Não, mas eu me revolto de ver todo mundo com o cabelo igual!

Uma coisa é o corte de cabelo da moda: eu e um monte de gente já usou cabelo que nem o do Chororó (não que vocês verão um dia uma foto que comprove isso!) e outros mais, mas... alisar o cabelo, ficar todo mundo com cabeleira de japonesa!

Atualmente conto nos dedos as amigas/colegas/conhecidas/parentas que não fizeram alguma coisa pra alisar as madeixas. E cada cabelo tão lindo! Tem minha colega de faculdade que tem os cabelos ruivíssimos e ondulados lindamente. E até ela fez escova de não lembro o quê pra deixá-los lisos... que dó!

Tenho paixão por cabelos cacheados! Acho-os lindos! Confesso que há química no meu: faço relaxamento pra abaixar o volume, e é só isso que ele faz porque meu cabelo, em momentos mais dramáticos, parece o da Gal Costa na fase "Meu nome é Gal".

Confesso também que amo escova e faço sempre que posso ou a ocasião convida... mas não é radical, não é permanente... e eu peço que haja cachos!

Acho que a coisa mais bonita que nós mulheres podemos ter é uma identidade pessoal, a possibilidade de usarmos muitas vezes roupas iguais, mas sermos únicas. E cabelo é tão pessoal! Olhe ao seu redor! Quantos cachos você encontra? Por que todo mundo quer ser tão parecido?

Além do mais, nem fica tão bonito assim! A maioria consegue é um resultado pior do que de pranchinha mal feita! E quando começa a crescer então?

Mulheres de todo o mundo, uni-vos e deixeis seus cabelos ao natural!
_________________
Arte: Curly Hair by ~4point5

03 dezembro 2008

Free at last! (pelo menos até segunda ordem)

As últimas semanas têm sido tão corridas que hoje, ao entrar no banho, pensei nos livros que peguei na minha mãe e depois pensei que não poderia começar a ler nenhum porque... porque... Ei, peraí! Eu posso sim! As aulas terminaram (aparentemente passei em todas as matérias), a evangelização só volta em fevereiro, dei hoje a última palestra do ano no Centro... Eu tô de férias!!

Bom, claro que não são "aquelas" férias: tenho que trabalhar todos os dias, inclusive nos finais de semana, em alguns dias acordar bem cedo... Mas aquele compromisso com coisas que me exigiam estudo, não terei por enquanto!

Por outro lado, tô bem chateada porque, afinal, meus sobrinhos chuchus não virão passar o final do ano aqui no Paraná. Já chorei por conta disso (aff, como tenho chorado nos últimos dias!) mas sei que é daquelas coisas que não po$$o mudar. Se estivesse ao meu alcance, mandaria as passagens para eles agora mesmo, mas não é tão simples quanto no meu coração. Desisti então dos dias de folga que poderia ter agora no Ano Novo e deixei para tirar em uma outra ocasião e, por isso, as "vacaciones" serão por aqui mesmo.

Mas eu tô livre! Posso ler até às 2h da madrugada, ver os seriados que gosto e que passam tardão no SBT (tipo Cold Case, de quinta pra sexta-feira)... Posso ainda andar com os livros que QUERO ler e não que DEVO ler...

Free at last, free at last (pelo menos até segunda ordem).

Dona Cecília

A dona Cecília é a secretária do lar da minha tia que sempre faz festa quando meu pai vem pra Foz.

Hoje ela pegou carona conosco depois que visitamos a minha avó. E foi muito divertido demais! A D. Cecília tem uns 60 anos, é pequenininha, morena, tem uma voz alta, meio esganiçada e fala de forma decidida os nomes "levemente" alterados: minha tia, a patroa dela, se chama Lívia. A D. Cecília está com ela há uns 10 anos e a chama de Olívia. Outra tia se chama Eliana mas para a D. Cecília é Eliane...

Ela fica olhando para uns meninos que têm idade dos netos delas no caminho, e pior, mexendo com eles: "'óia' que chuchuzinho, vem com a mamãe, nenêm!", "Sheila, 'óia' que moreno lindo aqui do lado! 'Óia' aqui gatinho!". Chegando aqui em casa ela soltou uma que o rapaz da van não pode deixar de rir ao escutar: "Gente, 'óia' que homão bonito, espia só!". Claro que caímos na gargalhada.

A D. Cecília adora plantas e é supersticiosa com elas: manjericão não "vinga" com muita gente colhendo as folhas, tem que ser uma pessoa só! Mas a melhor que ouvi, e que ela bateu o pé de ser verdade, é que a erva-cidreira seca quando mulher menstruada colhe suas folhas.

Eu a admiro muito porque já passou por poucas e boas na vida: criou os filhos sozinha, teve filha assassinada de forma muito triste... Mas ela continua firme, forte, decidida a ser feliz!

Último diálogo nosso hoje:
- Sheila, desculpa as 'brincadeira', tá?
- Imagina, d. Cecília, eu adorei!

E adorei mesmo. Muito bom poder rir assim!
___________________________
Foto: Flower on Berries on Black by *sourcow

Momento Espírita: Um grande amor

Vocês conhecem o Momento Espírita?

O Momento Espírita começou como um humilde programa de rádio, em Curitiba, servindo como "pequenas doses" de mensagens com fundo espírita (ou simplesmente cristão) há alguns anos e hoje pode ser ouvido em várias rádios pelo Brasil, além de lido, em livros que compilam várias histórias ou cd's que trazem as mensagens veiculadas pelo rádio.

Resolvi postar de vez em quando aqui uma mensagem de lá que tenha a ver com meu estado de espírito, com o que ando sentindo... A dessa semana consegue tratar de dois sentimentos meus em uma única mensagem.

Para os que tiverem interesse, visitem o site www.momento.com.br

Ah, as borboletas sempre estarão nas mensagens do Momento Espírita porque são o símbolo do programa!

Stella estava sentada na sala. Era inverno. Mas o maior frio que ela sentia vinha de dentro. Da alma.

Jamais ela sentira tanto medo da tempestade, dos ventos gelados e da chuva. É que agora estava sozinha.

Seu querido David havia morrido há 3 meses. Ela jamais poderia imaginar que sentiria tanto a sua falta.

Desde que o diagnóstico de câncer terminal chegara, ela se preparara para a morte dele.

Ele também. Homem organizado, deixara toda a papelada em ordem.

Dinheiro não lhe faltaria para as necessidades. Ele pensara em tudo.

Mas a ausência dele era terrível. Ao terceiro toque da campainha, ela se levantou para atender a porta.

Antes, olhou pela janela, um pouco desconfiada. Afinal, havia tantos assaltos.

Era um rapaz com uma caixa grande. Viu o carro de entregas estacionado em frente ao portão.

Abriu a porta e o ar gélido entrou, tomando conta da sala inteira.

É a senhora Araújo? -perguntou o funcionário.

Ao sinal afirmativo de Stella, ele pediu licença para entrar e colocou a caixa no meio da sala.

Antes que pudesse indagar qualquer coisa, o entregador, jovial, foi explicando:

A senhora nos desculpe. Era para entregar somente na véspera do Natal. Porém, hoje é o último dia de expediente no canil. Espero que a senhora não se importe.

Entregou-lhe um envelope, abriu a encomenda e retirou o presente: um filhote de cão Labrador.

A carta explica tudo, continuou o rapaz. O cão foi comprado em julho, quando a mãe dele estava prenhe.

Ele tem seis semanas de idade e é um cão doméstico.

A senhora espere um pouco que vou buscar o restante da encomenda.

Largou o cãozinho e ele foi se sentar aos pés de Stella, fungando feliz e olhando para ela.

O restante da encomenda era uma caixa enorme de alimentos para cães, uma correia e um livro Como cuidar de seu cão Labrador.

Stella continuava parada, estática. Acabara de reconhecer no envelope a letra de David.

Quando o entregador se foi, ela andou de volta até a sua poltrona. Tremia inteira.

O cãozinho ficou ali, olhando-a ainda com seus olhos castanhos, à espera de um afago.

A carta não era longa mas repassada de carinho.

David a escrevera antes de morrer e a deixara com o proprietário do canil. Era seu último presente de Natal.

Ele havia comprado o animal para lhe fazer companhia. A carta era cheia de amor e lhe dava ainda conselhos e incentivo para que fosse forte, até o dia em que voltariam a ficar juntos, na espiritualidade.

Ela olhou para o cãozinho e estendeu a mão para o apanhar. Segurou-o nos braços. Pensou que fosse pesado, mas tinha o peso e tamanho da almofada do sofá.

O animalzinho de pelos castanhos lhe lambeu o queixo e se aninhou em seu pescoço.

Ela chorou de saudade. Ele ficou ali, quietinho.

Então, criaturinha, aqui estamos você e eu.

O cachorrinho fungou, concordando, pondo sua língua rosada para fora.

Stella sorriu.

Então, vamos para a cozinha fazer uma sopa? Vou lhe dar ração e depois leremos um bom livro, juntos. Que acha?

O cãozinho latiu e abanou a cauda, como se tivesse entendido exatamente o sentido de cada uma das palavras.

E acompanhou Stella até a cozinha.

* * *

Na sua imensa sabedoria, Deus criou os animais para auxiliar o homem em suas tarefas, tanto quanto para lhe prover algumas necessidades.

Também para servir de amparo aos que andam sós, aos famintos de afeto.

Tornam-se muitas dessas criaturas, em sua missão de servirem ao homem, excelentes zeladores de vidas humanas.

Ao homem cabe amparar-lhes as vidas e retribuir-lhes com cuidados a atenção e devotamento.

São também eles a manifestação do amor de Deus na Terra.

___________________
Redação do Momento Espírita com base no cap. Entrega posterior, de Cathy Miller, do livro Histórias para o coração, de Alice Gray (organizadora), ed. United Press.
Em 02/12/2008.

Foto by MC Thomas.

02 dezembro 2008

Minha gatinha de 14 anos morreu agora há pouco. Estava desde cedinho internada com insuficiência renal.

A Fê nunca foi uma gata brincalhona ou simpática, eu costumava dizer que nasceu velha. Suas brincadeiras se resumiram a pulos inesperados nas nossas pernas e, mais recentemente, retribuir as provocações da Nucha, a gatinha mais nova.

Ultimamente ela estava casa vez mais lentinha, perdendo garras e dentes pela casa... Mas também acabou se tornando quase doce...

Quinta-feira passada estudei até tarde com ela no meu colo, o corpo já levinho, frágil. Na hora de descer, tive que ajudá-la porque ela encontrou dificuldade em pular.

Que Francisco de Assis a receba em seus braços amorosos.

Balada do Amor Através das Idades

Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar meu irmão.
Matei, brigamos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catatumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria do meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal da cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.

(Carlos Drummond de Andrade)

- Olha o CDA falando de reencarnação! -
______________________
Foto: The perfect couple by ~iloveyourface-x