30 abril 2009

3x Martha Medeiros - E meio assim estou eu hoje

"eu perguntava quantas foram
e você falava sobre o tempo
eu indagava quantas vezes
e você acendia outro cigarro
eu suplicava quantas mais
e você não respondia
pedia pra mudar de assunto
pra que pudesse mentir sobre outra coisa."


"não faz diferença
se você vem amanhã
ou não vem
desisti de esperar
por alguém
cuja ausência
me faz companhia."


"tenho náuseas
e nostalgia

tomei uma aspirina
e a febre não passou

reli a tua carta
e quase morri de dor."

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Do livro Poesia reunida (1999)

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Foto: Age of a rose by mirator

Cota de 100% para doidos

Gostei tanto deste post do Paulo Moreira Leite em seu blog (http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite) que quis dividir com vocês:

Cota de 100% para doidos

Qui, 30/04/09
por Paulo Moreira Leite |
categoria Geral


Precisei ler duas vezes para acreditar: a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara acaba de aprovar um projeto que reserva 10% das vagas em instituições públicas de ensino médio e superior para deficientes físicos.

Minha mãe passou os últimos de sua vida numa cadeira de rodas. Pude conhecer de perto as dificuldades dessa condição. Mas não é disso que estamos falando.

Bernardo Mello Franco, de O Globo, fez a conta. Somando os 50% de vagas que o Senado pretende reservar para alunos de escolas públicas, em breve apenas 40% das vagas de nossas universidades públicas poderão ser disputadas por estudantes que não se enquadram em nenhuma das categorias anteriores.

Aquilo que se chama de mérito, critério que envolve o premio aos mais preparados e mais capazes, só irá vigorar para 4 em cada 10 vagas.

Isso é mais do que absurdo. Não faz sentido educativo, nem social.

Não importa: o que se pretende é criar uma reserva de mercado eleitoral. Sem entrar no mérito particular de cada uma dessas iniciativas, o projeto é criar um eleitor cativo, que nunca vai abandonar o parlamentar que arrumou um atalho para colocá-lo na universidade.

Lembra aqueles coronéis que davam um pé de sapato e só entregavam o outro depois de conferir o voto? É disso que estamos falando.

É tão delirante que acho que o Michel Temer deveria recuar do recuo do recuo das passagens aéreas e reestabelecer as mordomias para suas excelencias — agora
em vôos de primeira classe, com estadia paga.

Dessa forma, eles poderiam ficar longe do plenário e evitariam prejudicar o país com medidas delirantes como esta.

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Bom, não resisti e deixei o seguinte comentário lá:

"Tenho 34 anos, me formei em Turismo em 96, em uma universidade estadual e, 10 anos depois, passei em um vestibular na mesma instituição.

Conto isso apenas para dizer que fico aliviada por já ter feito os dois cursos porque com tantas restrições para quem simplesmente vai fazer uma prova sem se valer de vantagem pela sua cor ou escola onde estudou até o Ensino Médio. Provavelmente não ser negra e nem ter nota de ENEM podaria muitas das minhas chances!

Não entendo porque quem estuda em escola particular precisa ser punido pela educação que muitas vezes teve às custas de esforço árduo dos pais (assim foi comigo e com outros 2 dos meus irmãos). Não são apenas filhinhos de papai que estudam em escolas particulares. De que vale para um aluno sair do Colégio São Bento, o bicampeão na avaliação do ENEM se um aluno que vier de uma escola pública qualquer terá mais chances do que ele de cursar uma boa faculdade?!

Como me envergonho da educação cada vez mais deficiente deste país!"

26 abril 2009

Marcando na pele

Tava lendo agora sobre alguns famosos que tatuaram nomes dos, agora, ex-amores.

Eu sempre fui meio reticente quanto a isso de fazer tattoo homenageando namorado ou marido. E não vejo isso como qualquer atitude cética em relação a possibilidade do amor ser eterno, mas porque, normalmente, essas tatuagens são feitas no calor da paixão... e depois vem a necessidade de apagar aquele nome.

Uma vez planejei com meu ex-namorado, com quem eu sonhava uma vida inteira em comum, uma tattoo. Ele modificou um desenho que eu tinha, os dois faríamos. O namoro terminou antes da tatuagem existir, mas eu sei que, mesmo sem o nome dele, aquele desenho na minha pele, me lembraria do motivo dela existir, me lembraria dele, e não me faria bem, pelo menos não, por exemplo, hoje.

Por isso acho que a gente deveria tatuar nomes apenas daqueles amores que pra sempre, com certeza, estarão na nossa vida, como pais, ou filhos. Adoro também a idéia de tatuagens com pessoas amadas: a D. Zica, por exemplo, fez com a mãe e as irmãs o mesmo desenho, fofíssimo!

Mas, sei lá, quem sabe eu ainda mude de idéia? A tattoo com o ex ainda me tenta... mas usando o desenho original, quando ela existia por ela mesma, não como prova de amor.

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Tattoo retirada do site Pounding Heartbeat

25 abril 2009

Vi: Gran Torino

Antes de mais nada, eu preciso dizer que AMO os trabalhos do Clint Eastwood depois de velho - ou seja, o que não é daquele tempo de bang-bang italiano e de Dirty Harry - e sinto ainda não ter visto Cartas de Iwo Jima e A conquista da honra, seus filmes sobre a II Guerra Mundial, cada um enfocando um lado dela - o estadunidense e o japonês.

Mas este post é sobre Gran Torino, o filme mais recente do meu diretor/ator/produtor querido. A história é a seguinte: um senhor muito rabugento acaba de perder a esposa. O filme começa com ele no funeral, fazendo cara feia e, literalmente, rosnando pras pessoas que não estão vestidas segundo ele acha adequado - inclusive a neta teen - e depois, em casa, não sendo nada simpático com os filhos.

Walt Kowalski, o personagem, trabalhou a vida inteira na FORD, lutou na Guerra da Coréia - no começo dos anos 50 - e parece detestar tudo e a todos: a família, o jovem padre que se aproxima dele a pedido da esposa recém-falecida, os vizinhos Hmong - uma etnia oriunda do Laos, Tailândia e China que agora tomam conta do seu bairro. No entanto, é a família vizinha, desta etnia, que fará Walt despertar em vários aspectos quando um incidente com a gangue do bairro faz ele se aproximar de Sue e Thao, os adolescentes da casa ao lado.

Walt acaba tendo um contato com aquelas pessoas que não tem com sua própria família e toma sua dores também, ao perceber que os dois jovens não têm nenhuma chance de sobreviver à gangue, principalmente Thao, rapaz retraído, único homem da casa e que acaba sendo meio subserviente à mãe, à irmã e à velha avó.

Aliás, a avó é uma figura no filme. Ela e Walt se xingam o tempo todo, quando estão sentados em suas varandas, cada um em seu idioma, sem se entenderem, os olhares são suficientes para um entender que o outro o detesta!

E o vocabulário de Walt não é pra ouvidos fracos: os negros, são neguinhos, todos os orientais, chinas, qualquer nome oriental vira outra coisa em sua boca e, mesmo com os amigos, ele é extremamente rude - a cena em que, com o amigo barbeiro, ele ensina Thao a falar como homem, é impagável!

O desfecho do filme não é o esperado, nem o desejado, mas é o que precisa ser. O protagonista, homem que se orgulha de terminar tudo o que começa, leva esse seu lema à sério... e fecha com chave de ouro um filme maravilhoso!

Longa vida a Clint Eastwood, para que ainda possa nos dar mais filmes tão especiais!!

22 abril 2009

Li: Sheila Levine está morta e vivendo em Nova York

Mulher de trinta e poucos anos conta suas desventuras para encontrar um namorado, um emprego decente e ainda perder peso.

Já leu esse livro antes?! Pois é, eu também. Mas, surpresa: este aqui é o precursor de todos os livros dos anos 90/2000 que abordam o assunto. Sim, sim, antes de Bridget Jones, de Becky Bloom, antes das heroínas de Marian Keys, Gail Parent apresentou, nos anos 70, Sheila Levine. Moça judia que, passando dos 30 anos, ainda solteira e fora dos padrões de beleza que considera "propícios" ao casório, resolve se suicidar. O livro é o longo bilhete de despedida de Sheila.

Desses livros mais recentes, os únicos que consegui ler são os que contam a saga de Bridget Jones já que os outros sempre achei meio cópia dele - mas nem sei qual a ordem cronológica dessas obras. Na verdade, Sheila Levine é a precursora dessas personagens divertidas e com as quais muitas vezes nos identificamos. Muda-se o país, passam-se 30 anos, mas ainda é muito fácil encontrar mulheres que deveriam ser bem-resolvidas preocupadas porque não encontraram um marido, preocupadas porque a irmã mais nova casou e já tem filhos, preocupada com quem as cuidará na velhice...

Assim como minhas amigas que já leram o livro, me identifiquei muitas vezes com a minha xará e ri de suas histórias. Claro que nem sempre o tom é de comédia já que é uma suicida quem conta a história, mas mesmo quando conta coisas mais pesadas pelas quais passou, como um aborto, Sheila é divertida, irônica e impagável!

Quem sabe um dia ser solteira, com mais de 30, sem nenhum casamento ou filho no currículo, possa ser considerado algo normal no mundo?

Título original: Sheila Levine is dead and living in New York
Autor: Gail Parent
Editora: Bertrand Brasil
1972/2006

21 abril 2009

Vi: O paciente inglês

Aviso importantíssimo: esse filme não é recomendado para quem teve um coração recentemente partido!

A recomendação não é original minha, é da minha irmã, que vetou o filme para uma prima nossa. Eu, na verdade, resolvi revê-lo em um final de semana em que chorava muito por um amor provavelmente perdido pra sempre - queria, masoquistamente, cutucar a ferida.

O filme é de 1996 e eu tinha visto pela última vez no dia do casamento de um dos meus irmãos, depois que voltamos da festa, há 2 anos. Como qualquer obra - livro, filme... - eu sei que em cada momento o verei de uma forma diferente.

Imagino que ele foi bem menos visto que Crepúsculo, então, deixa passar a sinopse breve: um homem é salvo, no deserto africano, de um avião em chamas. Anos mais tarde, o vemos sendo "entrevistado" por um oficial de guerra. Ele não lembra de muita coisa e, por não ter nome, é tido como inglês e chamado então de "o paciente inglês".

Em flashbacks vamos conhecendo sua história de amor passada no Cairo, pouco tempo antes de começar a II Gerra Mundial, ao mesmo tempo que, já sem esperanças de ser curado, ele é deixado com uma enfermeira canadense em uma villa da Toscana, enquanto o exército aliado avança pela Itália. A enfermeira também teve seu coração partido durante a guerra, já que perdeu seu noivo.

E aí, em meio a uma fotografia soberba - como devem ter percebido, é uma das minhas coisas preferidas em filmes!! - e uma trilha sonora que mereceu o Oscar ganho, conhecemos a história desses personagens. E só de escrever me emociono!

O filme tem um elenco que eu amo inteiro! Ralph Fiennes, é o Conde Almásy, o "paciente inglês" - eu o ADORO desde A lista de Schindler e é um dos meus atores preferidos (infelizmente nunca sonhei com ele, mas se tivesse sido ele e não Judd Law no sonho que contei há algumas semanas, com certeza eu não teria sido tão dura! rsrs) -, Juliette Binoche, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante pelo filme, é Hana, a enfermeira que cuida dele, Kristin Scott-Thomas - sempre elegantíssima e linda! - é Katherine, a amada de Almásy; e tem ainda Colin Firth (Vane, sempre que o vejo, lembro de você!), Naveen Andrews - o Said, de Lost - Willem Dafoe...

É um dos filmes que mais amo! Comprei o dvd - baratinho, na Americanas - há alguns meses e, com certeza, o verei mais algumas vezes nos próximos anos...

Vi: Crepúsculo

Véspera de feriado... chego pra trabalhar às 17h e uma amiga conta que deixou o filme Crepúsculo no nosso pc.

Depois de uns segundos de hesitação, resolvi vir o filme que gerou tantos comentários, foi o mais visto por semanas nos EUA e o tal do Robert Pattinson, tão festejado este ano.

Bom, resumindo pra quem não leu o livro ou viu o filme: Bella Swan (Kristen Stewart) se muda do Arizona para o estado de Washington. Sai de uma ensolarada cidade no deserto, para uma praticamente cinzenta o ano inteiro, para morar com o pai, quando a mãe, recém-casada novamente, sai em viagem acompanhando o novo marido. Em Forks, seu novo lar, conhece Edward Cullen (Robert Pattinson), que faz parte de uma família meio esquisitinha e que todo mundo que vai assistir já sabe que são vampiros bonzinhos. Os dois se apaixonam mas algumas coisas, como todos devem imaginar, dificultam o amor entre um quase-morto e uma humana.

Me surpreendi positivamente com o filme! A fotografia é muito bonita, a trilha sonora sombria, colabora e os jovens atores estão muito bem. Kristen Stewart é bem novinha; para quem assistiu O quarto do pânico, ela faz a filha da Jodie Foster. Robert Pattinson fez os dois últimos Harry Potter. Muito do filme se deve à tensão sexual que ronda os dois, já que mal podem se tocar. Pattinson é, realmente, já aos 22 anos, muito sexy - tenho certeza que milhares de gurias pelo mundo viram o filme e disseram deixar ele morder-lhes o pescoço sem qualquer problema! Entendi porque se fala tanto dele e fiquei feliz por não ter mais 15 anos, do contrário, eu provavelmente já estaria apaixonada por ele e com minhas paredes cheias de pôsteres dele!

Um filme bacaninha. Me deu curiosidade de ler os livros que acabei baixando ontem.

18 abril 2009

Sexo e drogas

Caso 1- Há algumas semanas, quando uma participante do BBB saiu do programa, foi divulgado um vídeo feito pelo celular do seu então noivo - e que depois virou marido - onde ela aparecia fazendo sexo oral nele. Foi um bafafá gigante e, curiosa, procurei o tal vídeo pra ver o que de tão incrível tinha ali. A resposta? NADA. Era um casal, com uma relação estável, em um momento gostoso de intimidade.

Mas aí, li e ouvi de tudo à respeito disso. O que mais me surpreendeu foi um outro ex-BBB, desafeto da moça, dizer que ela posava de santinha, mas fazia isso.

Não entendi o "fazia isso". Sexo oral? Que casal normal não o faz? E, caso não faça, acho que tem algum problema nessa relação.

Ou ele se referia ao fato de terem filmado? Também não vejo nada demais. Quantas pessoas não filmam, não fotografam seus momentos mais íntimos? O problema é quando isso se torna público, através de um ex vingativo, cafajeste - no caso da moça em questão, o celular teria sido roubado depois da filmagem.

Caso 2- Uma colega minha de faculdade, de seus 23 anos, veio contar entre risadinhas, que um outro colega ficou sabendo por um ex-namorado de uma professora, que ela gostava de DP - ele contou depois que foi encontrado um vibrador em seu lixo e quis fugir da supeita de homossexualidade.

Até que ela contasse que o cara não sabia que nosso colega era aluno dela, eu o achava a pessoa mais nojenta do mundo, por contar algo tão íntimo de uma namorada!

Caso 3- A mesma colega que contou da professora, achou graça, pouquíssimos minutos depois, quando uma outra menina, novinha, contava sua experiência com lança-perfume. A rodinha de meninas de seus 20 e poucos anos falava daquilo tudo como se fosse muito natural.

E eu me senti muito constrangida! Deslocada naquela mesa, naquele momento.

***

Não vejo problema em nada feito por um casal, em sua intimidade, contanto que os dois estejam querendo - o que descarta, obviamente, qualquer tipo de humilhação não-consentida, pedofilia e outras coisas. Não me acho extremamente liberal nem nada! De longe não acho legal ir pra cama com um desconhecido, por exemplo. Mas, com namorado, com marido, com um affair... tudo pode ser gostoso.

Mas a banalização do uso de qualquer entorpecente, não consigo ver como algo natural! Tá, eu sei que cada um faz o que quer com a sua vida, com seus neurônios, com seu nariz, com qualquer partezinha do seu corpo... Mas pensar assim é ser muito simplista!!

Se drogas são proibidas, onde se compra maconha? Quem é o vendedor? Como ele consegue isso? De onde vem?

Por razões morais e também religiosas - e não por dogmas, porque, felizmente, faço parte de uma religião que não os tem; mas pelo que sei que me acontece - não curto drogas, raramente bebo... E me incomoda ver o quanto fumar maconha é banalizado hoje em dia, como se fosse a mesma coisa de fumar um cigarro comum.

Vejam bem: não defendo um em detrimento do outro! Mas, infelizmente, um deles tem sua venda legalizada.

E, no entanto, as pessosas riem e se chocam, com sexo entre um casal... Achando natural fumar ou cheirar alguma droga ilícita, traficada por bandidos.

Sad world...
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Foto: Dave Barstow.

15 abril 2009

Nada passa

Uma das músicas mais bonitas da MPB é aquela composta pelo Nelson Motta e cantada pelo Lulu Santos, que diz que na vida tudo passa, tudo sempre passarám como uma onda no mar. Linda. Mas é mentira.

A garota está sofrendo o diabo porque brigou com o namorado e a mãe consola com a frase de sempre: vai passar. O garoto levou bomba no vestibular e o melhor amigo diz: na próxima vez você passa. Analisando superficialmente, é verdade, a dor, um dia, cessa. Mas não se iluda: ela não bateu as botas, está apenas cochilando. Tudo passa? Nada passa!

É isso que ninguém tem coragem de nos dizer. A dor da perda, a dor de fracassar, a dor de não corresponder a uma expectativa, a dor de uma saudade, a dor de não saber como agir, de estar perdida, instável, de ter dúvidas na hora de fazer uma escolha, todas estas dores, que parecem pequenas para quem está de fora, nos acompanharão até o fim dos nossos dias. Elas não passam. Elas ficam. Elas aninham-se dentro da gente, o que não deve servir de motivo para pularmos de uma ponte. Mario Quintana escreveu que nós somos o que temos e o que sofremos. Sem dor, sem vida interior.

Não passam as dores, também não passam as alegrias. Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve para montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças. Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é. Não há nenhuma peça que não se encaixe. Todas são aproveitáveis. Como são muitas, você pode esquecer de algumas, e a isso chamamos de "passou". Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro.

(Martha Medeiros)

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Foto: Green field by Ppixie

12 abril 2009

"Homem só serve pra uma coisa!"

Numa temporada que passei trabalhando em um Albergue da Juventude em Bruxelas, na Bélgica, conheci a Kristin, uma moça que trabalhava lá, casada com um homem lindo, que sempre repetia nas conversas femininas: "Homem só serve pra uma coisa: colocar o lixo pra fora!".

Claaaaaro que ela brincava, até porque, bem sabemos todAs, homens servem pra um monte de coisas boas!

E servem também pra um monte de coisas práticas, que parecem impossíveis de serem realizadas por nós mulheres.

(Não vou me desculpar porque tenho HORROR de papo feminista! Eu sou à favor de todas as diferenças entre homens e mulheres e acho que são elas que nos tornam tão interessantes - boys and girls!)

Mas então, morando sozinha - depois de, solteira, ter um pai que resolvia qualquer complicaçãozinha na casa, depois um irmão igualmente prendado e, finalmente, um ex-marido que tinha paciência de Jó e conseguia resolver tudo quanto é problema na casa - quando não consigo sintonizar canal nenhum na tevê, ou tenho dificuldades de trocar uma estante pesada de lugar... Fico pensando que a Kristin deveria incluir coisinhas mais complicadinhas que parecem ser tão mais acessíveis aos homens que às mulheres.

Vejam bem: não sou dependente de braços fortes masculinos, me viro bem nos afazeres domésticos... mas não consigo deixar de pensar, quando sofro pra trocar as cortinas ou as lâmpadas de um apartamento antigo, com teto altíssimo, que seria bom ter um moço aqui pra ajudar.

Atire a primeira pedra quem nunca se sentiu assim...

11 abril 2009

"Foi assim, como ver o mar..."

Eu fiquei no estado de São Paulo do dia 23 ao dia 29 de março. Nos 4 últimos, na Praia Grande, na casa da Kátia, uma amiga muito querida.

No caminho, descendo pela estrada mais linda que conheço no Brasil, fui pensando em um post do Servo da Gleba falando do mar e no meu comentário de que normalmente quem o tem pertinho de si, não percebe o tesouro que tem.

E é isso que sempre percebo quando estou no litoral (o que, infelizmente, por morar a 700km das praias mais próximas, não acontece com muita frequência).

Eu me esbaldei, não com muito cuidado, admito envergonhada, mas não tinha como! Primeiro que eu tinha poucos dias, já que no domingo, saí cedinho de lá rumando pro aeroporto em São Paulo, e segundo porque eu precisava do cheirinho do mar, precisava daquela brisa, precisava caminhar na praia, precisava da marquinha de biquini e queria até os olhos ardendo e a pele e os cabelos cheios da areinha que dificilmente sai depois que entramos na água deliciosamente salgada!

Não acho que tem dia ruim pra praia. Pode ser coisa de quem é desesperado demais ou "caipirão", mas eu sou assim, porque meus dias em praias sempre foram limitados. Em Fortaleza (ou Natal) uma vez, no último dia que tínhamos na cidade (meus pais, meus irmãos e eu, todos crianças ainda), fomos pra praia com chuva. E poucos dias foram tão deliciosos naquelas férias!

No dia que vim embora, olhava, ao lado da Ká e da mãe, um dia nublado que começava, não com o delicioso sol que havia feito nos dias anteriores, mas mesmo assim lindo, e senti não poder aproveitar mais aquele momento na praia. E a vista ali da lavanderia, com o mar logo depois da avenida, era maravilhosa! Mas minha amiga e sua mãe reclamavam que o o sol estava uma porcaria.

A minha vontade foi puxar as orelhas das duas e dizer que elas não sabiam o que falavam e completar: "Experimentem, gurias, ir à praia a cada 4 anos mais ou menos e depois me digam se até em um dia nublado, não vale a pena ao menos uma longa caminhada na areia fofinha!"

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(Não é a Praia Grande na foto)

A-ha!

Minha ida a São Paulo na penúltima semana de março teve como motivo o show do A-ha lá na cidade (sorry amigos paulistanos, mas vocês sabiam disso... rsrs).

Mas, curiosamente, minha "ficha só caiu" dois dias antes do show quando, vi uma entrevista deles no site Terra, já em solo brasileiro. Aí meu coração começou a disparar, comecei a entender que realmente, depois de 18 anos (caramba! outro susto ao lembrar do tempo!) voltaria a vê-los em um palco.

Bom, utilizando meu mantra "tudo bem, valeu a pena!", vou dizer que o show foi M A R A V I L H O S O (e quem me perguntou dele no orkut só obteve essa palavra como resposta porque não tem outra pra descrevê-lo), mas me arrependi de, como planejado antes, não ter ido com mais antecedência e ficado mais perto do palco e, principalmente, não ter conhecido o pessoal da Lista do Yahoo Grupos com quem vinha combinando tudo.

A banda estava inspirada e cantou umas músicas que duvido que quem não é fã conhecia. E aí, algo legal, na pista, pelo menos no canto da frente, onde comecei assistindo o show, só tinha fã mesmo! Todas as músicas foram cantadas. Além do público maciço de 30tões, pessoal mais velho, inclusive levando filhos adolescentes. Um ambiente tranquilo, de muita alegria!

Meu lado fã de décadas aflorou e infelizmente não posso dividir o que gravei no show porque, ao invés do Morten, sou eu quem canta mais alto nas minhas gravações... e grito um tanto quanto histérica também, confesso! 8-)

Vi 2/3 do show de um bom lugar (não lembrando dos cabeções - homem alto deveria ser PROIBIDO de ficar na frente!) e a última parte, fui atrás de água no bar no fundo da pista do Credicard Hall e vi o show ao lado de... 3 noruegueses perdidos, trabalhando em São Paulo.

Vendo aquela delícia de show, de paz, de felicidade, não resisti e perguntei a um deles, que tinha contado ter visto recentemente um show da banda na Noruega (pra quem não sabe, eles são noruegueses), se tinha muita diferença de público. A resposta dele foi fofa, mas não creio muito, ele disse que era igual, porque todos curtiam o A-ha, em toda parte.

Ok, ok... mas com aquela paixão incondicional demonstrada naquela noite do dia 25 de março ali em São Paulo?! Duvideodó, mocinho loiro!

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Foto: da querida Gem, da Lista Brasileira do A-ha (YahooGrupos)

08 abril 2009

Todo cambia

Minha mãe está indo embora pro Maranhão, para acompanhar meu pai em seu novo emprego, e como ganharão casa mobiliada lá, está se desfazendo de algumas coisas e emprestando outras - porque as quer de volta assim que retornar.

"Ganhei" uma mesa pequena, de cozinha, o jogo de jantar da minha irmã - que ficará na casa da minha mãe, já tem seus móveis mas trocará alguns - uma tevê 29'', uma prateleira do escritório que sempre namorei, uma cômoda de madeira de lei e uma cristaleira linda que encontrei em uma loja de usados há alguns meses e avisei minha mãe, que sempre quis ter uma.

Agora, quero mudar a cara de algumas peças - a mesa, a prateleira... Os sites que mais visito atualmente são os de customização de móveis, adicionei trocentos blogs relacionados ao assunto e estou empolgada. Mas, mesmo com minha empolgação, as dúvidas são muitas, até porque o mais complicado que já pintei foi uma prateleira de ferro e as artes mais próximas já feitas por mim foram as do tempo de escola, das aulas de Educação Artística!

Mas estou animada, já penso em algumas coisas: pintura, cobertura com tecido - quero chita, pra alegrar o ambiente - quem sabe usar estêncil... Quero clarear meu quarto que só tem móveis escuros, quero dar uma ar mais feminino a tudo!

A gente encontra muita, mas muita coisinha linda! E muitas coisas simples, que alguém brilhantemente criou. Formas de reciclar coisas que antes iam pro lixo, sugestões práticas de renovação de ambiente... Muita coisa muito bacana mesmo!!

E então, sigo buscando idéias (se no final, der certo, posto fotos das minhas "artes" ;)

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Mesa (linda!) da foto: BananaCraft (www.flickr.com/photos/bananacraft)

04 abril 2009

Amizade animal


Solka e Chant, dois bebês leopardos de apenas cinco semanas, fizeram amizade com uma figura inusitada: um filhote de orangotango, Rishi, de um ano de idade. O carinho entre os animais resulta em calorosos abraços, como esse aí da foto. Como é mais velho, Rishi acaba ensinando boas lições aos leopardinhos – que aprendem rápido, já que são considerados os felinos mais inteligentes da natureza.

E não é apenas o pequeno orangotango que mima a dupla. “Os bebês leopardos são alimentados a cada quatro horas com uma fórmula especial feita com vitaminas, iogurte fresco e leite”, afirma Rajani Ferrante, uma das funcionárias de um instituto de preservação de espécies ameaçadas, em Carolina do Sul, nos Estados Unidos.

leopardos leopardos_2 leopardos_mãe_adotiva

(clicando nas imagens, pode-se ampliá-las)

Atualmente, esses leopardos africanos, que estão em perigo de extinção, pesam em torno de 900 gramas e medem pouco mais de 30 centímetros. Eles serão os embaixadores do centro, que luta pela sobrevivência de animais raros no mundo.

Mariana Caetano - do site: http://colunas.globorural.globo.com/bloggloborural/2009/04/02/amizade-incomum/