12 janeiro 2013

Alice Pyne

 (Alice e Mabel, sua labrador, há uns 2 anos)


Em 2010 ou 2011, li uma matéria sobre Alice Pyne. Inglesa, 14 ou 15 anos, ela tinha linfoma de Hodgkin e, àquela altura, tinha descoberto que não havia mais o que ser feito. Ao invés de se entregar à morte - coisa que ninguém pude condenar ser feito por quem se descobre morrendo - Alice resolver criar uma campanha para conseguir mais e mais doadores de medula óssea e fez também uma "bucket list", uma lista com seus últimos desejos antes de morrer. Ali eram encontradas coisas tão diversas como conhecer os carinhas do Take That, nadar com tubarões, ganhar um Ipad roxo e ter uma sessão de fotos com a irmã e as melhores amigas. Em seu blog ela falava dos desejos já realizados e do seu dia-a-dia, das coisas boas e das ruinzinhas.

Alice fez várias coisas buscando dar conforto e alegria pra outras crianças e jovens com câncer, teve a idéia de proporcionar a essas crianças a possibilidade de descanso em um lugar bacana, arrecadou dinheiro pra organizações. Fez tanto que ganhou alguns prêmios nos últimos anos em seu país.

O blog de Alice sempre me fez chorar, por mais alegre que ela sempre soasse, NUNCA reclamando do que passava, dos tratamentos paliativos, do medo de partir... Eu sempre me emocionava porque ficava imaginando aquela mocinha no começo da vida, passando seus dias entre sua casa e o hospital. Vendo suas amigas irem pra festinhas, virarem moças bonitas enquanto ela definhava. Tinha dó da sua família, sempre ao seu lado, seus pais amorosos, a irmã carinhosa... 

Há pouco sua mãe deixou um recado no Facebook, em seu blog e no Twitter avisando que ela tinha "ganhado asas de anjo". Nos últimos meses ela tinha piorado, passou dias e dias internada, cada vez mais magrinha, mas sempre com um sorriso sereno no rosto. Sim, hoje, aos 17 anos recém completados,  Alice desencarnou. Eu poderia escrever "morreu" mas, principalmente quando uma pessoinha tão especial dessas parte, é difícil definir isso como morte definitiva. Onde estaria o amor de Deus em deixar uma criaturinha tão nova sofrer por cinco anos com uma doença cruel e ser essa a sua única vida? Eu prefiro crer que ela desencarnou, que neste momento está sendo - bem - recebida por espíritos familiares que a amparam e lhe mostram que as dores do seu corpinho combalido, ficaram aqui na Terra.

Só posso desejar que ela esteja bem e que sua família, tão especial quanto ela, possa ser consolada e amparada, pelos mais próximos e por verem quanto amor, quanta admiração e quanta coragem, Alice semeou em sua curta vida.

Um comentário:

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