Pular para o conteúdo principal

Professora pra cá, professora pra lá...


É assim que tenho sido chamada desde segunda-feira por conta dos estágios.

Tô na correria com eles: segunda-feira, de manhã e de noite, dei quatro aulas de espanhol em cada turno numa escola estadual. Na terça-feira, foram três aulas de português no IFPR, no curso de Aquicultura. Ontem mais quatro de manhã de espanhol, hoje idem e à noite mais três de português.

Eu mesma vou ficar surpresa com minha confissão, mas tô gostando. O primeiro do qual gostei foi o de português, porque são adultos e porque eu fui muuuuito bem recebida! Não sei se foi só mérito meu: eles não gostaram nem um pouco da minha colega que me precedeu, daí acho que, sendo diferente, eles adoraram. Me elogiaram muito, disseram que eu deveria ter ido mais cedo dar aulas pra eles, foram respeitosos... Amei!!

De espanhol, o começo foi mais complicado. Em algumas turmas me senti completamente invisível e descartável. Impressionante como alguns alunos conseguem te tornar "ninguém" ali na frente da sala! Mas desde ontem, na segunda aula que dei, resolvi agir um tanto quanto diferente: dei espaço pras brincadeiras, respondi algumas sem ser agressiva, mas não deixando eles acharem que estavam podendo e, principalmente, falei da importância do espanhol, de como hoje qualquer um sabe inglês e que o espanhol pode ser um diferencial; que eles têm a facilidade de morar em uma cidade de fronteira, onde podem conversar com hispanofalantes, que não têm porque ter preconceito com os paraguaios - a piada preferida deles em relação ao espanhol é falar qualquer coisa do Paraguai... - e contei de uma estagiária lá da Secretaria que não foi aceita na H. Stern porque "só" fala inglês. Foi legal ver que eles prestaram atenção e, aparentemente, ficaram pensando nisso.

Mas, o mais legal foi ouvir de alguns que eles adoraram a aula dada porque foi diferente, porque eu pedi pra escreverem e me perguntarem se fico até o final do ano com eles. Um aluno da 1ª série me emocionou muito: ele chegou atrasado, não copiou o que passei no quadro e, quando fui perguntar se estava fazendo a atividade - descrever o físico e o caráter de uma pessoa conhecida - ele disse que sequer sabia começar. Fui arrancando dele que ele gostava de futebol, que era torcedor do Palmeiras... e aí pedi pra ele descrever o Marcos, o goleiro - o único que eu lembrei na hora que joga nesse time! -, daí escrevi no quadro as características que ele poderia usar pra definir o Marcos. Ele ficou todo feliz por fazer a atividade, me entregou a folha animado e, quando me encontrou fora da sala quando eu já vinha embora me disse empolgado: "Alguma coisa eu vou aprender de espanhol agora, professora!".

Eu acho que, infelizmente, muitos bons professores estão cansados de ensinar. Decidiram que darão suas aulas sem esperar muita coisa dos alunos, dando um pouco e aceitando um pouco como retorno. Não tenho mais 20 anos e estou saindo da primeira faculdade pra me iludir de que mudarei o mundo como profissional mas, se eu conseguir tocar um aluno em cada sala - e fazer com que os demais pelo menos me respeitem - acho que valerá a pena ser professora.

Bom, mas por enquanto sou só "quase professora", como um aluno palhaço - e divertido! - me chamou segunda à noite. Então, deixa eu terminar de preparar a aula que darei hoje à noite pro pessoal do IFPR e corrigir mais de 30 redações pra mesma turma!

Comentários

  1. Que legal que vc está gostando de dar aulas...
    Estou pra me formar em filosofia e nem sequer cogito isso... Amigos meus que estão dando aula ganham 6 reais hora/aula... Ou ficam o dia todo na escola esperando um professor faltar... Meio desanimador isso...

    ResponderExcluir
  2. Oi Sheila,
    Um colega de quarto faz letras e está trabalhando como professor substituto nas escolas do município. Ele me disse que no começo do ano houve uma prova para selecionar os professores mas que foi anulada. Uma professora de inglês "das antigas", daquelas que formou há séculos atrás e nunca mais se reciclou, criticou a prova dizendo que toda ela estava escrita em inglês, inclusive as perguntas.

    Agora me diz Sheila, como é que alguém se diz professora de inglês e nem ao menos sabe ler inglês??? É cada coisa que a gente vê nessas escolas brasileiras...

    Parabéns pela sua dedicação e empenho, tenho certeza que será uma ótima professora.

    bjo

    ResponderExcluir
  3. Oi Mel,

    Triste isso, né? Mas, se não for como matéria do Ensino Médio, Filosofia é mesmo aula pra preencher horários vagos.

    Do salário, sinceramente não sei quanto é, mas é merreca no Estado, com certeza!!
    ___

    Rubens,

    Ah, é nesse nível! A professora com quem estou trabalhando sabe MOOOOITO. Na minha modestíssima opinião, só não está sabendo como repassar isso. Quando a gente cansa, é mais cômodo simplesmente deixar pra lá, né?

    Um profe de inglês não querer prova in english é assustar, piá!

    Obrigada, eu espero, caso decida ser profe, realmente ser uma das boas. rsrs
    _____

    Beijocas e especialíssimo fds pra vocês.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Você sabe o que é um "scammer"?

Eu fico tanto tempo sem escrever que, quando volto, fico com vergonha, pode?
Em minha defesa quero dizer que andei muito ocupada e sem nada de interessante pra escrever e que ando visitando os blogs que curto mas NÃO CONSIGO comentar há semanas! Sempre dá erro.
Mas, vamos ao que me motivou voltar a escrever um post. E senta confortável porque a história é longa mas muito séria e importante de ser conhecida.
Vocês já ouviram falar em scammer ou scam?
Scam, traduzindo meia-boca do original inglês, é um golpe, trambique, cambalacho. Scammer é quem o pratica. Na internet os scams mais conhecidos são aqueles golpes que com certeza vocês já conhecem de receber um email dizendo que tem um dinheiro em um banco africano e que você foi escolhido pra ficar com aqueles milhões. Já não recebeu um desses emails?
Mas existe mais um tipo de scam que tem se alastrado e que eu conheci este final de semana, da forma mais dolorosa: quase sendo vítima dele. É o scam romântico.
Se por um lado eu me enverg…

As calcinhas no varal

Hoje lavei minha roupa e, ao estendê-la no varal, fiquei chocada com a "qualidade" de boa parte das calcinhas que ali estavam.

As mulheres que têm entre 30 e 35 anos provavelmente cresceram ouvindo suas mães dizerem para cuidar com a roupa de baixo que usa porque se desmaiar na rua todos verão a calcinha velha, o sutiã com alça encardida - nem é o tema do post, mas quero avisá-las que é verdade! Um ex-colega de faculdade, bombeiro, diz que sim, eles reparam, mesmo nos momentos mais complicados de socorro, se as "moçoilas" estão com calcinha feia! - e falarão que a dona da lingerie é uma porquinha!

Daí hoje, olhando as calcinhas no varal, eu fiquei pensando que ali estavam aquelas calcinhas que normalmente eu usaria só pra dormir. Mas eu não só durmo! Ou seja, eu saí com boa parte delas!!

"Analisando" o varal, lembrei de que eu sempre tentei ser caprichosa com o que vestia por baixo da roupa. Mesmo quando era casada tentava usar lingerie arrumadinha e depois,…

25 em 2013 - Livro 5: Sua resposta vale um bilhão

Eu sinto tanto só agora escrever sobre Sua resposta vale um bilhão que li em fevereiro! Principalmente porque vou deixar muita coisa bacana do livro de fora. Mas gostei tanto que, mesmo assim, vale a pena.
Minha história com o livro é longa. Sou apaixonada pelo filme Quem quer ser um milionário - sobre o qual comentei efusivamente aqui, há 4 anos. Naquela época eu já tinha me interessado pelo livro, primeiro do autor - um diplomata indiano - mesmo correndo o risco de me decepcionar com o filme depois de lê-lo.
Namorei o livro longamente até que encontrei na Estante Virtual - um site que reúne sebos do Brasil inteiro - no comecinho do ano. Paguei R$ 4- sim, quatro reais! - por uma edição praticamente nova.
Quanto à história, muita coisa é diferente do filme - e necessário, se pensarmos na impossibilidade de adaptar um livro inteiro pra 2h de película. Escrevendo isso, o que me vem à cabeça é que, na verdade, o filme é inspirado na idéia central, do menino pobre, criado no mundo e que ganh…