08 março 2010

Com licença poética - Adélia Prado


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.


Homenagem às meninas que visitam o blog e, especialmente, homenagem à Mãinha, que hoje faz 58 anos e que é o maior e melhor exemplo feminino que Deus poderia ter colocado na minha vida!

2 comentários:

  1. Vi este poema numa propaganda da Caixa ontem! Eh lindo!!

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  2. (não conta pra ninguém, mas da propaganda que eu tive a idéia de colocaro poema aqui... rsrs)

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