01 julho 2009

Amar - Carlos Drummond de Andrade

"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amar sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesmo de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita."

5 comentários:

  1. Sheila, bom dia!
    Texto lindo, aliás tudo que se fala ou escreve sobre amor é DIVINO!
    O cinema e a pipoca foram ótimos, e o filme é divertidíssimo, vale a pena assitir .
    Bjus!

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  2. Oi Tainá!

    Maravilhoso mesmo!!

    ____
    Cris,

    Eu fiquei apaixonada pelo poema quando o encontrei!

    Do filme, devo levar meus sobrinhos amanhã ou depois :)

    ____
    Beijocas.

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  3. Lindo texto, amar sempre, por mais louco que seja, bjs

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  4. É Ana,

    Amar sempre... de qualquer forma.

    Bjks.

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