
Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura. Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individualista e solitário.
Ah, pesa.
Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados. Eu bato na porta antes de entrar no quarto das minhas filhas e na de meu próprio quarto, se sei que está ocupado.
Eu pergunto para minha mãe se ela está livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone. Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas.
Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho. Pessoas estão jantando. Pessoas estão preocupadas. Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo. Pessoas estão chorando. Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito.
Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho. Pessoas estão jantando. Pessoas estão preocupadas. Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo. Pessoas estão chorando. Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito.
Pessoas estão se amando. Avise que está a caminho. Frescura, jura? Então tá, frescura, que seja.
Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribuí-los sabendo que nada interromperei do lado de lá. Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade. Dizemos pelo computador coisas que face a face seriam mais trabalhosas.
Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo? Nem se discute que o encontro é sagrado. Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios. Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela. Quando mando flores, vou junto com o cartão. Já visitei um pequeno lugarejo só para sentir o impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. Também é estar junto.
Sendo assim, bilhetes, e-mails, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço."
(Martha Medeiros)
(Martha Medeiros)
Amo quindins, portanto, não importa o modo de entrega, desde que eles cheguem até mim, hahaha!
ResponderExcluirBrincadeira. Mas quando alguém liga, gosto que perguntem se estou ocupada, pq eu não sei dispensar ninguém. Às vezes, estou comendo e, enquanto a pessoa fala e fala, minha comidinha está esfriando. Não sei como apressar a ligação e achar que posso ser delicada ao mesmo tempo.
Beijo!
Menina,
ResponderExcluirSabe que me deu uma vontade louca de comer quindim depois de ilustrar o post! rsrs
Mas as delicadezas no trato são sempre bem-vindos. Algumas, confesso, eu demorei um pouco pra entender, mas hoje prefiro quando me avisam que vão aparecer, me perguntem no fone se posso falar, batam na porta...
Quem não gosta de pequenas gentilezas, não é?
Beijocas.
Olá!
ResponderExcluirAcabei de encontrá-la acompanhando meu blog; seja muito benvinda, querida!
Dei uma rápida passada pelo seu blog e de cara já simpatizei com uma pessoinha capaz de mover o Corpo de Bombeiros para salvar sua gatinha.E ainda por cima posta texto da Martha...Lindo texto aliás.
Chega mais, e vem sempre compartilhar Um pouco de mim!
Beijos e fique com Deus.
Oiii Sheila, vim agradecer a visita...
ResponderExcluirEsse quindim...huuummmm coisa de infância, adorei a frase do mario quintana "Para estar ao lado sem pesar com a presença" lindo...
Bjinhus t+
Rose
Oi Eliane,
ResponderExcluirAdorei seu blog, achei-o uma delícia. Conheci através da entrevista no "Dona Perfeitinha".
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Rose,
Não tem que agradecer a visita, fui porque seu blog é muito fofo!
Quanto ao quindim... verdade, coisa de infância, né?
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Beijocas e bom fds pras duas.