26 junho 2009

Momento Espírita:Ode à alegria

Hoje comentei em uma postagem do Henryhh - www.henryhh2008.blogspot.com - que já não sabia o que pensar do mundo, diante de tanta iniquidade. Mas, no final da tarde, recebi essa mensagem linda que me pareceu uma resposta à minha desilusão.

Pretendia postar um vídeo junto mas, quase uma hora depois dele aqui carregando - e olha que a net não é lerda aqui! - desisti, mas eis o link: http://www.youtube.com/watch?v=Lt7dVadJRzs

As imagens são da abertura dos Jogos Olímpicos de Nagano, em 1998, quando o maestro Seiji Ozawa regeu cinco corais espalhados pelo mundo - em Berlim, na Cidade do Cabo, em Nova York, em Beijing e em Sydney. Sei que música clássica não é algo que agrada a todos e a parte mais conhecida - e linda - só acontece a partir dos 7:20 minutos. Mas ouçam com o coração. Não tem como não se emocionar com a mensagem e com as imagens - e a música lindíssima!

Os versos citados na mensagem:

"Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!

Irmãos, além do céu estrelado.

Mora um Pai Amado.
Milhões se deprimem diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?

Procure-o mais acima do céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora."

(Friedrich von Schiller)

Ode à alegria

Era o dia 7 de maio de 1824.

Os privilegiados espectadores sentados na platéia do Teatro em Viena, então capital do Império Austro-Húngaro, mal sabiam que estavam para presenciar a primeira audição mundial da maior obra-prima da História da música.

Ainda que o autor já fosse uma celebridade, recebido naquele mesmo dia com uma ovação digna das platéias de música pop de hoje, a reação foi surpreendente.

O comissário de polícia precisou intervir, para silenciar a explosão de aplausos na chegada do alemão: Ludwig Van Beethoven.

Era o dia da primeira apresentação de sua Nona Sinfonia.

Após as palmas, um grande estranhamento.

Até então, a sinfonia – forma musical para orquestra consagrada durante o classicismo – excluía por definição as vozes humanas.

No entanto, no palco sentavam-se quatro solistas e um coral em quatro partes.

Para aumentar a perplexidade, enquanto todos os outros instrumentos desenrolavam movimentos que superavam a racionalidade clássica, permaneciam em silêncio o coral e os solistas.

Eles entrariam apenas no quarto e último movimento.

Beethoven, três anos antes de sua morte, ali realizava uma vontade que alimentava desde os 22 anos de idade: musicar o poema alemão Ode à alegria, de Schiller.

E era o que fazia no derradeiro movimento da obra, quebrando a última barreira do modelo sinfônico.

Oh amigos, não chega desses sons? Entoemos algo mais prazeroso e alegre! – vibrou o barítono em recitativo.

Os baixos do coro responderam-lhe forte: Alegria, alegria – para que, com a orquestra silenciada, começassem a solar um dos temas mais conhecidos da música ocidental.

O tema proclamava: Todos os homens serão irmãos.

Era o poema da fraternidade universal, musicado pela genialidade e sensibilidade irretocáveis de Ludwig.

Abracem-se milhões! Enviem este beijo para todo mundo!

* * *

A arte é o belo expressando o bom.

É a expressão da beleza eterna, uma manifestação da poderosa harmonia que rege o Universo.

Convidar a arte para nossa vida diária é ter à disposição excelente instrumento de civilização e aperfeiçoamento.

A influência da música sobre a alma, sobre o seu progresso moral, é reconhecida por todo o mundo. Mas a razão dessa influência é geralmente ignorada.

Sua razão está inteiramente neste fato: a harmonia coloca a alma sob a força de um sentimento que a desmaterializa.

Redação do Momento Espírita, com citações do cap.

A música espírita, do livro Obras póstumas,

de Allan Kardec, ed. Feb.

Em 26.06.2009.



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Foto: Rosy Butterfly by secondclaw

4 comentários:

  1. Belíssimo! Bravo! Adoro Beethoven, adoro a obra Bolero, de Ravel. Mais uma vez vc me impressiona com sua sensibilidade e a abrangência de seus sentimentos. Da mesma forma como nos horrorizamos pelas coisas absurdas feitas pelo homem, contra o home, vemos a criação de obras maravilhosas como "Ode to Joy", entre outros. Beijão!

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  2. Oi Henryhh,

    Eu não conhecia a letra nem a história de "Ode à alegria" até participar de um seminário sobre a Arte e o Espiritismo. Fiquei encantada!

    Do "Bolero", meu irmão mais novo começou a se interessar por música clássica depois de ver uma apresentação dela. Legal, né?

    Para se "desimpressionar" com a minha sensibilidade, por favor, leia o post "Quero minha casa!!" rsrs

    Mas é o que você falou, tem o lado que nos horroriza, mas também também o lado de obras maravilhosas.

    Ainda bem!

    Beijocas.

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  3. Ahh o post da sua casa, eu li tbm sim... só não me manifestei né?? hehehe

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  4. rsrs

    Então já sabe que, infelizmente, não sou só sensibilidade... ;)

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